OCine-Teatro de Santo Tirso, implantado no centro da cidade, vai ser resgatado do abandono a que está entregue há cerca de 15 anos. Apesar de não ter conseguido ainda qualquer financiamento, a Câmara garante que vai avançar com a requalificação. O objectivo é ter "uma verdadeira casa da cultura", já que o concelho não dispõe de um auditório municipal, referiu, ao JN, o presidente da autarquia. No entanto, Castro Fernandes defronta-se com uma dificuldade a obtenção de apoios. Este foi, aliás, um dos assuntos ontem expostos pelo autarca durante a reunião com o Executivo de José Sócrates.

Direitos reservadosA obra, orçada em cerca de cinco milhões de euros, deverá estar pronta em inícios de 2009. Isto, "se houver financiamento", ressalva o edil. A intervenção prevista implica a manutenção do traçado exterior do edifício projectado no início da década de 50 do século XX e alterações profundas no já degradado interior, que será demolido a partir do próximo mês.

A antiga sala, de 900 lugares, essencialmente destinada a sessões de cinema, dará lugar a um "versátil" auditório com capacidade para cerca de 300 pessoas e múltiplas possibilidades de organização do palco e plateia. A área envolvente será preenchida com espaços complementares, como um café-concerto ou galerias de exposições, adiantou o autor do projecto arquitectónico, José António Lopes, acrescentando que existe a hipótese de alguns eventos terem prolongamento na zona exterior da estrutura.

Para já, a intenção é fazer arrancar a actividade cultural do cine-teatro "antes de as obras estarem concluídas, à semelhança da Casa da Música", no Porto, revelou Conceição Melo, do gabinete de arquitectura da Câmara. Por isso, estuda-se a melhor forma de aliar a construção do espaço à elaboração do projecto cultural. O modelo de gestão não está ainda definido, mas admite-se que possa ser camarário.

Castro Fernandes quer que o equipamento seja "auto-sustentável" e pretende "rentabilizar o espaço com coisas não iminentemente culturais". Por exemplo, alugá-lo para conferências.

A autarquia candidatou o projecto ao Programa Operacional da Cultura, mas sem sucesso. A esperança é conseguir inscrevê-lo no próximo Quadro Comunitário de Apoio. Ou, então, recorrer a empréstimos.