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Crónicas e opinião

A regionalização não pode esperar mais

Amadeu Dias

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Estimados leitores, a regionalização voltou ao centro do debate. Depois de anos em que os governos do Partido Socialista, liderados por António Costa, avançaram com a descentralização de competências, ficou evidente que esse processo, embora importante, não resolve o problema estrutural do país. Portugal continua a ser um dos Estados mais centralizados da Europa, com decisões estratégicas tomadas longe dos territórios que delas dependem, e não é por acaso que a esmagadora maioria dos centros de decisão se encontram na capital, em Lisboa.

É por isso que a regionalização não pode continuar a ser adiada. E é também por isso que me coloco ao lado do presidente da Federação Distrital do Porto do PS, Nuno Araújo, que tem sido uma das vozes mais firmes, nos últimos tempos, nesta matéria. A sua mensagem é clara: o Norte, e o país, precisam de regiões administrativas fortes, com legitimidade democrática e capacidade de decisão. A regionalização é uma urgência nacional.

O atual governo da AD, liderado por Luís Montenegro, já afirmou que este tema não é prioritário. É um erro estratégico que penaliza o desenvolvimento equilibrado do país e ignora o potencial extraordinário do distrito do Porto. Não se trata de uma bandeira partidária, trata-se de justiça territorial, de eficiência na gestão pública e de visão para o futuro.

A verdade é que o Norte tem provas dadas. O Porto de Leixões é um dos maiores motores económicos do país, responsável por milhares de empregos e por uma fatia significativa das exportações nacionais. Mas continua a depender de decisões centralizadas que atrasam investimentos essenciais, como a expansão da capacidade logística, a modernização das infraestruturas e a melhoria das acessibilidades terrestres. Uma região administrativa teria condições para planear, decidir e executar com rapidez e conhecimento do território, potenciando ainda mais o papel do Porto de Leixões na economia nacional.

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O mesmo se aplica ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, repetidamente distinguido como um dos melhores da Europa. É uma infraestrutura crítica para o turismo, para as exportações e para a competitividade empresarial. No entanto, continua sem uma estratégia verdadeiramente regional, dependente de prioridades definidas em Lisboa e frequentemente desajustadas das necessidades do Norte. Investir na ampliação da capacidade aeroportuária, na melhoria das ligações ferroviárias e na atração de novas rotas internacionais exige visão regional, não decisões distantes.

O Norte é uma região vibrante, produtiva e resiliente. Lidera exportações, concentra indústria transformadora, acolhe Universidades de excelência e tem um setor turístico em expansão. Mas continua a ser gerido à distância, com prioridades definidas por quem nem sempre conhece o território. Não pedimos privilégios; pedimos autonomia, responsabilidade e capacidade de decidir sobre o que é nosso.

A descentralização iniciada pelos governos do PS foi um passo importante, mas ainda assim insuficiente. Transferir competências sem transferir poder político efetivo, meios financeiros adequados e capacidade de decisão estratégica é apenas mudar a forma sem mudar o fundo. A regionalização é o passo lógico seguinte, e é por isso que a Federação Distrital do Porto do PS tem assumido esta causa com determinação.

Regionalizar não divide o país; equilibra-o. Não cria desigualdades; corrige-as. Não complica; aproxima. Os países mais desenvolvidos da Europa têm modelos regionais fortes, que permitem respostas mais rápidas, políticas públicas mais eficazes e maior participação democrática.

A hora é agora. O Norte tem voz, tem força e precisa de uma liderança. E, com o Nuno Araújo à frente da Federação Distrital do Porto do PS, essa voz tem sido clara: a regionalização é indispensável para o futuro do país. Eu estou desse lado. E acredito que a maioria estará, desde que o debate seja feito com verdade, coragem e visão. E sei que do mesmo lado estão vozes de todos os partidos que sabem que o país precisa da regionalização.

Estimados leitores, regionalizar é desenvolver. É aproximar. É dar ao Porto, ao Norte e a Portugal a capacidade de decidir o seu próprio caminho. E isso não pode esperar mais.

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