Uma nova viatura para transporte dos membros da Banda de Música foi inaugurada no passado domingo. Numa cerimónia informal Delbarque Dias, presidente da Associação Musical e Cultural da Trofa, lamentou a falta de entusiasmo por parte dos trofenses, relativamente ao trabalho que desenvolvem.

"Satisfação e orgulho", foram as palavras que iniciaram o discurso de Delbarque Dias, que se congratulou com a compra da nova carrinha para transporte dos membros e com a assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal da Trofa e a Banda de Música.

A passar por dificuldades financeiras, tal como todas as associações portuguesas, a Associação Musical e Cultural da Trofa, nas palavras do seu presidente vive "exclusivamente do amor, do esforço, da vontade e do querer das populações e dos mecenas".

Delbarque Dias lamenta a falta de publico a assistir às actuações da Banda, sobretudo na Trofa. "Nós vemos quando actuamos noutros locais fora da Trofa o entusiasmo das pessoas por ouvir a nossa música, o que não acontece aqui", relembrando que "o número de sócios que tínhamos há 30 ou 40 anos mantém-se", afirmou. banda-musica-trofa.jpg

Com o "esforço da nova direcção", pretendem mudar esta situação e dar a conhecer por todo o concelho o trabalho da Banda de Música, "gostaríamos de actuar e levar a Banda a todas as freguesias do concelho, porque na realidade há pessoas que não conhecem a nossa música", acrescentou.

Delbarque Dias elogiou ainda o trabalho desenvolvido pelo novo maestro, e lembrou o antigo, Senhor Gomes, que "com certeza ficaria satisfeito com o trabalho que tem sido desenvolvido na nossa Banda", concluiu.

 

História da Banda

 

Fundada em 1951, a Banda de música da Trofa, na sua já longa vivência musical, tem sabido e conseguido impôr-se pela carolice de alguns, e pelo seu amor,dedicação e carinho dos demais. Começou com alguns instrumentos, nessa longínqua data, de tipos diversos: cordas, metais, palhetas, couros, couros, ferrinhos e pratos. foi assim que arrancaram com agrupamento musical, que mais se podia equiparar a uma "charanga".

Mas também foi assim que a ideia começou a ganhar corpo e angariar os primeiros fundos para a concretização do sonho. Fez a sua apresentação publica em Março de 1951, por ocasião da Feira Grande da Trofa.

O primeiro Regente foi o professor Aguiar do Asilo do Terço, do Porto. O presidente da Direcção era José Maria Machado, que tudo fez, mesmo à custa de sacrifícios próprios da época para conseguir que a banda singrasse.

Em 1967, houve necessidade de se imprimir à Banda uma nova estrutura, desde a base até á cúpula, dos instrumentos até aos executantes e regência. Novas sinergias, maior dinâmica e outros meios, eram as palavras de ordem.

Os protagonistas desta ideia foram Ademar Correia Couto, Amândio Silva, António Sá Couto Araújo e J. Serra.

A primeira coisa que fizeram foi contratar um "Maestro" de reputada qualidade e de provas sobejamente dadas, e essa foi a escolha foi para o professor António Oliveira Gomes, regente da banda da guarda Nacional Republicana e professor do conservatório de Musica do Porto.

 

Os frutos dessa escolha, depressa apareceram. Em 1971, sagrou-se vencedora em Lisboa, na final do 2º concurso Nacional de Bandas Civis, uma organização da fnat. Em 29 de Julho de 1973, deslocou-se á paróquia de Caritel, em Espanha, para a inauguração da Igreja a Nossa Senhora da Conceição.

 

Em 1976, festejou os seus 25 anos de existência com Bodas de Prata, num programa a que se assocou a banda da Força aérea e foi cunhada uma medalha com enumeração numismática, assinalando o evento.

 

Em 1982, deslocou-se a França, mais precisamente à cidade de " Le Puy", onde arrebatou o primeiro lugar no Concurso de Bandas Internacionais, vindas de Itália, Bélgica e França, num total de 12.

Em 15 de Setembro de 2001, comemorou com a maior pompa as suas Bodas de Ouro, tendo sido agraciada pela Câmara Municipal da Trofa com medalha de ouro do Município. Associaram-se ao evento todas as autoridades Civis, Religiosas, Militares, Associações do Concelho e grande número de Trofenses e amantes da Divina arte dos sons que não deixaram de presenciar um espectáculo único com a presença e o desfile de 16 Bandas de música, que se associaram à efeméride e que terminou com uma mega jantar de confraternização e que ficou assinalado com emissão de uma medalha comemorativa.

No historial da banda, dois nomes ficaram de referencia, o do Professor António Oliveira Gomes Júnior 25 anos na regência da Banda e o do Comendador José Costa Pereira Serra ( J.Serra ) que muito contribuiu de forma generosa no apoio financeiro à Banda.

A partir de Dezembro de 2006, foi convidado a reger a Banda de Música da Trofa o ex- comissário e Regente da P.S.P de Lisboa, o maestro Alberto de Freitas.