Edição 521
Trofa pós-industrial

Tal como em muitas cidades, novos pólos de desenvolvimento são criados e por norma as populações não reagem negativamente. Embora ainda exista alguma nostalgia, a opção pela construção de uma nova estação não sofreu oposição dos trofenses. Mas o resultado é antagónico: de um lado temos uma estação do séc. XXI, no meio um modelo urbano do séc. XIX e na outra ponta um parque também do séc. XXI. Pode ser antagónico mas com certeza que não é incompatível. Numa sociedade saudável, o novo deve estar em harmonia com o antigo. Aqui surge a sensibilidade (ou a falta dela) dos poderes centrais e locais e a incompreensível falta de articulação. A Trofa deveria ter assegurado intransigentemente a requalificação do espaço perante uma empresa profundamente estúpida como a REFER. Qualquer pessoa que tenha uma noção de urbanismo sabe que o espaço é fulcral para a vida da cidade. Mas se a REFER não encontra ninguém nos seus quadros capaz de ter esse discernimento, a Trofa têm massa critica e gente com formação na área.
Depois temos a antiga fábrica Abílio Lima. Edifício multifunções como na reportagem lemos, esta antiga unidade fabril pode ter uma nova vida voltada para a cidade. Exemplos não faltam: Fábrica Asa em Guimarães, Centro Cultural e de Congressos de Aveiro ou o Fórum Cultural de Ermesinde.
Importante também é não deixar que o espaço se torne numa metáfora da própria cidade.
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)



