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Edição 767

Procissão do Corpo de Deus liga S. Martinho a Santiago

A procissão do Corpo de Deus das paróquias de Santiago e S. Martinho de Bougado será realizada no dia 16 de junho.

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A procissão do Corpo de Deus das paróquias de Santiago e S. Martinho de Bougado será realizada no dia 16 de junho.
Assim, o início da procissão está marcado para as 18h30, com saída da Capela de Nossa Senhora das Dores, atravessando a Estrada Nacional (EN) 14, seguindo depois em direção à EN 104, que liga a Trofa a Vila do Conde.
De acordo com o pároco de Santiago de Bougado, “às 14h00, tem início a realização dos tapetes de flores ao longo da EN 104, como já era costume, desde a Igreja Matriz até ao limite com S. Martinho”. “Estão a ser constituídos grupos para a execução do tapete de flores, que estão distribuídos da seguinte forma: do largo da Igreja até a antiga Farmácia Barreto: Aldeia da Lagoa / da antiga Farmácia Barreto até bombas de gasolina da Retificadora: Aldeias de Cima Aldeias de Cima (Trofa-Velha, Lantemil e Cedões) / das Bombas até Drogaria Gonçalves e Moreira: Bairros e Maganha / da Drogaria até ao limite com São Martinho: Aldeia de Cidai”, acrescentou.
O pároco pede “àquelas pessoas que coordenaram este ano a elaboração das cruzes da Semana Santa que coordenem com as pessoas das suas aldeias a elaboração dos tapetes”.
“Devem falar com os moradores por onde vai passar a procissão para que prestem ajuda. Pede-se também que os moradores junto da estrada, dentro do possível, coloquem colchas nas janelas ou varandas para saudar o Santíssimo Sacramento. Apela-se assim à participação de todos os movimentos e confrarias nesta grande procissão e que cada lugar ou zona se prepare verdadeiramente para a realização dos tapetes porque esta é uma maneira de mostrar o nosso apreço pelo SS. Sacramento”.
Já o pároco de S. Martinho de Bougado, Luciano Lagoa, apelou aos fiéis da paróquia, através de mensagem publicada no boletim paroquial, para que ajudem com flores para que seja possível fazer o tapete para a procissão do Corpo de Deus.
O Dia Santo do Corpo de Deus tem início na Capela de Nossa Senhora das Dores, entre as 09h30 e as 12h00, com a Adoração ao Santíssimo Sacramento, e às 17h00 é dada a entrada da Banda de Música de Moreira, no Parque Nossa Senhora das Dores, onde às 17h30 decorre a missa solene, com a presença de Dom Pio Alves, bispo auxiliar do Porto.

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Edição 767

Memórias e Histórias da Trofa: O embrião da industrialização

A Trofa, ao longo da sua história, sobretudo na época contemporânea, foi recebendo nas freguesias do seu futuro concelho várias indústrias, algumas delas o tempo foi apagando a sua memória, existindo muitas que estão, praticamente, longe do conhecimento da maioria dos populares. O tempo, por vezes, é ingrato na história.

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A Trofa, ao longo da sua história, sobretudo na época contemporânea, foi recebendo nas freguesias do seu futuro concelho várias indústrias, algumas delas o tempo foi apagando a sua memória, existindo muitas que estão, praticamente, longe do conhecimento da maioria dos populares. O tempo, por vezes, é ingrato na história.Apesar…

 

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Escrita com Norte: Ter tempo

Eu e os outros, que ontem tinham 16, 17, 18 anos, hoje passaram os 40 e dou por mim a ser o meu pai de há 30, 40 anos, dizendo, “Hoje encontrei aquele rapaz da minha idade…” e na discussão de muito temas, argumento, “No meu tempo…”.
Velho? Talvez…mas não! Apenas tenho Tempo.

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Lembro-me perfeitamente de, em criança, de entre várias coisas, ouvir o meu pai dizer, “Aquele rapaz meu amigo…”, geralmente, “rapazes” da idade dele, ou, “No meu tempo…”.
Sempre que ele nos falava (a mim e ao meu irmão) e aplicava estas frases, as mesmas eram acompanhadas de uma expressão de estranheza nas nossas caras por não compreendermos que, na idade dele, se referisse aos da mesma geração como “rapazes”! Em contraponto, e desta vez de forma correcta, com a expressão “No meu tempo…”, colocava-se no devido lugar de “gente velha”.
Na adolescência, a expressão de estranheza começou a ser acompanhada por outra, a de incompreensão. Se em crianças os nossos pais são super-heróis, na adolescência passam a incompreendidos e nós, adolescentes, tomamos o lugar de “Maiores”. Como qualquer adolescente normal, eu era (achava-me) o “Maior”. E tenho quase a certeza que o Quim (nome fictício do tótó da minha turma), no seu íntimo, também se achava o “Maior”, sonhando à noite, enrolado à almofada, com a Jennifer Lopez.
Os píncaros da “velhice” e “antiguidade” (e minha vergonha) eram as demonstrações de afecto. Se em privado eram toleradas, já em público os beijos e abraços da minha mãe superavam em humilhação a dos funcionários de um banco chinês açoitados em público por não terem atingido os objectivos. Eu passei sempre de ano… porquê tanto afecto humilhante em público?!
Neste tempo, o Tempo não passa ou passa devagar, e, nos momentos de angústia (os “Maiores” também os têm), chegava a andar para trás, por isso o vislumbre de chegar a “velho” e dizer, “Aquele rapaz meu amigo…” ou, “No meu tempo…”, era algo muito distante e arrastado como a evolução do Ser Humano… ou seja, algo que nunca iria acontecer.
O Ser Humano não evoluiu, mas o Tempo passou e tenho a sensação que o tempo em que pensava que ele não passava foi ontem!
Eu e os outros, que ontem tinham 16, 17, 18 anos, hoje passaram os 40 e dou por mim a ser o meu pai de há 30, 40 anos, dizendo, “Hoje encontrei aquele rapaz da minha idade…” e na discussão de muito temas, argumento, “No meu tempo…”.
Velho? Talvez…mas não! Apenas tenho Tempo.
Tenho Tempo pela frente e Tempo suficiente vivido, que me faz sorrir com as demonstrações públicas de afecto da minha mãe e me faz olhar, outra vez, para o meu pai com a capa do Super-Homem, apoiado na sua bengala.
Quanto a mim, de “Maior” de ontem, passei a “Realista” de hoje, com noção das minhas limitações e das coisas que não sei, incomodando-me unicamente no passar do Tempo o crescimento desordenado de alguns pelos das sobrancelhas, que me obrigam a arrancá-los.
E tenho quase a certeza que o Quim, quando as luzes do seu quarto se apagam, continua a agarrar-se às almofadas, imaginando-as como sendo a Jennifer Lopez e a Monica Bellucci, nunca dizendo, “No meu tempo…” mas, “Sempre fui o Maior!”.

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