Este poderia ser, com toda a certeza, o título de um livro infantil, que contava as aventuras da menina Michelle na sua horta.

Poderia ser, não o é, mas poderá vir a ser, se as mentalidades mudarem.

Michelle Obama, a primeira-dama norte americana decidiu criar uma horta biológica e cultivar aí alguns produtos para consumo da Casa Branca e para oferecer aos convidados.

teresa-fernandesO objectivo de Michelle Obama, com esta iniciativa que percorreu mundo e espantou muita gente, é chamar a atenção para a necessidade de se educar para uma alimentação saudável.

Demonstra, este gesto, um extraordinário bom senso e a certeza de que poderá mudar mentalidades e servir de exemplo para pais, educadores e responsáveis locais.

Para tal, Michelle abdicou de uma área do seu jardim e com a ajuda das filhas e de 26 crianças de uma escola de Washington, preparou a terra, plantou e semeou brócolos, alfaces, ervilhas, cebolas, espinafres, morangos, ervas aromáticas e muitos outros legumes e frutas.

A manutenção da horta ficará a cargo da família Obama, todos estarão envolvidos e Obama certamente irá regar as suas alfaces!

Mas a horta da família Obama não é a primeira na Casa Branca. O presidente John Adams, cultivou uma horta em 1800 e Woodrow Wilson em 1918, colocou ovelhas a pastar no jardim e mais recentemente Roosevelt, plantou uma horta para fomentar as famílias norte americanas a cultivar os seus produtos durante a Segunda Grande Guerra.

Embora Michelle pretenda com a sua horta alertar para a necessidade de uma alimentação mais saudável, a verdade e que as vantagens não se esgotam aqui.

Para além de providenciarmos com os produtos da horta, uma boa parte das necessidades de legumes e frutas para a nossa alimentação, sabemos que o comemos tem qualidade e estará livre de herbicidas e pesticidas.

Contribui para um ambiente mais saudável, é barato (o que em tempos de crise é um factor a ter em conta) e é muito pedagógico para as crianças.

Esta é para mim, uma das principais vantagens de se ter uma horta ecológica, dado que a maioria das crianças (e muitos adultos) que vivem nas nossas cidades nunca viram uma cenoura na terra, não sabem de onde vêm as ervilhas e muito menos tiveram em contacto com a terra.

Existem inúmeros projectos desenvolvidos por associações ambientais e mesmo por autarquias que demonstram que os contributos sociais e familiares destas iniciativas são extremamente proveitosos, como a união familiar, o trabalho conjunto entre pai, mãe e filhos, a junção entre famílias pela necessidade do trabalho conjunto e solidário como a troca de conselhos, de sementes, de auxilio e partilha de produtos.

Este trabalho conjunto além de servir como uma terapia e diminuir o stress do dia a dia, aumenta a auto estima, porque em pouco tempo vemos nascer o produto do nosso trabalho.

E é com orgulho que comemos o que produzimos.

Eu não tenho horta, infelizmente, porque vivo num apartamento, mas os meus pais cultivam uma horta e dessa horta saem alfaces, feijão verde, alho francês, couves, abóbora, tomate, pepino, frutas e inúmeras flores.

Aliás como grande parte das famílias das zonas rurais ou semi urbanas, mas este fenómeno está a ser também adoptado, nas grandes cidades e existem já várias autarquias que desenvolveram hortas urbanas comunitárias.

Se não tem hipótese de ter a sua horta, cultive ao menos num vaso a sua salsa e os seus coentros.

Espero sinceramente que muitas famílias sigam o exemplo da família Obama, dentro das possibilidades de cada um, e que as autarquias apostem nestes projectos de uma forma inequívoca, para melhorarem as paisagens, o ambiente e a qualidade de vida urbana.

A horta da Michelle terá certamente muitos seguidores, só espero que o Bo (o cão de agua Português da família Obama) não destrua a horta!

 

 

 

Teresa Fernandes