A decisão recente do Partido Socialista de não autorizar que candidatos às presidências das Câmaras Municipais possam ser, em simultâneo, candidatos à Assembleia da República é uma decisão que colhe muitos apoios.

      Parece que, com esta decisão, o PS pode aumentar a quantidade de pessoas empenhadas nas campanhas porque é maior a quantidade de candidaturas aos diversos órgãos.

      É também uma medida que colhe apoios. As pessoas têm entendido que a dupla candidatura é uma forma de garantir um lugar político a certas pessoas e, por outro lado, enganar os eleitores com candidatos que, verdadeiramente, não o são.

      Independentemente das simpatias que colhe junto dos eleitores, o meu entendimento é que isto significa a alteração das regras do jogo depois de este ter começado.

      Admito que haja candidatos às Câmaras Municipais que talvez o não fossem se tivessem sabido que, depois de apresentarem as suas candidaturas às Câmaras Municipais respectivas, ficariam impedidos de integrar as listas ao parlamento.

      Considero, por isso, que esta decisão é extemporânea e inoportuna. Irá, muito provavelmente, provocar alguma revolta interior a alguns dos candidatos e provocar-lhes, possivelmente, algumas quebras nas suas forças anímicas.

      O facto de o PSD já ter tomado esta decisão não justifica que o PS siga o mesmo caminho depois de o jogo ter começado. Esta decisão podia ser tomada com efeitos a partir do próximo mandato, por exemplo. Talvez fosse bem aceite e os candidatos passariam a conhecer as regras antes de se candidatarem aos lugares.

      Esta decisão pode até ser prejudicial para certos candidatos cujo maior trunfo eleitoral era o seu estatuto de deputado ou de candidato a tal estatuto. E isso rendia votos em muitas situações.

      Passámos, em pouco tempo dum extremo a outro. Há não muito tempo alguns Presidentes de Câmaras eram eleitos deputados e mantinham os seus mandatos suspensos por tempos inaceitáveis e ocupavam os seus lugares na Assembleia da República quando muito bem entendiam.

      Andavam no fora e dentro em função das suas conveniências, por vezes pessoais.

      Tomemos um exemplo de efeitos perversos provocados por esta decisão, embora não abrangida:

     A Dra. Elisa Ferreira é uma técnica qualificada cuja capacidade é reconhecida por todos de todos os quadrantes. O Partido não está a conseguir explicar à opinião pública porque é  que, sendo deputada eleita ao Parlamento Europeu, e já não candidata, pode ser candidata à Câmara Municipal do Porto.

     A candidata não consegue fazer a sua campanha política porque está demasiado ocupada a explicar-se e a tentar captar o apoio da estrutura local do partido.

     Quando partir para a campanha, possivelmente sem convencer a concelhia do Porto do partido, já o Dr. Rui Rio terá um avanço que poderá  ser definitivo e, assim, o PS, com uma das melhores candidaturas que podia apresentar, poderá sofrer uma derrota de grande impacto político para o partido e para a própria candidata que, não sei se voltaria atrás se soubesse o que viria a ser decidido.

     As alterações devem ser mais ponderadas sob pena de criarem maiores prejuízos do que os benefícios que se pretendem obter. 
 
 
 

     Afonso Paixão