gnrCinco amigos vinham de uma discoteca quando, em Gavião (Famalicão), ontem, sexta-feira ao início da manhã, perderam o controlo do carro e caíram numa vala com dois metros de profundidade.
Todos ficaram presos. Um morreu no local e três ficaram gravemente feridos.

Flávio e os quatro amigos eram clientes assíduos do “Club Satélite”, que funciona desde 1984 em S. Cosme do Vale (Famalicão). Por isso, aquele foi o destino natural para o réveillon.

Os seus pais e quatro irmãos só souberam da tragédia já a meio da tarde, pois a PSP teve dificuldades em identificar Flávio, que não levava bilhete de identidade.

Foi um choque. “Não acreditava até ver o meu menino! Ai o nosso filho!”, gritavam os pais, pouco depois de identificar o corpo.

Álvaro Velho estava a dormir quando, pouco depois das 6 horas de ontem, sexta-feira, acordou sobressaltado com um estrondo. Habituado a assistir a acidentes junto ao seu restaurante, “Sobreiro Grosso”, situado à face da EN14, em Sobreiro, freguesia de Gavião, concelho de Famalicão, correu para a janela para ver o que se passava. “Deixamos sempre uma persiana ligeiramente aberta para ver se é preciso prestar alguma ajuda”, explica. Estava escuro e o comerciante não viu nada. Por isso, voltou para a cama.

Por volta das sete horas, voltou a saltar da cama. Desta feita, era o vigilante da fábrica de móveis Moniz que lhe tocava à campainha, aflito. “Estava a fazer a ronda quando deu com um carro, espetado numa vala com dois metros de profundidade e de largura, à face da estrada. Ainda tentou pedir ajuda aos carros que passavam mas ninguém parou”, conta.

Álvaro Velho saiu a correr de casa, mesmo em pijama e camisola de manga curta, apesar de chover muito na altura. “Quando lá cheguei, vi um carro metido num buraco, todo esmagado, com pessoas aos gritos. Perguntei-lhes de onde eram, disseram que de Ribeirão (Famalicão). O condutor só dizia para o que estava ao lado: ‘Acorda, fala comigo!'”, prossegue.

Já eram 7.30 horas quando os Bombeiros Famalicenses e os Voluntários de Famalicão receberam o alerta. Foram logo para o local, ao todo com 34 homens e 10 viaturas. Mas a situação não era fácil.

“Tentamos abrir as portas mas não conseguimos”, conta Álvaro Velho. Segundo o comandante dos Famalicenses, Francisco Mesquita, os cinco ocupantes do veículo (duas raparigas e três rapazes, entre os 16 e os 19 anos), tiveram de ser desencarcerados, numa operação que demorou 1.40 horas. “Tivemos de cortar os pilares, tirar o capô e retirar os assentos, porque eles estavam presos pelas pernas”, explica, ao JN.

O primeiro a ser retirado do veículo foi o jovem que estava ao lado do condutor, Flávio Teixeira, de 18 anos e residente na Trofa. “Não tinha feridas nem sangue”, descreve Álvaro Velho. “O INEM e um médico dos Bombeiros de Famalicão ainda fizeram várias manobras cardio-respiratórias mas o rapaz acabou por falecer no local”, revela, por sua vez, o comandante Francisco Mesquita.

Rapariga internada em coma

Os cinco amigos vinham da discoteca Club Satélite, em Famalicão, rumo a casa, quando o carro onde seguiam (um Ford Focus) se despistou depois de uma curva. Acabou por bater no muro da fábrica Moniz e caiu, de traseira, na referida vala.

“A traseira ficou encostada ao motor. Os cinco ocupantes ficaram presos, todos de pé”, descreve um bombeiro. Três dos quais (Cris, de 17 anos; Joana, de 16 anos; e Ricardo, de 19 anos) sofreram ferimentos muito graves. Cris, de origem ucraniana, é a que se encontra em estado mais grave. Está em coma no Hospital de Braga. O condutor, Ricardo, de 19 anos, sofreu ferimentos ligeiros. Esteve no local do acidente depois de ter sido assistido no Hospital de Famalicão. “Estava muito nervoso”, refere Álvaro Velho.

 

Fonte: Jornal de Notícias