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O canalizador, o eletricista e o personal trainer que aceitam cartão estão a ganhar aos que não aceitam – PUB
Cada vez mais portugueses pagam com cartão. Sem um TPA, canalizadores, eletricistas e personal trainers arriscam-se a perder clientes que preferem pagar sem dinheiro, mesmo fora de uma loja física.
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Há uma nova forma de perder clientes em Portugal que em nada tem que ver com o preço do serviço.
Um canalizador que resolve uma fuga em vinte minutos, um eletricista que troca um quadro elétrico ao fim do dia ou um personal trainer que treina em casa do cliente pode fazer um trabalho excecional e, ainda assim, ouvir algo como “só tenho MB WAY” ou “não tenho dinheiro em casa” no momento de cobrar.
Quem já adotou um terminal de pagamento automático (TPA), seja em formato físico ou através de uma aplicação no telemóvel, resolve este problema em segundos. Quem continua a trabalhar apenas com dinheiro está, sem se aperceber, a perder clientes para a concorrência.
Como os hábitos de pagamento dos portugueses estão a penalizar quem só aceita numerário
Os dados mais recentes do Banco de Portugal (BdP), divulgados no semanário Expresso, revelam uma tendência que já não é novidade, mas que continua a acelerar: os portugueses pagam cada vez menos em numerário.
Em 2025, o sistema de pagamentos de retalho processou 5,2 mil milhões de operações, num total de 875,9 mil milhões de euros, sendo que os cartões continuam a ser o meio de pagamento mais utilizado pelos portugueses.
Os pagamentos por contactless já correspondem a mais de metade das compras realizadas com cartão (57,9%) e as transferências imediatas, como o MB WAY, cresceram mais de 1624% em número de operações num único ano.
Para um prestador de serviços, este cenário significa que uma fatia cada vez maior dos seus clientes chega ao momento de pagar sem uma nota na carteira, quer porque não a tem, quer porque já nem pensa em levantar dinheiro para esse fim.
Que soluções de pagamento existem para quem presta serviços fora de uma loja física?
Para quem trabalha fora de uma loja, já não é preciso um balcão para aceitar cartão:
- Aplicação móvel: instala-se num smartphone Android e transforma-o num ponto de venda, aceitando pagamentos por contactless ou MB WAY (QR Code, número de telemóvel ou NFC), sem necessidade de qualquer equipamento adicional;
- Pagamento por link: ideal para trabalhos combinados à distância, como uma visita orçamentada ou um plano de treino mensal. Envia-se por e-mail, SMS ou WhatsApp, sem necessidade de site ou instalação.
Estas soluções constam de um leque de TPA concebidos para quem não tem uma loja física, mas precisa de cobrar como se tivesse.
O que perde um prestador de serviços ao domicílio que não tem forma de aceitar cartão
Um cliente que só descobre, no fim do serviço, que o profissional não aceita cartão raramente reclama: simplesmente não volta a marcar.
Na prática, quem não aceita cartão arrisca-se a perder:
- A venda imediata, quando o cliente promete “ir ao Multibanco e pagar depois” e a promessa fica por cumprir;
- O próprio cliente, que procura outro canalizador, eletricista ou personal trainer na pesquisa seguinte;
- A organização do negócio, por falta de um registo automático dos recebimentos, o que complica o acompanhamento do fluxo de caixa;
- A emissão correta da fatura correspondente a cada pagamento;
- A imagem de profissionalismo, exatamente aquilo de que um trabalhador independente mais necessita para se destacar da concorrência.
Como a forma de cobrar passou a influenciar a escolha e a recomendação de um profissional
Quem contrata um canalizador, um eletricista ou um personal trainer fá-lo quase sempre por recomendação de um amigo, de um grupo de WhatsApp do prédio ou de uma pesquisa rápida antes de decidir. Neste contexto, a experiência de pagamento entrou silenciosamente na lista de critérios que pesam nessa recomendação.
Um cliente mais jovem, habituado a resolver tudo pelo telemóvel, tende a estranhar (e a comentar) quando um profissional só aceita dinheiro. Pelo contrário, quem cobra com cartão de forma rápida e sem complicações transmite uma imagem mais organizada e mais próxima do que se espera de um negócio profissional, mesmo quando esse negócio é uma só pessoa com uma carrinha e uma caixa de ferramentas.
No boca a boca atual, a forma de cobrar já pesa tanto quanto a qualidade do trabalho.
Que custos e requisitos existem para começar a aceitar pagamentos sem terminal físico
Ao contrário do que muitos prestadores de serviços imaginam, começar a aceitar cartão fora de uma loja física não implica grandes investimentos ou contratos complexos.
Há soluções móveis que se ativam em poucos minutos, não têm mensalidade e cobram apenas sobre o valor efetivamente recebido, sendo apenas necessário um smartphone com sistema operativo Android 9 ou superior, uma antena NFC e ligação à Internet móvel ou Wi-Fi.
Para quem prefere enviar um pedido de pagamento antes ou depois do serviço, a solução de pagamentos por link também dispensa custos de adesão, cobra apenas sobre as transações concluídas e deposita o valor na conta em dois dias úteis, sem necessidade de um site ou de qualquer investimento técnico.
Na prática, o principal requisito é o telemóvel que já está no bolso do canalizador, do eletricista ou do personal trainer todos os dias.
Cobrar bem também faz parte de um trabalho bem feito
O numerário não vai desaparecer de um dia para o outro, mas já deixou de ser suficiente para acompanhar o ritmo a que os portugueses pagam.
Para quem presta serviços fora de uma loja, ter um TPA deixou de ser um luxo reservado aos grandes negócios e passou a ser uma vantagem competitiva simples, acessível e ao alcance de qualquer profissional independente.


