O ano 2020 começou com o anúncio por parte da Organização Mundial de Saúde para o aparecimento de um surto, um novo Coronavírus, e consigo uma nova doença. Para trás ficava o ano de 2019. Portugal e o Mundo viviam tempos de aparente tranquilidade. Pela primeira vez na história da sua democracia, Portugal apresentou um excedente orçamental. Consolidávamos a nossa economia, projetávamos um novo ano de crescimento económico, seguíamos o caminho de reposição de rendimentos e consequentemente valorizávamos as famílias. Mas tudo mudou repentinamente.

Fevereiro foi o mês em que a Europa começou a registar os primeiros casos em vários países. Uns mais cedo que outros. Isso reflete-se agora, sensivelmente dois meses depois. Como lidámos com um vírus perigoso pela forma como se propaga e mais ainda pelo desconhecimento científico sobre o mesmo, as primeiras reações foram incertas.

E isso leva-nos, possivelmente, a um dos maiores erros. Não nos preparámos para um inimigo destes. As organizações mundiais, e particularmente as europeias, revelaram não ter um plano para agir rapidamente. Não sabemos se teríamos sido bem-sucedidos. Mas sabemos – infelizmente – ao dia de hoje que já perdemos milhares de vidas por não termos um plano para seguir.

Sabemos que os países em que o vírus se propagou mais cedo são os mais castigados. Foram deixados à mercê de um inimigo invisível e sem um plano de contingência eficaz para o combater. Não obstante a primeira falha, e ainda que as últimas noticias do Eurogrupo sejam uma janela de esperança, a Europa teima em falhar. Precisávamos, nesta fase, de mais solidariedade, de mais sentido coletivo, de mais União Europeia. Tal como afirmou o nosso Primeiro-Ministro António Costa, “a União Europeia corre o risco da acabar se não for capaz de enfrentar os efeitos económicos e sociais da pandemia da covid-19”.

Em Portugal, e tendo em conta diversos fatores, temos ao dia de hoje números diferentes, para melhor, da maioria dos países. É certo que pudemos antecipar cenários com os exemplos de outros países, ainda assim também não tivemos um plano para seguir.

Na generalidade das opiniões, na qual a incluo a minha, uma das razões para estes resultados francamente positivos, até à data, é a atuação do Governo. Portugal, à custa da atuação dos agentes políticos, tem sido elogiado pelos principais órgãos de comunicação social internacional. As medidas apresentadas pelo Governo que visam assegurar os rendimentos das famílias através da preservação do emprego para fazer face às imposições exigidas, aliadas às propostas dos partidos da oposição e ao superior contributo dos Portugueses respeitando e cumprindo as orientações das autoridades, são razões cruciais que sustentam números amplamente elogiados.

Mas o plano nacional de combate a este vírus não se esgota nestas esferas. Das empresas aos comerciantes, das instituições de solidariedade social aos autarcas, salvo raras exceções, estamos a conseguir ser um exemplo de solidariedade e responsabilidade coletiva. Aos autarcas neste período exige-se foco total na ajuda às suas populações. Tal como ao Governo, exige-se que desencadeiam todas as ajudas possíveis para minorar as quebras nas famílias. O seu foco não pode ser o protagonismo pessoal ou procurar ser melhor que o autarca do concelho vizinho. O seu dever é tranquilizar e cuidar do seu território na esfera das suas responsabilidades.

Na Trofa, o Partido Socialista, sabendo da exigência do momento disponibilizou-se desde a primeira hora para o que a Câmara Municipal entenda ser necessário. Aprovámos as propostas que visam combater esta pandemia. Tiveram e continuarão a ter o nosso apoio. Somos responsáveis.

Este é o momento de apoiar, de colaborar. E foi nesse sentido que apresentámos várias propostas que visam ajudar os Trofenses, nomeadamente a fazer face à sua quebra de rendimentos. Destaco a proposta para a comparticipação a 100% da tarifa variável no primeiro escalão do serviço de abastecimento de água para clientes domésticos e para as IPSS; a comparticipação a 50% no segundo escalão de abastecimento de água e a comparticipação a 100% da tarifa fixa do serviço de recolha de resíduos sólidos urbanos, para todos os clientes domésticos. Para o Partido Socialista da Trofa, a comparticipação do Município nestes serviços é absolutamente prioritária e determinante para ajudar as famílias.

Este não é o tempo do egoísmo. Não é o tempo da individualidade, de procurarmos protagonismo e valorização pessoal. É o tempo de respostas coletivas.

O combate a este vírus vai continuar. Diariamente temos a missão de fazer mais e melhor. De ajudar o próximo. De deixarmos de fazer hoje a nossa vontade individual, para permitirmos que em breve as vontades coletivas sejam satisfeitas.

Uma mensagem especial de agradecimento a todos os profissionais, das diferentes áreas, que estão na linha da frente deste combate. Sem eles, os números elogiados em Portugal não seriam possíveis. Reconhecer o trabalho deles é perceber que este cenário pode mudar se não formos capazes de continuar a seguir as recomendações das autoridades. Fiquem em casa para rapidamente nos podermos voltar a abraçar.

O contágio que precisamos é o da responsabilidade e da esperança. Vai ficar tudo bem!

Amadeu Dias
Presidente do PS Trofa