Trofa
Obras à velocidade da propaganda
“Na Trofa de Sérgio Humberto, as obras parecem andar à velocidade da propaganda. Um pouco como os apoios sociais de António Costa, com quem o autarca trofense está cada vez mais parecido.”

No dia em que escrevo estas palavras, contam-se pelo menos dois meses desde que a CM da Trofa mandou vedar uma pedra partida no piso exterior da Igreja Matriz.
Dois meses para mudar uma pedra, rodeada por quatro grades, é obra.

Este caso remeteu-me para outros dois, relativamente recentes, ainda que de natureza diferente.
Um deles é o dos trampolins na Alameda da Estação, que estiveram interditos vários meses, a aguardar arranjo.
O outro é caso do Parque das Azenhas, que após as cheias do início do ano, esteve também vários meses interdito ao público.
Estes três casos contrastam com a rapidez a que avançaram as obras dos Paços do Concelho, nas semanas que antecederam a sua inauguração. O empenho foi tal que os trabalhos se prolongavam durante o fim-de-semana.
E note o caro leitor que não vejo qualquer tipo de problema neste empenho. Afinal, Sérgio Humberto tinha que garantir que estava tudo a postos para ir de encontro à disponibilidade de agenda do Presidente da República. Sim, Marcelo Rebelo de Sousa. O tal que Sérgio Humberto garantia que nunca viria à Trofa com um convite seu. E caso não esteja recordado, ou não tenha tido conhecimento, as palavras que o autarca dedicou a Marcelo, na Assembleia Municipal de Fevereiro de 2020, foram estas:
“Não precisamos que ele venha. Se vier claro que temos que o respeitar porque é presidente da República. Mas não é com um convite, pá, da câmara municipal. E é do meu partido. Mas sobretudo sou trofense. E doo-me. Porque é inadmissível, porque não o convidamos para coisas insignificantes. Pá, eu até não sei como é que ele não foi à China visitar já o coronavírus. Se calhar tinha dado jeito, ele ter ido à China.”
Passou-lhe rápido, o “Mas sobretudo sou trofense. E doo-me.”.
Adiante.
É curioso, este empenho para receber um presidente a quem se desejam tais coisas, enquanto certas obras e até pequenos arranjos demoram eternidades para ser executados.
Vejam-se, por exemplo, as imediações dos Paços do Concelho. Meio ano após a inauguração do edifício, toda aquela zona parece ainda um grande estaleiro, a anunciada praça continua em construção e as ruas Afonso Albuquerque e Dom João VI continuam parcialmente fechadas.
Porquê?
Porque é que estas obras se arrastam durante meses e já não há máquinas no terreno ao Sábado à tarde?
Porque é que se tirou o pé do acelerador?
Os residentes daquela zona não merecem ver-se livres do transtorno das obras que condicionam o seu dia-a-dia? Serão menos importantes que o presidente que o nosso presidente não queria cá por ser trofense e por se doer?
Pior: será que o bem-estar dos moradores daquela zona é menos importante que as condições de trabalho de Sérgio Humberto e dos militantes do PSD com que “colonizou” a administração pública local?
Não sabemos. Mas sabemos uma coisa: o empenho que o autarca trofense colocou na finalização dos Paços do Concelho é incomparável ao deixa andar da restante obra e dos outros casos que referi acima.
Talvez porque as restantes, ao contrário dos Paços, não lhe permitam fazer um comício com impacto mediático nacional.
Aliás, já assim tinha sido com a inauguração da Alameda da Estação, que Sérgio Humberto transformou num grande comício seu, financiado pelos nossos impostos. Quem se lembra da obra recordar-se-á dos trabalhos que igualmente se prolongavam durante o fim-de-semana.
Na Trofa de Sérgio Humberto, as obras parecem andar à velocidade da propaganda. Um pouco como os apoios sociais de António Costa, com quem o autarca trofense está cada vez mais parecido.


