Os elementos da comissão Promotora da elevação de Trofa a Concelho juntam-se todos os anos para uma refeição de confraternização para relembrar "o dia inesquecível" e nove anos depois, a tradição mantem-se, apesar da ausência de alguns protagonistas, como Pedro Alves da Costa, presidente da comissão, que por motivos profissionais não pôde marcar presença.

"Uma manifestação em Lisboa nunca antes vista, com um povo ordeiro que desfilou até à Assembleia da República – AR para ir buscar o concelho". Já se passaram nove anos desde que milhares de pessoas se mobilizaram na busca da independência da Trofa, mas a data parece não deixar de ter um lugar especial na memória de todos aqueles que constituiriam a Comissão Promotora do Concelho.

Todos os elementos da comissão juntam-se todos os anos para uma refeição de confraternização para relembrar "o dia inesquecível" e nove anos depois a tradição mantêm-se, apesar da ausência de alguns protagonistas, como Pedro Alves da Costa, presidente da comissão, que por motivos profissionais não pôde marcar presença.comissao-promotora.jpg

Em entrevista ao NT, Aníbal Costa, um dos intervenientes relembrou com grande nostalgia o dia 19 de Novembro de 1998: "foi uma grande organização para irmos buscar o concelho, que começou pela preparação das camionetas. Tínhamos previstas cerca de 50 autocarros, mas a adesão foi tanta que acabamos por sair da Trofa com 130. No início tínhamos a promessa que o processo ia ser discutido na AR, haviam muitas dúvidas se iria ou não ser aprovado. A formação do concelho passava por duas votações, a primeira onde se votava a lei na generalidade, depois a votação específica para o caso da Trofa. Com a manifestação em Lisboa parte da comissão foi para dentro da AR para acompanhar o debate, onde assistiu à votação e viu a Trofa ser elevada a concelho".

Para Aníbal Costa esta data marcou "uma luta que durou cerca de 12 anos". Uma luta que "valeu a pena", já que a independência era desejo de todos os trofenses.

"Quase uma década depois voltaria a fazer o mesmo porque estas lutas pela independência são sempre renovadas e eu na altura a convicção que traria melhores condições para a Trofa. Penso que a cidade ganhou muito com isso", sublinhou.

Apesar de considerar que a Trofa "melhorou" com "as infraestruturas de saneamento", Aníbal Costa não deixou de frisar o problema que ainda precisa de ser solucionado e que se prende com a "falta de peso político e que se reflectiu no PIDDAC deste ano". Na sua opinião os governos têm tido uma "política errada ao apoiar mais os concelhos antigos do os mais recentes".

Quanto a necessidades Aníbal Costa reforçou a falta de uma zona industrial e de acessibilidades, cujas ausências estão a fazer da Trofa "uma cidade atrofiada, sem variantes que permitam alternativas à passagem pelo Catulo", referiu.

Também José Gregório Torres renovou a opinião de que era necessário a criação do concelho, a qual "permitiu a entrada de capital muito superior à que tínhamos quando ainda fazíamos parte de Santo Tirso".

Especialmente preocupado com a cultura, Gregório Torres admitiu que "a nível estrutural ainda existem poucas edificações. Por exemplo carecemos de palcos e é uma das tais coisas que é relativamente simples de concretizar e não significa muito orçamentalmente. Na questão da cultura, trata-se mais de ter imaginação, e com pouco dinheiro às vezes fazem-se coisas muito grandes e bonitas".

José Maria Moreira da Silva, também um dos elementos da Comissão Promotora, criticou a falta de dinamismo no concelho ao longo dos nove anos, afirmando que "nada se alterou e tudo está e continua a estar por fazer" e questionando opiniões "escamoteadoras" que confirmam "grandes avanços no desenvolvimento económico, no ambiente, na segurança e no ordenamento e que as acessibilidades são já uma realidade. A que concelho se referem? À Trofa, de certeza que não é", concluiu.