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Edição 600

Trofense sugere bloquear linhas do Metro no Porto como protesto

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Foi uma das intervenções mais marcantes da Assembleia Municipal e não teve a assinatura de nenhum político eleito naquele órgão. Antes, foi uma posição assumida por um trofense, durante o período de intervenção do público, já a sessão corria pela madrugada.

Paulo Martins subiu ao púlpito e surpreendeu pelo discurso em defesa da construção da linha do metro até à Trofa, deixando uma sugestão arrojada: “Há 18 anos, levamos cerca de dez mil trofenses a Lisboa buscar o concelho. Penso que não serão precisos tantos para, de forma ordeira e pacífica, bloquear as principais linhas do Metro no centro do Porto. Chamem-me radical, louco, mas não desisto de lutar pela nossa Trofa e por aquilo que nos foi prometido há anos”.
Não deixando de assinalar a falta de resultados apesar de “executivo após executivo camarário, dizerem que estão em conversações com a tutela”, o jovem da Trofa, enfermeiro de profissão, deixou, assim, o desafio à “presidente da Assembleia Municipal, executivo e vereação, deputados e respetivos elementos partidários” para que “se mude a forma de luta” e que “se deixe a camisola dos partidos em casa para usar uma só, a da Trofa”. “Formemos uma comissão organizadora com elementos de todos os partidos e cidadãos anónimos. Eu próprio estou pronto para trabalhar nesta iniciativa, mas para isso é necessário que haja vontade de todos”, referiu ainda Paulo Martins, que defendeu ainda que a luta não pode ser apenas da população da freguesia do Muro, porque “o projeto do Metro é até ao centro da cidade da Trofa”. O trofense pediu ao presidente da Câmara, Sérgio Humberto, que se pronunciasse “sobre uma iniciativa deste género”, mas o autarca foi evasivo na resposta: “Não posso responder, posso ter vontade, mas não posso fazê-lo enquanto presidente de Câmara”. Sobre o pedido concreto do trofense, Sérgio Humberto afirmou que a autarquia tem de “ponderar com a população um conjunto de iniciativas para demonstrar a insatisfação e a injustiça” de a obra não se concretizar.

Variante “é muito mais exequível que o metro”

Mas antes, o tema já tinha estado em debate, quando introduzido por Alberto Fonseca, elemento eleito pelo PSD, para criticar a postura do Partido Socialista no Governo nos assuntos que têm que ver com a Trofa. “Foi com perplexidade que ficamos a saber pelo ministro do Ambiente que a construção da linha até à Trofa estava em paridade de circunstâncias com as obras de segunda e terceira fase do projeto e que mais, recentemente, tenha declarado a sentença de morte do metro até ao concelho da Trofa”, afirmou o social-democrata.
Na sequência desta intervenção, Sérgio Humberto afirmou que “com este ministro podem ter a certeza que não há metro até à Trofa” e que a construção da variante à Estrada Nacional 14 “é muito mais exequível” que a linha do metro.
E no que respeita à variante, outra “arma de arremesso” atirada por Alberto Fonseca para acusar o Governo do PS de inoperância, Sérgio Humberto afiançou que “está tudo pronto, falta a empresa Infraestruturas de Portugal querer avançar com a primeira fase, que liga o nó do Jumbo até à estação da Trofa, na ordem dos 26 milhões de euros”. “As máquinas já deviam estar no terreno. Se não avançarem, só pode ser por perseguição”, acrescentou.

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