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Edição 723

Festas sem procissão, mas com missas campais e fogo de artifício

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As festas em honra de Nossa Senhora das Dores vão realizar-se, mas com muito menos brilho do que é tradição, devido à pandemia de Covid-19, que impedirá a realização da grande procissão dos andores e do programa lúdico. Conheça as celebrações religiosas que serão realizadas para assinalar a efeméride deste ano.

O ano 2020 deu-nos a conhecer uma realidade diferente daquela a que estávamos habituados. Mais confinamento, menos convívio, máscaras em saídas à rua, lotação reduzida ao mínimo no interior de estabelecimentos e igrejas, atividades canceladas. Na Trofa, a última grande iniciativa realizada sem limitações está já a cinco meses de distância – a Feira Anual da Trofa – e para trás já ficaram a não realização de eventos como a ExpoTrofa e o Belive.

A ausência de uma solução para a pandemia que atingiu o País e o Mundo neste arranque para a terceira década do século XXI continua a causar grandes restrições ao normal funcionamento das comunidades, que na Trofa vão voltar a ser sentidas naquela que é a maior festa da cidade: as celebrações em honra de Nossa Senhora das Dores.

A majestosa procissão dos andores, pela multidão que arrasta todos os anos, está fora de questão, assim como todo o programa profano, no qual se incluem os concertos musicais.

No entanto, e para que a data se cumpra dentro do possível, foi elaborado um programa religioso modesto, que iniciou a 1 de agosto, com a iluminação da Capela de Nossa Senhora das Dores e Igreja Matriz de S. Martinho de Bougado.

Este sábado, 8 de agosto, às 21 horas, realiza-se um cortejo automóvel com o andor de Nossa Senhora das Dores, da Igreja Matriz à Capela. Junto a ela, na concha acústica do Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro, será celebrada uma missa campal, às 21h30.

Entre 9 e 15 de agosto, às 21 horas, cumpre-se o setenário em honra de Nossa Senhora das Dores, com missa campal na concha acústica. A paróquia informa que “estas celebrações terão a presença de vários sacerdotes, que farão a sua reflexão sobre cada uma das dores de Nossa Senhora”.

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A 16 de agosto, dia em que se realizaria a grande procissão, é celebrada a eucaristia em honra de Nossa Senhora das Dores, também ao ar livre, às 11 horas. Está previsto que a missa conte com a presença do bispo do Porto, D. Manuel Linda. No fim da eucaristia, será feita a transladação da imagem de Nossa Senhora das Dores para a Capela.

No dia seguinte, pelas 8h30, realiza-se a eucaristia pelos benfeitores das festas de Nossa Senhora das Dores, e, a 18 de agosto, à mesma hora, é assinalado o encerramento das celebrações.

A comissão de festas apela à população que apoie através de donativos para pagar as despesas, que poderão ser entregues durante os dias da festa na Capela de Nossa Senhora das Dores.

A comissão de festas, este ano a cargo das aldeias de S. Martinho, Coroa, Real e Carqueijoso, providenciou um espetáculo de fogo de artifício para a noite de sábado para domingo.

Os foguetes serão lançados de dois locais distintos da cidade, na antiga ponte do comboio junto ao Parque Nossa Senhora das Dores e no parque de estacionamento da EB 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques. A intenção de dividir o espetáculo por dois locais é fazer com que não haja aglomerados populacionais.

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Memórias e Histórias da Trofa: O Ministro da Justiça na Trofa em 1904

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Decorriam os últimos dias do mês de maio de 1904 e a Trofa estava em alvoroço, porque iria ter a visita de gente ilustre, aquelas personalidades mediáticas que são capazes de alterar por completo as rotinas sociais da comunidade.

Uma pequena localidade entre Porto e Braga desenvolvia-se de forma estonteante, o comboio que tinha chegado há alguns anos permitia que se vivesse um grande crescimento económico e também social, o que fazia, obviamente, com que esse processo fosse capaz de chamar a atenção do poder central político.

O ilustre que iria visitar a Trofa na última semana de maio de 1904 era sua ex. Ministro da Justiça, Artur de Campos Henriques, que ocupava aquele cargo desde 7 de setembro de 1903.

Na prática, era ministro desde 1900, todavia tinha estado afastado dessas funções, entre julho e setembro de 1903, por questões meramente políticas e, rapidamente, iria retornar ao seu ministério.

A sua passagem pela Trofa iria ocorrer nas instalações da Estação do Caminho de Ferro, desconhecendo o destino final daquela ilustre visita, todavia, isso não foi impedimento para aquelas instalações ferroviárias estarem repletas de público, com muitos dos presentes a quererem ver aquela figura carismática do Governo Constitucional, atendendo a todo o seu passado político em que tinha sido Governador Civil, Ministro das Obras Públicas e, como prova do seu impacto mediático, em 1908, iria ser, inclusivamente, Presidente do Conselho que equivalia esse cargo na atualidade a Primeiro-Ministro.

Um portuense que ia dando cartas na política nacional e conseguia facilmente receber o reconhecimento do seu trabalho, iria ter uma enorme ovação na Trofa, com o povo presente a aproximar-se da carruagem em que ele viajava e prontamente fizeram vários vivas à família real, como também àquele ilustre.

Possivelmente, o destino da sua viagem seria Braga ou uma outra localidade minhota, fundamentando esta argumentação com a presença do Presidente de Câmara na Estação, como também a importante presença do secretário municipal. Caso o comboio seguisse para Guimarães, facilmente o Presidente da Câmara poderia contactar com aquela pessoa em território tirsense.

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A cobertura jornalística efetuada àquele momento não permitiu perceber muito mais pormenores sobre aquele acontecimento, apenas que estava presente um ambiente festivo, com grandes vivas à família real, vivendo-se um momento de euforia e raro naquela época, a visita de um Ministro a uma localidade, sobretudo, uma das figuras mais influentes do panorama político nacional.

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Ida à praia (parque I)

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Ajusto o despertador para as sete horas, a ideia é acordar cedo para aproveitar a melhor parte da praia, a manhã. Nunca percebi aquelas pessoas que chegam à hora do “cancro”, quando deveriam estar a sair para irem almoçar…QUE PAROLOS!

Parece que foi no momento a seguir a pousar a cabeça na almofada, que acordei com o primeiro de cinco toques do despertador! O primeiro, às sete, e o último, às oito. Dava perfeitamente para nos prepararmos, irmos tomar o pequeno- almoço e chegar cedo à praia.

O dia tinha acabado de começar e já achava que estava a correr demasiado bem, quando ao entrarmos no carro para irmos para a praia, e chegar cedo, a Cristina diz – Vamos passar só ali…fica a caminho.

A loja onde ela queria ir ficava a Este do sítio onde estávamos, quando queríamos ir para Oeste…mas estávamos com tempo…, é a grande vantagem de acordar cedo. Após esta deslocação fomos a mais um, e outro…e mais outro sítio, todos a caminho da praia e sem dar conta, já tínhamos percorrido todos os pontos cardeais, sem sair da Trofa!

Finalmente, tomamos a direção da praia e ao fim de meia hora estaciono o carro próximo de um passadiço que dá acesso ao areal. Quando olho para a esquerda, vejo várias pessoas a sair. “Estará vento?” – pensei eu, olhando para o céu a certificar-me se alguma gaivota estava a ser arrastada e de seguida espreito por cima do ombro, em direcção à bandeira, que além de verde, não se mexia!

  • É meio-dia. Quase que chegávamos de manhã! – Diz a Cristina.
    Quando ouço as horas, envergonhadamente, tapo a cara, para não ser visto, mas o António reconheceu a matrícula do carro:
  • Tudo bem, Calheiros? Vais para a praia?
  • Não, António! Só um inconsciente ia a esta hora para lá! Já vamos embora. – Respondo.

    Quinze minutos depois já tínhamos o para-vento e o guarda-sol montados e, sem grande demora, já estou a molhar os pés…a água estava gelada! O mergulho foi imediato e inevitável, depois de passar água pelas pernas, tronco e cara. Sempre desconfiei daqueles que vão molhar os pezinhos e recuam para o areal!
    Dou meia dúzia de braçadas e deixo-me estar a boiar. Ao sair da água, o ar natural que transmitia era desmentido pela pele de galinha e pela quase inexistência dos genitais…com calma dirijo-me para a minha toalha, onde me deito exposto ao sol, naquela hora em que ele é forte e faz mal…com urgência precisava de recuperar os meus órgãos…e adormeci, a Cristina já dormia!
    Quando acordo, desta vez sem nenhum toque de despertador, a praia já tinha recuperado aqueles que tinham saído ao meio-dia. Abro os olhos e senti-me como a acordar no meu quarto, mas cheio de estranhos, em que cada um pôde ficar a conhecer um pouco do meu íntimo, ou seja, a forma escarrapachada como durmo, se ressono ou não, se falo ou tenho tiques durante o sono…e aquela! Aquela que, de pé e em topless, chegava creme por detrás de um para-vento, também pensa agora que me babo a dormir, mas nesse caso foi apenas a reação ao vislumbre de um belo exemplar de mamas!
    Viro-me para o lado e a Cristina ainda dorme e baba-se. Olho para onde a cabeça dela está virada e, aliviado, vejo um rochedo! Quando olho para ela, outra vez, sinto os genitais e um sorriso denúncia que já os recuperei…

Como é bom aproveitar a praia, logo pela manhãzinha!

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