Li, recentemente, alguns artigos relativos ao receio do uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), nos produtos alimentares.

O que são os OGM? Em poucas palavras, trata-se de organismos vegetais ou animais cujo código genético foi manipulado de forma a favorecer determinadas características. Ou seja, cereais mais resistentes a pragas, leguminosas com maior rendimento por hectare, ratinhos fluorescentes (ainda estou para perceber o benefício disto), entre outros.

Em alguns dos casos, trocam fragmentos do código genético (o que determina o crescimento e reprodução, animal ou vegetal) de um organismo com outro, conseguindo que a fruta não apodreça com facilidade, que seja mais doce, sem caroço, etc. Quando é feita esta inserção de código genético de outro organismo, estão a ser criados Transgénicos.

Como não é a área que domino (e para evitar conclusões tendenciosas), investiguei alguns dos muitos estudos que foram efetuados em diversos países. Os resultados não são animadores! Foram retirados do mercado inúmeros vegetais e cereais devido a serem prejudiciais ao consumo humano.

Há opiniões diversas: uns dizem que os danos provocados pelos OGM na alimentação são devido ao uso excessivo de herbicidas nas plantações, enquanto que outros defendem que existem danos bem identificados e sem margem de dúvidas.

Seja de uma forma ou de outra, estamos perante um caso Global de Poluição Genética. Qual o risco? Estes OGM são patenteados e tudo não passa de um (gigante) negócio. Uma cultura “normal” pode vir a tornar-se OGM por polinização indesejada e sofrer um pedido de indemnização pelo proprietário da patente. Poderá também, por polinização indesejada de OGM estéreis, ver as suas sementes inviáveis no cultivo seguinte…

Tudo isto parece confuso! Na realidade, o assunto é muito sério e apenas despertei para esta temática devido ao alerta de que estaria a ser usado milho transgénico na produção de cerveja industrial, por esse mundo fora.

De OGM e Transgénicos ainda terei de aprender muito, mas de cerveja já lá vão 16 anos a produzir, sempre com a preocupação da sustentabilidade – devemos retribuir à natureza aquilo que ela nos dá!

Tenho assistido a um desânimo na área da agricultura: Cooperativas vazias, terras abandonadas, desalento…Penso que algo está a mudar e que as pessoas, cada vez mais, estão a precisar de ver a comida a crescer e produzir o seu próprio pão e cerveja.

Nos inúmeros Workshops/Cursos de Produção de Cerveja em Casa que ministrei, enquanto colaborava na Cerveja Sovina, no Porto, assisti a um imenso entusiasmo de quem aprendia os segredos da produção de um bebida milenar, tão fácil de fazer mas que a industrialização mostrou não estar ao alcance de todos. É neste sentido que a Associação para a Protecção do Vale do Coronado organiza um destes workshops, em São Mamede do Coronado, no dia 15 de março. Por um valor muito competitivo – que contribui para uma boa causa –, aprende a produzir a sua cerveja!

Cada vez mais, assistimos à divulgação do faça você mesmo. Hortas em casa, reciclagem de embalagens, mini-produção de cogumelos, etc. A sustentabilidade pode ser divertida e justificar-se pela economia de recursos. É com base nesta filosofia que irá nascer uma unidade produtiva na Trofa…

As pequenas ações contam e tudo o que se faz localmente tem impacto global! O ditado, supostamente de origem africana, diz: “Se pensas que és demasiado pequeno para fazer a diferença, experimenta passar a noite com um mosquito!”. Agora, pense no impacto que apenas uma abelha tem na agricultura…

Pedro Sousa | sócio APVC | empresário-cervejeiro

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