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Edição 673

Memórias e Histórias da Trofa: Capela de S. Roque em S. Mamede

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A população do Coronado em tempos ido foi bastante fustigada pelas várias pestes que existiriam em século remotos e também próximo aos nossos dias. Não esquecer que há um século, a epidemia de Gripe Espanhola matava mais de uma dezena de pessoas por semana nesta freguesia.Na tentativa de receber apoio divino para a eliminação da peste, muitas foram as comunidades que prestaram culto a S. Roque, várias foram as capelas construídas um pouco por todo o país apelar à proteção divina e como agradecimento pela erradicação de um surto de peste. Recordando que entre os séculos XIV e XVIII várias foram as pestes que dizimaram a Europa.
Muitas dessas capelas perduram até hoje, exemplo próximo a capela localizada em Alfena além de muitas outras tradições festivas, contudo a crónica de hoje irá relatar uma capela que não chegou ao presente. Escrevendo sobre a Capela de S. Roque que terá sido construída aproximadamente a 1560 com o apoio de uma confraria que teve como juiz, Francisco Fernandes.1
A existência de uma confraria demonstra de imediato a grande importância que o seu culto teria, obrigando a existência de uma instituição para gerir e dignificar o seu culto.
Localizada junto à Igreja de S. Mamede iria beneficiar dessa sua proximidade e iria ser local de romagem, contudo, o seu templo deveria ser de construção simples, com linhas básicas porque a sua construção devia-se ao povo que não abundava em dinheiro, recordando que os membros desta classe social muitas das vezes tinham uma vida miserável.
Comprovando o argumento de ser local de romagem, referências nos Inquéritos Paroquiais de 1758 para a existência de uma festividade organizada por populares de Vilar que realizavam uma procissão com a sua imagem que a colocavam em exposição na capela. Desconhecendo o percurso dessa romagem, mas certamente seria um momento de grande importância ocorria todos os anos no 1º domingo após o dia de S. Roque que é 16 de agosto.
O Vale do Coronado apresentou sempre um elevado dinamismo económico e demográfico, esteve entre as freguesias mais populosas do futuro concelho da Trofa, apenas superada por Santiago de Bougado e Alvarelhos, mas com números bastante aproximados. Uma elevada dinâmica de progresso que iria ter implicações claras na sua rede viária e a localização da capela bloqueava a construção de um novo arruamento há muito desejado a ligar as freguesias de S. Romão a Nogueira da Maia.
A capela seria demolida em 19142, contudo perpetuou-se a sua antiga existência na toponímia local. Porém após analisar a imprensa local, foi possível verificar que em 1916 em junho3, era publicada a arrematação para a construção desse lanço de estrada que era descrito como capital importância, não sabendo se na capela tinha sido demolida previamente para a construção desta estrada ou se a realidade foi demolida posteriormente a 1914. Recordando que a Primeira República foi terrível para a Igreja Católica, com perseguição aos seus elementos, detenção de padres, proibição do culto religioso e esse ambiente teria certamente facilitado em muito a demolição daquele templo.

1 https://www.irmandadesaoroque.pt/percursos-de-sao-roque/12-capelas/153-capela-de-sao-roque-santo-tirso-coronado visto em julho 2018
2 https://www.irmandadesaoroque.pt/percursos-de-sao-roque/12-capelas/153-capela-de-sao-roque-santo-tirso-coronado visto em julho 2018
3 “Estrada da Maia”, Jornal de Santo Tyrso, junho 22, 1916

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Edição 673

A Máquina de Propaganda Parte X: a encomenda

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Uma das maiores e mais claras demonstrações do papel do Correio da Trofa enquanto elemento-chave de uma estratégia concertada de manipulação da opinião pública trofense, colocada em marcha por elementos da cúpula dirigente da coligação Unidos pela Trofa, em 2013, foi a edição que antecedeu as Autárquicas de 2017. Tratou-se de uma edição que, mais do que qualquer outra, se assemelhou a um autêntico folhetim de campanha, com a diferença que este folhetim não vivia apenas dos donativos de militantes e simpatizantes das estruturas concelhias de PSD e CDS-PP. E fazer campanha com dinheiro dos outros, com o “contributo” dos cofres públicos, é sempre uma ajuda preciosa, em tempos de gastos elevados.
O nº 101 do Correio da Trofa, datado de 29 de Setembro de 2017, tem 16 páginas. Dessas, uma é a capa, que tem apenas um apelo ao voto e três caixas de publicidade, uma página e meia de entrevista à presidente da Assembleia Municipal, duas de entrevista ao autarca em funções (que tinha sido entrevistado pelo mesmo jornal duas edições antes) um quarto de página com um comunicado da coligação PSD/CDS-PP e três quartos de página com um artigo de opinião cobarde e desonesto, estranhamente integrado no plano de propaganda. A estas 5 páginas e meia devemos acrescentar a publicidade, que ocupa cerca de 6 páginas, e ficamos com 11 páginas e meia. As quatro páginas e meia que restam são ocupadas por dois artigos de opinião de dois apoiantes do executivo, como sempre acontecia naquele “jornal”, duas notícias minúsculas sobre Trofense e Bougadense, porque o futebol nunca pode faltar, e 5 mini-notícias subdesenvolvidas, para acabar de encher o chouriço e fazer de conta que aquilo era um jornal.
Chamem-lhe o que quiserem: eu chamo-lhe encomenda. A edição nº 101 deste folhetim político, travestido de jornal, foi, repito, uma encomenda política. E qualquer profissional do jornalismo percebe isso, incluindo os que alegadamente lá trabalhavam. Não há uma única peça assinada, com excepção dos artigos de opinião, e não existe outro objectivo para além de dar voz aos dois principais candidatos da coligação, a dois dias das eleições, sendo que o dia seguinte à publicação era o chamado Dia de Reflexão, durante o qual os partidos e os candidatos estão proibidos por lei de fazer campanha. Porém, com o Correio da Trofa acabadinho de sair do forno, curiosamente numa Sexta-feira, quando o dia de publicação era a Quinta, ficou a propaganda assegurada para o fim-de-semana eleitoral.
Importa referir que, ao contrário deste jornal, que entrevistou todos os candidatos de todos os partidos à câmara, à AM e às freguesias (com excepção de Sérgio Humberto, que obviamente recusou também o convite para um debate com os seus adversários), que cobriu acções de campanha de todas as candidaturas e que promoveu um debate entre candidatos à câmara, o Correio da Trofa limitou-se a fazer a cobertura dos candidatos e iniciativas da coligação PSD/CDS-PP. Com excepção de uma ou outra curta referência, o Correio da Trofa fez aquilo que se espera de um jornal que serve o poder: servi-lo. Será que também foi escrito na sede do PSD Trofa?
O papel do Correio da Trofa, porém, não se ficou por episódios vergonhosos como este. Meses antes das eleições, um indivíduo a quem ninguém lhe conhecia um único escrito, e sobre quem familiares e amigos afirmavam não lhe reconhecer a queda, o interesse, o talento ou a capacidade para a escrita, emergiu do nada, para insultar, difamar e levantar falsos testemunhos sobre quem incomodava o regime humbertista, num estilo de escrita muito similar ao de uma conhecida personagem política local. Tais escritos, cobardes e pautados por um fanatismo doente e miserável, repletos de mentiras descaradas e demagogia barata, tinham um propósito muito claro. Lamentavelmente para os cobardes que por trás deles se escondiam, o tiro saiu-lhes pela culatra. A ele iremos em breve.

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Trofismo

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Uma palavra é inexistente até ter sido utilizada pela primeira vez, mas a partir do momento em que a palavra foi utilizada na fala ou na escrita, nesse momento a palavra passa a existir, embora possa não ter consistência linguística para entrar no dicionário. A competência para a elaboração e publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é da Academia de Ciências de Lisboa.
A língua portuguesa tem as suas regras. Uma palavra é composta de um núcleo semântico que é a sua raiz ou base mórfica. A palavra pode ser composta apenas pela raiz ou possuir também unidades significativas mínimas, os morfemas periféricos, que ao se unirem compõem cada palavra formando um todo semântico.
Depois de uma palavra ter sido utilizada pela primeira vez, ela fica de quarentena ou em tempo de espera, mais ou menos longo, para que os especialistas verifiquem a sua consistência técnica, para não se cair em modismo, pois podem ser palavras passageiras, que são muito faladas em certo tempo e depois são esquecidas. Não é o que se passa com a palavra trofismo, que tem vindo a ser abundantemente utilizada por mim, nas minhas crónicas, assim como foi utilizada no meu livro “A criação do concelho da Trofa – Contributos”.
A palavra trofismo já existe no dicionário, embora com um significado bem diferente do utilizado por mim, pois é um termo da área da biologia, da medicina e da fisioterapia, e refere-se ao estudo dos tecidos musculares, principalmente em relação à nutrição e ao desenvolvimento saudável dos músculos. O conceito de trofismo é usado com frequência no âmbito da medicina em referência àquelas funções do organismo que estão vinculadas à nutrição, ao desenvolvimento e à conservação de um tecido.
Atualmente, o conceito de trofismo refere-se apenas à troca de metabolismo entre dois tecidos do corpo, sendo essa troca a responsável pela nutrição desses tecidos, só que num futuro não muito longínquo, se os trofenses fizerem «renascer» o trofismo que estava bem arreigado nas gentes da Trofa, como ficou demonstrado há duas décadas, quando milhares de trofenses foram a Lisboa buscar o Concelho, no dicionário da língua portuguesa, também deverá constar: «Trofismo é aquilo que distingue os trofenses dos habitantes de outras localidades; é uma característica bem diferenciada que os trofenses demonstraram, ao longo dos tempos; é um modo específico de ser, de sentir, de viver muito próprio dos trofenses, das gentes do Concelho da Trofa».
Trofismo é o amor à Trofa e às coisas trofenses. Que o trofismo esteja cada vez mais arreigado e mais forte nas gentes da Trofa. Assim se deseja!

José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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