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Edição 769

Fanfarra dos Escuteiros: há 50 anos a encabeçar a procissão da Senhora das Dores

A fanfarra dos Escuteiros da Trofa, que, tem até aos dias de hoje pautado a sua existência, pela qualidade, pelo entusiasmo e pela dedicação aos escutismo, do qual muito se orgulha, bem como na sua maior representatividade, que é afinal, a abertura solene da majestosa procissão da Senhora das Dores.

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O Escutismo é um jogo, uma viagem, uma descoberta, um modo de estar na vida, um sistema de preparação para a cidadania, um momento de vivência com a natureza. É o aprender para saber, aprender a fazer, aprender a viver em conjunto, no fundo, aprender a Ser.
E como tudo na vida, há um início e um fim. Quando começamos, esperamos sempre que a longevidade se eternize, mas se assim não for, que seja o mais dilatado possível.
Corria o ano 1972 e o Chefe Rogério transitava do agrupamento Nr. 124 de Lousado para o agrupamento Nr. 94 da Trofa.
Vinha com um sonho em mente: criar uma fanfarra nos escuteiros da Trofa.
A oportunidade surgiu num encontro de um jantar convívio no Monte de São Gens.
No final do repasto, alguns dos presentes usaram da palavra, quase todos solicitando ao falecido Chefe Carlos Campos, que envidasse esforços no sentido de criar um agrupamento de Escuteiros em Santiago de Bougado. Em resposta, Carlos Campos, não se opondo em absoluto, recorda que tal aventura custaria dinheiro.
De imediato, o Dr. Padrão puxou da carteira e ofereceu vinte contos de reis.
O Prof. Dr. Sebastião Cruz, também presente, ofereceu logo dois clarins e o já falecido Chefe António da Vinha ofereceu um bombo.
Dias depois, numa reunião com a direção, verificaram que não havia dinheiro para comprar os restantes instrumentos.
Perante este cenário, o Chefe Rogério procurou o Padre Joaquim Ribeiro que, depois de o ouvir, ofereceu um clarim e os restantes chefes do agrupamento ofereceram outro. Mas ainda não era o suficiente para pôr a fanfarra a funcionar.
Não desanimou e, juntamente com o grupo de rapazes, foram cantar as janeiras e com a receita obtida compraram mais um clarim.
Informou a direção desse facto e disse-lhes que, no ano seguinte, formaria um grupo maior com o objetivo claro de comprar caixas e timbalões, porque sem esses instrumentos nada se podia fazer.
Assim foi feito: no ano seguinte, com o grupo maior e com ajuda do Chefe do Agrupamento, responsável por guardar dinheiro obtido, conseguiram comprar as caixas os timbalões e ainda sobrou dinheiro.
Hoje, e bem, são já várias as associações que seguiram o exemplo de cantar as janeiras, tornando-se um boa fonte de receita associativa.
E assim nasceu, cresceu e se tornou adulta, a fanfarra dos Escuteiros da Trofa, que, tem até aos dias de hoje pautado a sua existência, pela qualidade, pelo entusiasmo e pela dedicação aos escutismo, do qual muito se orgulha, bem como na sua maior representatividade, que é afinal, a abertura solene da majestosa procissão da Senhora das Dores.

Amândio Pereira

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Edição 769

Escrita Com Norte: Cancelado

“O Agostinho não é esse. – e identifico-o com a sua característica distintiva, relativamente a todos os outros – O Agostinho é o negro.”

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Às vezes acordamos sem imaginar o que está para vir… a mim, sempre, com excepção dos afazeres habituais e vulgares.
Este sábado, quando despertei, e depois de lavar a cara, saio do estado reptiliano e começo a entrar no estado de relativa racionalidade, que rezo para durar até ao final do dia, e planeio ir ao parque, munido do meu computador, para escrever um texto para o “O Notícias da Trofa” e aproveitar para ver um grupo de bons amigos, que se junta para dar uns toques na bola. Algo que também planeei, foi, primeiro, manter-me vivo, por isso, antes de atravessar a passadeira, parei e esperei que os carros também parassem; segundo, manter-me claro e simples na linguagem, para melhor e mais rapidamente me entender com os outros. Antes de atravessar a passadeira para o parque, fui interpelado por uma senhora, que me perguntou onde era o oculista. “Está a ver onde está aquele senhor perneta? É aí.” – disse-lhe. Identificar esta característica distintiva deste senhor, de entre os outros, não deixou dúvidas sobre onde era a loja.
Quando encontro os meus amigos, fazemos uma algazarra infantil, própria de quem genuinamente se gosta e atura…em casa são todos uns senhores!

– Pessoal, vou ali para o banco, escrever um texto. Quando terminar venho ter convosco. – e afasto-me.
Estava já há algum tempo instalado num dos bancos do parque, com o computador aberto, a folha em branco, as ideias por aparecer e os meus amigos, ao longe, sem se calarem, quando sou abordado por um Ser Humano, que me pergunta:

– Sabe-me dizer quem é o Agostinho?
Obviamente sabendo quem é o meu amigo Agostinho, esta pergunta, aparentemente simples, fez-me sentir como um touro encurralado na arena por este Ser Humano, pronto a cravar as bandarilhas.

– O Agostinho é o alto, o que parece um andor. – digo, apontando para o grupo.

– Mas dos andores, qual deles? – pergunta-me.
(De todos, apenas o Joca tem pouco mais de metro e meio, os outros, mais de um e oitenta)

– O andor e gordo! – esclareço, já desconfortável.

– Mas qual dos andores e gordos? Vejo quatro!
(Apetecia-me ser claro e responder como respondi à senhora que procurava o oculista)

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– Humm, o Agostinho é o andor, gordo e caixa de óculos.

– Mas qual dos andores, gordos e caixa de óculos? Vejo três!

– E feio. – vou peneirando a descrição, já encolhido, com medo do que possa aí vir.

– Continuo a ver três. – replica o Ser Humano, encolhendo os ombros.

– É o que tem uma pomba no ombro!
(uma pomba tinha pousado no Agostinho, que sempre gostou de passarada)
Quando o Ser Humano olha, a pomba salta de ombro, e passa para o Marco.

– Ahhh, é esse o Agostinho! Tenho um recado para ele.
Quando o Ser Humano avança em direcção aos meus amigos, sob a pressão da conversa que estávamos a ter, “descarrilo” dos novos bons modos e dos novos bons costumes, e sou cristalino como a água,

– O Agostinho não é esse. – e identifico-o com a sua característica distintiva, relativamente a todos os outros – O Agostinho é o negro.
O Ser Humano, moralmente superior, furioso, avança para mim e espeta-me as bandarilhas e condena-me ao “matadouro”, proibindo-me de pensar e expressar…deixei de existir.
Era tão amigo do Agostinho, que é negro, como do Joca, que é baixote, e de todos os outros, que são…

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Edição 769

Mais uma força política. Iniciativa Liberal fundou núcleo

José Pedro Reis foi eleito o primeiro líder da estrutura concelhia da IL, sob o compromisso de “trabalho, trabalho e trabalho”.

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Fez formação política na Juventude Social Democrata, chegou a assumir funções pelo PSD na Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Bougado, mas acabou por se afastar do projeto político “laranja”. Hoje, José Pedro Reis é o coordenador da mais recente força política do concelho, a Iniciativa Liberal.

O plenário fundador da Iniciativa Liberal (IL) decorreu na tarde de 25 de junho, no salão nobre da Junta de Freguesia do Coronado, num gesto simbólico demonstrativo da intenção “descentralizadora” do novo núcleo, que até tem como coordenador um bougadense de S. Martinho. José Pedro Reis foi eleito o primeiro líder da estrutura concelhia da IL, sob o compromisso de “trabalho, trabalho e trabalho”. Escusando-se a grandes discursos, o ex-militante do PSD apresentou-se como porta-voz de um projeto que pretende “fazer a diferença”. “É notório que, no concelho da Trofa, a política vive um marasmo total. É premente tirá-la deste estado vegetativo, para o bem dos cidadãos e para tornar mais exigente a governação local”, referiu, em declarações ao NT.
A maioria dos elementos do núcleo está na faixa dos “vintes”, mas tal “não é sinal de irresponsabilidade, muito pelo contrário”.
“Cada vez mais a exigência sobre os jovens é maior, por isso se há geração que está preparada para desafios é esta”.
Ainda assim, o coordenador não refuta que se trata de uma “lista de dificuldade”, que, apesar de tudo, “está ciente daquilo que quer e vem fazer”.
Já com vários meses de trabalho, com eventos realizados por todo o concelho para “medir o pulso à população”, a Iniciativa Liberal elegeu como prioridade a resolução dos “problemas crónicos desta terra” que, segundo José Pedro Reis, são “a falta de acessibilidades e de transportes”.
“Melhorar a componente industrial do concelho”, reivindicar “mais cultura e habitação” e “lutar por menos impostos, mais simplificação e mais transparência autárquica” são outras das bases em que se sustenta o projeto da IL no concelho.
Durante o plenário, foram divulgados os desafios para o mandato, que incluem dar à IL “representação em todas as freguesias”, visitar “o máximo de instituições e associações” e “preparar as eleições autárquicas de 2025”.
Quanto ao facto de se ter afastado do PSD, José Pedro Reis justificou com a maior aproximação aos ideais da nova força política. “Os liberais não querem terminar com o Serviço Nacional de Saúde nem com a participação do Estado na economia, queremos apenas dar-lhe menos peso, porque não se justifica necessitarmos do Estado para tudo e mais alguma coisa. Importante é a valorização do individuo pelo seu trabalho, atitude e vontade de fazer algo por si e pela comunidade sem ser preciso estar dependente de nenhum partido político para conseguir o que quer que seja”, argumentou.
A acompanhá-lo no núcleo, José Pedro Reis tem como vice-coordenador Diamantino Costa, como secretário Rúben Reis e como tesoureiro Davide Fernandes.
A apadrinhar a criação do núcleo esteve o deputado da IL na Assembleia da República, Rui Rocha, que atestou que “o crescimento da IL se faz passo a passo, por um lado, com medidas e propostas consistentes, que vão ao encontro das necessidades das pessoas, e, por outro lado, através de uma presença organizada e estruturada a nível local, capazes de identificar essas necessidades e de comunicar às pessoas o trabalho feito pelo partido”.

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