Jose Moreira da Silva Já lá vão dez anos, desde o longínquo ano de 1998 em que surgiu na boca, vindo das entranhas de milhares e milhares de Trofenses, o grito do “Ipiranga”, que há muito era desejado, mas só foi possível, graças à generosidade de um punhado de homens que acreditaram e criaram as condições para a concretização desse sonho. Não foi fácil, e só com o crer desse punhado de homens, de braço dado com a grande maioria dos Trofenses, é que se pode levar de vencida, tantos e tantos “engulhos” que foram aparecendo no caminho.

Dez anos passados e já se pode dizer, sem qualquer margem para dúvidas, que valeu a pena. Foram muitos milhões, perto de duzentos milhões de euros, que a Trofa teve, para gerir, na nossa terra e na nossa gente, por direito próprio. Poder-se-á dizer que foram gastos, esses muitos milhões de euros, não da melhor maneira. O certo é que foram gastos cá, na Trofa, onde era merecido e não na “terra dos outros” que, sociológica e culturalmente, nada nos dizia.

O desenvolvimento harmonioso do Concelho da Trofa, só poderá ter um efeito justo e equilibrado, na senda do progresso, se for feito das periferias para o centro e não ao contrário, do centro para as periferias. O crescimento da cidade da Trofa, só pode ser feito para sul e não para nascente, que tem Santo Tirso, nem para o norte que tem o Rio Ave. O desenvolvimento sustentado e equilibrado do Concelho da Trofa está posto em causa, pois até no desenvolvimento o centralismo tem tido um excesso de protagonismo e de “amantes”!

A qualidade de vida é um direito igual de todos os Trofenses, sejam eles de Alvarelhos, Bougado (S. Martinho ou Santiago); Coronado (S. Mamede ou S. Romão); Covelas, Guidões ou Muro. Não há, nem pode haver, Trofenses de 1ª e Trofenses de 2ª categoria.

As infra-estruturas necessárias a uma boa qualidade de vida, como o saneamento básico; a água ao domicílio; os equipamentos (culturais, desportivos ou sociais), não podem ser apanágio só de alguns, mas de todos os Trofenses.

Um Concelho da Trofa que se quer, e deseja, harmonioso, não pode ter os serviços centrados num único local. Se existisse uma cultura de equidade concelhia, por parte de quem gere o município, já existiriam há muito, nas sedes das Juntas de Freguesia, postos avançados da Câmara Municipal, para que os munícipes não se tenham de deslocar à sede da “comarca” para tratar de assuntos tão “comezinhos” como licenças e outros. Um simples protocolo com as Juntas de Freguesia já teria resolvido a situação!

Neste espaço de tempo, que às vezes parece pouco, foi o suficiente para se ter criado uma cultura de equidade em todo o Concelho contrapondo à cultura centralista de antes de sermos Concelho. Está-se a perder uma oportunidade de ouro, pois continua-se como antes: centralista e com pouca, ou nenhum equidade.

Esta postura tem levado a que o Concelho da Trofa, se incline sempre para o mesmo sítio pondo em causa a equidade necessária para que a Trofa seja um Concelho exemplar, com que todos sonhamos no já longínquo dia de 19 de Novembro de 1998. Não nos podemos esquecer que a gestão do nosso próprio destino foi uma das grandes conquistas de há dez anos. Que bom a Trofa ser Concelho. Foi justo e merecido! É preciso prová-lo em todos os actos de gestão do nosso futuro. Que se faça por isso!

 

José Maria Moreira da Silva

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