Apesar dos 50 anos, o Rancho das Lavradeiras da Trofa “ainda tem muito para fazer”. Estas são as palavras do presidente Luís Elias que espera ver o concelho enriquecer culturalmente.

Foi com muita alegria que as Lavradeiras da Trofa celebraram 50 anos de atividade, no sábado, dia 3 de dezembro.

A sessão solene foi um dos momentos altos das comemorações das bodas de ouro do grupo com o presidente Luís Elias a reconhecer todos os elementos pelo contributo que dão à associação que já palmilhou Portugal de lés a lés e já levou o nome da Trofa ao estrangeiro.

Apesar dos “erros” que foram cometidos “no passado”, Luís Elias pretende que o Rancho das Lavradeiras aproveite o “futuro enorme que tem pela frente”. “Temos de ser capazes de melhorar. Não direi inovar no sentido de inventar, mas fazer de uma nova forma aquilo que tem a ver com as nossas tradições. Que a vontade não esmoreça, assim os meios nos permitam e assim se justifique, porque a Trofa justifica que continuemos a fazê-lo”, explicou.


Apesar das palavras de felicitações do presidente da Federação do Folclore Português, Fernando Ferreira, pelo trabalho desenvolvido pelos grupos da terra, Luís Elias caracteriza a Trofa como “um concelho culturalmente muito pobre”, pois são “poucas as instituições e associações de carácter cultural”. No entanto, acredita que esta questão possa ser facilmente resolvida se “as pessoas se envolverem mais, participando em iniciativas, integrando instituições, principalmente se for gente jovem”.

Na sua intervenção, lamentou ainda a forma como são distribuídos os subsídios por parte da autarquia às associações, acrescentando que, por vezes, há “injustiças”. Apesar de frisar que as Lavradeiras não são “subsídio-dependentes”, Luís Elias sublinhou que “o apoio das entidades, nomeadamente, a Câmara Municipal, é fundamental, pois com ele pode-se fazer mais”.

Opinião contrária tem Joana Lima, edil trofense, que afirmou não perceber o que Luís Elias quis dizer com “injustiças”, no que diz respeito à entrega de subsídios. “Por força das contingências que herdámos, uma dívida financeira astronómica, temos vindo a cortar em percentagem os protocolos às associações. Mas, curiosamente, já demos mais dinheiro às coletividades do que o anterior executivo, porque deliberava, mas não pagava”.

A presidente da Câmara apelou a que as associações “acompanhem o esforço financeiro que este executivo está a fazer”.

Autarquia quer criar museu etnográfico

Joana Lima não deixou de reconhecer o papel importante que os grupos folclóricos assumem “na difusão da cultura desta terra”. E por isso, é intenção da Câmara “criar um museu etnográfico” com o material existente no concelho e que está na posse de Maria Augusta Reis, uma das fundadoras do Rancho das Lavradeiras e que também foi lembrada nas comemorações. A autarquia pretende reunir o material num só espaço “quanto tiver mais disponibilidade financeira, para lhe dar o tratamento especial que merece”.

Também Fernando Ferreira felicitou as Lavradeiras da Trofa pelo “trabalho imenso, autêntico e verdadeiro, que lançou este grupo e também o concelho da Trofa para um patamar muito elevado”, lembrando que será necessário continuar o trabalho que tem sido feito para manter este nível, “que não é fácil de atingir”.

A associação trofense recebeu lembranças da autarquia, da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, da Santa Casa da Misericórdia da Trofa, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa e do Rancho Etnográfico e Grupo Danças e Cantares de Santiago de Bougado.

As comemorações começaram com uma missa solene na Igreja Matriz de S. Martinho de Bougado, seguindo-se uma romagem ao cemitério onde prestaram uma homenagem aos antigos elementos já falecidos. À noite, o grupo reuniu centenas de pessoas num jantar de confraternização, em Santiago de Bougado, que foi animado por um espetáculo etnográfico protagonizado pelas Cantadeiras do Vale do Neiva e pelo Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto..

Patrícia Pereira

Cátia Veloso

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