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Santo Tirso não pode perder! Estas foram as palavras de ordem mais ouvidas durante a vigília, contra o encerramento da maternidade do Hospital de Santo Tirso, que decorreu na tarde de domingo.

Cerca de duas mil pessoas mostraram a sua revolta numa marcha entre o hospital e a Câmara Municipal onde Castro Fernandes, presidente da autarquia tirsense, juntou a sua voz ao coro de protesto contra o encerramento do bloco de partos.

Os argumentos que estão na base da decisão, por parte do Governo, de encerrar a maternidade de Santo Tirso, que serve a população daquele concelho e do município da Trofa, Maia e paços de Ferreira, não convencem os seus habitantes.

Em causa estará a decisão, por parte do ministério da saúde de encerrar maternidades com menos de 1500 partos por ano ou falta de condições para a realização dos mesmos. Ora, na maternidade de Santo Tirso fazem-se cerca de Oitocentos partos por ano o que fica muito aquém dos 1500 apontados pelo ministério. Mas quem não se mostra convencido com este s argumentos são os populares, os partidos políticas e os próprios profissionais de saúde que pela boca do presidente da Liga dos Amigos do Hospital, Fernando Marques, fazem saber que não concordam com o encerramento.

Por seu lado o deputado da Assembleia da Republica Jorge Machado, da CDU, também não poupou criticas àquilo que considera ser uma “politica meramente economicista, levada a cabo pelo actual governo, numa zona deprimida como é o Vale do Ave, onde os números do desemprego são cada vez mais elevados”, frisou. Relativamente aos meios técnicos e humanos para que o bloco de partos possa funcionar, o deputado acusa o governo de ter dois pesos e duas medidas já que “bem perto de Santo Tirso existem unidades de saúde privadas que não precisam de um número mínimo de profissionais para poderem continuar a fazer partos”.

A possibilidade de as grávidas de Santo Tirso e da Trofa terem de se deslocar ao hospital de Vila Nova de Famalicão, quer para as consultas de rotina, como para o parto em si, não agrada à maioria das pessoas, até porque tal acto implicaria mais despesa, nomeadamente inerente à deslocação e tempo dispendido na viagem que se traduz em cerca de 45 minutos de viagem, no caso de algumas freguesias mais longínquas destes concelhos.

Depois de percorridas as principais ruas de Santo Tirso empunhando cartazes e gritando palavras de ordem, os manifestantes concentraram-se em frente aos Paços do Concelho onde o edil tirsense também mostrou o seu descontentamento e ao NT assegurou que foi “o primeiro a manifestar-se publicamente e a alertar para o eventual encerramento da maternidade” e fez questão de salientar que a decisão em causa “já vem dos Governos anteriores”. Para o autarca esta decisão, a ser irreversível, vai causar muitos constrangimentos “quer à população de Santo Tirso quer do concelho da Trofa e se tal se confirmar esperamos que o governo nos compense dotando o hospital de outros serviço essenciais “A qualidade de vida das populações”, asseverou o autarca.

Abaixo-assinado contra encerramento

A Comissão de Defesa da Maternidade do Hospital (CDMH) está a recolher assinaturas de trofenses e tirsenses contra o encerramento do bloco de partos da maternidade. Assim, o abaixo-assinado, que se destina a ser entregue na Assembleia da República, contra o fecho da estrutura e de acordo com informação veiculada por um dos porta-vozes da comissão, José Alberto Ribeiro, foi já subscrito por “mais de quatro mil pessoas”. Para esta quarta-feira a CDMH agendou para a passada quarta-feira uma reunião com o presidente da autarquia tirsense, o socialista Castro Fernandes. Até á hora do fecho desta edição ainda não eram conhecidas as conclusões deste encontro.

Apesar deste ser um problema que também afecta as parturientes da Trofa, até à hora do fecho desta edição e apesar de ter sido questionado sobre este assunto, o autarca da Trofa, Bernardino Vasconcelos, que chegou a ser um dos responsáveis pelo Hospital Tirsense, não teceu qualquer comentário sobre o assunto.