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Edição 718

Cozinheiro do Vale da Corga nomeado para chefe do ano

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Um dos chefes de cozinha do Vale da Corga está nomeado para Chefe Cozinheiro do Ano.

Marco Coutada, de 28 anos, é um dos concorrentes do Norte e um dos 18 que vão disputar etapas regionais e lutar por um lugar na fase nacional, que decorre em janeiro de 2021.

Natural de Forjães, Esposende, Marco Coutada reside atualmente em Vila Nova de Famalicão. Concluiu o curso de Técnico de Restauração de Nível IV, vertente Cozinha/Pastelaria, na Escola Profissional de Esposende, e conta já com nove anos de experiência profissional, tendo estagiado no Restaurante Saleiro do Hotel Flor de Sal (4), em Viana Castelo, no Restaurante Divinus do Hotel Convento do Espinheiro (5), em Évora, e no Restaurante Assinatura, em Lisboa. Antes de ingressar na equipa da cozinha do Vale da Corga, na Trofa, Marco Coutada ganhou experiência no Restaurante Cais de 4, em Leça da Palmeira, no Restaurante Ralenti do Hotel Rally, em Viana do Castelo, e no Restaurante Ferrugem, em Vila Nova de Famalicão.

Adepto dos produtos tradicionais portugueses, de produção local e sazonal, o chefe, que participou pelo “reconhecimento e história associados ao concurso”, ajuda a manter a identidade gastronómica do Vale da Corga, caracterizada por uma “fusão entre a cozinha tradicional portuguesa e a contemporânea, primando pela qualidade da matéria-prima e a inovação ao nível da conjugação dos mais variados sabores/contrastes”, explicou fonte da empresa de organização de eventos, inaugurada em 2017, com um espaço no lugar da Abelheira, em S. Martinho de Bougado.

Pronta para iniciar a quarta temporada, a empresa especializada na realização de casamentos viu-se obrigada a cancelar todos os eventos já marcados, devido à pandemia de Covid-19. “Após um período em que fizemos formação do staff, remodelação do edifício e preparação do novos menus, estava tudo pronto para dar início à nova temporada, a partir de 21 março. No entanto, surgiu a Covid-19 e tudo foi alterado, todos os casamentos que tínhamos até agosto foram adiados”, referiu a mesma fonte.

Durante este período, a empresa empenhou-se em “dar apoio aos clientes”, que “estão com muita ansiedade” devido à incerteza do futuro. “Já tínhamos preparado a época no início do ano, com todas as novidades. A festa da celebração de casamento tem que ser inesquecível, com muita animação e muita felicidade. Entendemos que, neste momento, ainda não existem condições para isso acontecer, pelo que temos que esperar”.

Com um espaço construído “no meio de um bosque e de nascentes de água”, o Vale da Corga destaca-se por proporcionar aos clientes eventos em harmonia com “obras da Natureza”. Para a empresa, o que torna aquele espaço especial é “o equilíbrio das várias especialidades”, como “a equipa jovem, sempre com um sorriso, a decoração e a cozinha com um serviço de qualidade, provado agora com a nomeação de um cozinheiro para chefe do ano”.

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Edição 718

Poliglota

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Apesar de ser defensor do que é nosso, daquilo que simboliza a nossa Nação e de sentir-me também dono da língua que falo e que escrevo, isso nunca invalidou uma vontade clara de aprender o “Inglês”.

E são duas as razões principais. A primeira, porque na escola não gostava das outras opções, o “Francês” e o “Alemão” e a segunda, por vergonha.

Vergonha de fazer as mesmas “ceninhas” que amigos meus faziam quando em plena pista de uma discoteca tentavam acompanhar as músicas mexendo os lábios simulando um inglês, que pouco sabiam, que não encaixava nas letras, sendo pior do que uma novela venezuelana traduzida para brasileiro. Por diversas vezes, quando gingava o meu corpo de um lado para o outro, de cervejinha na mão e com o radar ligado no modo “fêmea”, e um amigo se atrevia a abrir a boca quando nem o playback de um “yes” conseguia fazer, eu, disfarçadamente, ia dando uns passos para o lado e olhava pare ele como se não o conhecesse de lado nenhum e comentava com a miúda do lado, “Que parolo!”.

Mas antes disto e ainda muito criança, o que eu gostava mesmo era de falar a língua dos animais. Autodidacta, aprendi a miar para os gatos, a ladrar para os cães, a cacarejar para as galinhas, a roncar para os porcos (língua em que me tornei um “expert”), a relinchar para os cavalos,…, faltando-me rugir cara a cara com um leão! Toda esta lógica só foi quebrada uma vez, quando na comunhão de um primo mais velho, fui apanhado a mugir para um passarinho, depois de beber uma cerveja às escondidas debaixo de uma mesa.

Agora adulto, um destes dias quis ir mais além de quem estuda línguas mortas, como o aramaico ou o latim, e mergulhei nos primórdios da língua indo ao jardim zoológico praticar o meu guinchar com um macaco.

No portão de entrada, um cartaz a anunciar o desconto de 80% para quem conseguisse imitar um cavalo. Consciente do meu saber e das minhas capacidades, imitei um híbrido de elefante com rinoceronte a discutir com uma couve. Perante a estupefacção da senhora da bilheteira entrei de graça!

Dirigi-me lesto para a jaula do macaco. Pachorrento, ele dormia.

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  • Acorda, pá! – gritei.
    E com o barulho, ele acordou.
     – U,u,u,u,u,uuuuuuuu,u,u,u,u,uuuu,u,u,u,u! – guinchei, num orangotangês erudito.
  • Pareces parvo, ó humano! – responde-me o macaco.
  • Ui, tu falas! – exclamei mais admirado do que se houvesse um consenso político em Portugal.
  • Sim, falo, ó parvalhão!
    Perante o insulto não me deixo ficar e respondo-lhe – Parvalhão és tu, eu tenho vergonha de descender de vós!
  • E nós macacos temos vergonha de ser ascendentes do Humano! Sois uns animais!
    Sem querer mais conversa com o parente, despeço-me num orangotanguês coloquial – U,u ,u uuu, u, u – e viro costas.
  • Pane…! – chamou-me o macaco.
    No regresso a casa, para relaxar da má experiência que foi a conversa com o macaco, tomo o caminho que atravessa o bosque. Aproveitei para praticar as palavras assobiadas das árvores e as palavras das plantas empurradas pelo vento! Cheguei a casa convicto de que percebia todos os seres do mundo e ouço barulho ao fundo, na sala.
  • Zé, já chegaste? Anda cá. – chamou-me a Cristina – Estas são as minhas amigas. – diz-me, apresentando-me, uma a uma.

    Para parecer simpático deixei-me ficar com elas cinco minutos, que me fizeram perceber que continuo a não compreender o dialecto feminino!

    Saí de casa e voltei ao jardim zoológico, para conversar com o macaco.
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Edição 718

Memórias e Histórias da Trofa: As festas de Nossa Senhora das Dores em 1920

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As festas em honra de Nossa Senhora das Dores são uma marca do ADN da cultura trofense e parte da sua identidade cultural. É por isso importante perceber a evolução e o impacto destas festividades ao longo dos tempos e obviamente reforçar que a sua importância se perde na fita do tempo e das memórias.

Recuando no tempo, até 1920, concretamente a 21, 22 e 23 de agosto de 1920, anunciou a imprensa local que esta festividade não tinha apenas eco nas redondezas, mas também em toda a região Norte. O jornalista do Jornal de Santo Thyrso irá ser mais expansivo relativamente aos impactos da festa na região, referindo que a Romaria da Senhora das Dores era das mais importantes do país, permitindo assim um impacto mais global e que certamente despertaria curiosidades na sociedade que iria dizer presente.

No dia 21, o programa das festas teria início com uma descarga de foguetes, com a atuação de duas bandas de música, sendo uma Bombeiros Voluntários de Famalicão e por último da Infantaria 18, unidade militar instalada na cidade do Porto. As duas bandas iriam animar o arraial noturno e a sua atuação ira ser acompanhada do lançamento de foguetes.

No dia seguinte, o programa era bastante parecido ao do dia anterior, havendo apenas alguns atos religiosos, um tipo de eventos que não acontecia no dia anterior, mantendo-se a atuação das bandas de música para concretizar o plano profano. No último dia destas festividades, iria decorrer uma atuação da Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Famalicão que atuou igualmente em dias anteriores do programa como também a realização da feira de sementes que iria permitir momentos de convívio e até mesmo de namoricos, terminando a festa com uma nova descarga de morteiros.

Atendendo a ter-se passado 100 anos da edição festa que surge relatada no presente texto, um importante momento para relembrar ou até mesmo escrever uma página de história local e compreender a evolução das festividades.

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