Foi com o objetivo de recriar uma tradição dos antepassados, que o Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado organizou, no dia 7 de janeiro, pelas 21 horas, o 6º Encontro de Cantares de Reis. Esta atividade é o “culminar de uma época”.

Quem visitou, no sábado à noite, o auditório da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, foi como se viajasse no tempo e estivesse presente numa cozinha tradicional à moda antiga. Enquanto a mulher ia “fazendo umas meias de lã”, os filhos brincavam ao pião, junto à lareira do fumeiro, enquanto aguardavam a chegada do avô para “cearem”.

Com a chegada do patriarca, também surgiram os momentos mais caricatos da noite. Quando se preparavam para “cear”, um grupo de pessoas “bateram à porta”, para lhes cantar os reis.

Para se protegerem do frio, as mulheres usavam xailes e meias pretas de lã de ovelha e os homens samarras ou varinos. Além disso, faziam-se acompanhar de uma vara de marmeleiro e de lampiões, para lhes iluminar o caminho. Como forma de agradecimento, a família ofereceu uma cesta com uma broa, uma garrafa de vinho e uma chouriça.

O primeiro grupo a entoar cânticos, desta época natalícia, foi o Grupo de Danças e Cantares de Santiago de Bougado, seguido do Rancho Regional de Fradelos (Vila Nova de Famalicão), Rancho Folclórico da Trofa e Rancho Regional de S. Salvador de Folgosa (Maia).

Esta atividade, que já vai na sexta edição, tem sido bem recebida pelo executivo da Junta de Santiago e pela população. E para que consigam encontrar grupos disponíveis, a direção começa a organizar “quase de um ano para o outro”. “Por uma questão de custos, convidamos todos os grupos de perto, que é para depois nós, nas nossas deslocações, não termos que pagar transporte e pouparmos um bocadinho”, afirmou Manuela Moreira, presidente do Danças e Cantares. Na sua opinião, este é o “culminar de uma época”, porque o folclore não passa só por dançar. Esta atividade “é o recriar de uma tradição que os nossos antepassados faziam e que nós gostamos de fazer sempre com muito carinho”, acrescentou. E até a escolha da lembrança, a entregar aos grupos, teve o seu significado: “Antigamente, quando eles andavam a cantar as janeiras, recolhiam aquilo que as pessoas mais abastadas lhes davam, que eram precisamente em géneros. No fundo, estamos a dar isto como sendo um símbolo de antigamente”.

A par da organização desta atividade, o Danças e Cantares de Santiago de Bougado também andou a “dar as boas festas”, entre 8 de dezembro e o dia do encontro de Reis, com o intuito de arrecadar mais algumas verbas.  Apesar deste ter sido um ano economicamente difícil, Manuela Moreira garante que “correu muitíssimo bem”, acabando por exceder as expectativas que tinham. A presidente aproveitou para “deixar um agradecimento muito especial a toda a população”, que os recebeu muito bem.

Relativamente a projetos para este novo ano, a presidente salientou o “Festival Bougado ’12, a Feira à moda Antiga, participação no Festival Concelhio” e algumas saídas já agendadas. Além disso, o Danças e Cantares recebeu “três convites para deslocações ao estrangeiro”. “Neste momento, estamos a fazer muitas diligências, mas acho que não vai ser possível. É com muita pena nossa, mas não há mesmo verba”, disse. Em anos anteriores, o grupo deslocou-se ao estrangeiro, graças à “ajuda imprescindível da Câmara Municipal da Trofa, da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado e da população em geral”, mas em 2012 estão a encontrar algumas dificuldades em conseguir apoios.

Manuela Moreira aproveitou para deixar um pedido de apoio, a quem os possa ajudar a realizar uma deslocação fora de Portugal.

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