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E eis que a edição 2015 do Festival Vodafone Paredes de Coura chegou ao seu último dia e a chuva, como bom habitué deste festival, fez o seu check in.

Durante a tarde o Palco Jazz esteve em funcionamento com as propostas do escritor Rui Cardoso Martins numa nova sessão de poesia e com a música de Serushio e El Rupe, numa tarde cinzenta com chuva à mistura que resultou num número diminuto de assistentes. Muitos campistas aproveitaram a tarde para preparar o regresso a casa.

Ainda antes da hora do lanche, as Vodafone Music Sessions proporcionaram um concerto acústico de Woods no quartel dos bombeiros locais.

No Palco Vodafone.FM as atuações da última noite começaram com os portugueses Holy Nothing e a sua música eletrónica. A banda aproveitou para apresentar alguns temas do novo disco, Hypertext, mostrando muita energia em palco, apesar do número reduzido de espetadores.

No palco principal, a abertura das hostilidades aconteceu com a Banda do Mar, um projeto dos brasileiros Mallu Magalhães e Marcelo Camelo e do português Fred Ferreira, que esteve muito ativo nos últimos meses com inúmeros concertos em Portugal e Brasil, e presença em três dos maiores festivais de verão do nosso país. O recinto em Coura estava já bem composto e a boa disposição da banda contagiou quem por lá já andava. Sorrisos em palco e na assistência foram a nota dominante num final de tarde cinzento. A audiência mostrou conhecer as melodias e letras respetivas e foi acompanhando a Banda do Mar nas várias músicas apresentadas. Claramente emocionados com o fim da tourné, os músicos apresentaram músicas como Velha e Louca, Mia, Dia Clarear, Mais Ninguém e Muitos Chocolates ao longo de um concerto melodioso, alegre e bem-disposto.
 

De volta ao palco secundário encontramos a norte-americana Natalie Prass, que trouxe na bagagem o homónimo álbum de estreia. Simpática e bem-disposta, a menina Prass dedicou-se a melodias rock-soul mescladas de folk.Ouviram-se, entre outros, My Baby Don’t Understand MeBird of Prey e Why Don’t You Understand Me.

Depois de terem atuado nas Vodafone Music Sessions, os Woods ocuparam o palco principal ao início da noite. O seu indierock foi embalando a massa humana que já compunha, e bem, o recinto. As melodias tocadas tiveram muito por base With Light and Love, trabalho de 2014.

O duo norte-americano Sylvan Esso, subiu ao Palco Vodafone.FM por volta das 20.30 horas. A voz melodiosa de Amelia Meath atraiu os festivaleiros a um concerto de indie-pop bastante consistente.

Banda muito aguardada da noite, os britânicos Temples subiram ao Palco Vodafone pouco antes das 21:30 ao som deSun Structures e convidando o público a embarcar numa viagem mística pelas suas canções indie-rock psicadélicas. Canções vigorosas, improvisos, guitarras e a voz de James Bagshaw, tudo à mistura. Colours To LifeSand Dance ou A Question Isn’t AnsweredThe Golden ThroneBagshawHenry’s Cake e Mesmerize foram alguns dos temas escutados.

No Palco Vodafone.FM o rock rebelde dos Fuzz resultou em lotação esgotadíssima do espaço. Um destilar de energia, a fazer pensar que os músicos em palco possam estar ligadas a um fonte de energia artificial, tal é a potência do som. Nota dominante ao longo do concerto é o permanente crowdsurfing dos devotos fãs das filas da frenteVinda de São Francisco, a banda de Ty Segall (bateria e voz) provocou um pequeno terramoto musical em Coura com o seu rock cru e brutalhaçoe tornou o espaço do palco principal pequeno para acolher todos os que quer queriam vê-los e ouvi-los.

Por volta das 23:30 horas a sueca Lykke Li, toda vestida de negro, subiu ao Palco Vodafine, e causou uma enorme onda de euforia no público. Não precisou de se esforçar muito para conquistar uma parte da audiência que nos pareceu estava ali também por causa dela. Voz misteriosa, postura séria e uma simpatia caricata que até a levou a falar português conquistaram muitos dos presentes no recinto de Coura. Cantou temas como I follow river,  Get some,  Hold On, We’re Going HomeLittle Bit, JeromeNever Gonna Love Again e Don’t Let Me Down.

A encerrar os concertos no palco principal estiveram os Ratatat, duo de Mike Stroud e Evan Mast. Os nova-iorquinos produzem música assente que funciona a partir de um premissa simples: por cima de eletrónica dançável aplicam-se riffs de rock com um baixo, percussão e caixas de ritmos. Nos ecrãs foram passando projeções animadas e invulgares e o público entrou em êxtase na hora da despedida, em jeito de celebração da música.

O habitual after hours contou com as presenças de The Soft Moon e Sascha Funke.

No último dia do festival ocorreu ainda a conferência de imprensa habitualmente direcionada para o balanço do evento. João Carvalho, Diretor do festival, e Emanuel Sousa do parceiro Vodafone, confirmaram a passagem de cerca de 100.000 pessoas pelo recinto, fazendo da edição de 2015 a mais concorrida de sempre e a primeira com lotação esgotada. Ficou ainda confirmada a renovação da parceria com a Vodafone para a próxima edição, e foram anunciadas as novas datas de um festival que se quer “premium” e que continuará nos mesmos moldes mas com algumas melhorias que garantam mais conforto aos presentes. Em 2016 o Festival Vodafone Paredes de Coura decorrerá entre 17 e 20 de Agosto.

Texto: Joana Vaz Teixeira
Foto: Paulo Homem de Melo