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Edição 774

Escrita com Norte: Adivinhação

“Há muito boa gente, e quando digo boa gente, é-o mesmo, que num toque de “eu sou mesmo interessante”, tenta prever “o que vem a seguir”, como se lhes conferisse um toque de sofisticação e inteligência!”

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Apesar de nunca me ter sentido apto a “capacidades do Além” e de nunca arriscar, durante anos, dizer que sim, quando me perguntavam se achava que o meu clube ia ser campeão (sou sportinguista), há muito boa gente, e quando digo boa gente, é-o mesmo, que num toque de “eu sou mesmo interessante”, tenta prever “o que vem a seguir”, como se lhes conferisse um toque de sofisticação e inteligência!
Também assim o fui, mas em criança, quando teimava em terminar as frases da minha professora Maria Luísa:

– Está na hora… – e cortando-lhe a frase, completava.

– …Do recreio. – e sorria para ela.

– Isso mesmo Zé! Muito bem! – respondia-me, paciente.
E os meus olhos atravessavam o resto da turma com um sorriso, como que dizendo, “Eu é que sou fino”.
Mudei, sem saber se melhorei, e comecei a deixar as pessoas falar até ao fim, e de extraordinário… bem, a minha mãe, sem eu saber porquê, está convencida, e pensa que me convenceu, de que sou muito bom a escolher melões sem olhar para o seu interior, e dizer se estão bons ou não! Nunca desmenti tal incapacidade e agora não tenho coragem para lhe revelar a verdade!
Hoje à tarde:

– Ó pá, eu tinha a bola nos pés, finto um, finto outro, driblo o guarda-redes…

– E marcaste um grande golo!

– Não, pá! Não sei como, mas torci o pé e chutei a bola ao lado! O jogo parou e eu não conseguia jogar…

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– E a tua equipa jogou com menos um. Que chatice!

– Não! Fui para a baliza. Agora, tenho que ter paciência, a andar dói-me…

– Muito, dói-te muito. É natural!

– Pouco. Dói-me pouco. Mas amanhã já…

– Vais ao massagista. Fazes bem, se quiseres indico-te um muito bom que…

– AMANHÃ, vou jogar outra vez. Vou ligar bem o pé e vou JOGAR OUTRA VEZ. – respondo ao meu bom conhecido em tom “viçoso”, recuperando a característica de criança, quando terminava as frases da minha professora, sem ela ter pedido.

– Pronto, está bem, mas deixa-me terminar! – diz-me o meu bom conhecido, incomodado pela interrupção – Se precisares conheço um massagista muito bom e não leva caro. E então, amanhã vais jogar com quem?

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– Olha! Vou jogar com o Nando…

– Ele joga bem, não joga?

– Nem por isso! É um marreta. Também joga o Sequeira…

– O Sequeira é um bocado marreta, não é?!

– Não. O Sequeira joga bem! Também joga o meu irmão…

E desta vez não sou interrompido pelo bom conhecido, mas pelo toque do telefone.

– É uma admiradora? – pergunta-me, sem ter acertado… mais uma vez!
“Só me restam saudades”, pensei, e respondi-lhe – É a minha mãe. Espera um bocadinho, vou atender.
Após o telefonema.

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– Ó Meireles, tenho que ir. A minha mãe…

– Tens que ir buscá-la. Fazes bem, Mãe só há uma!

– Não pá! Pediu-me para ir ter com ela à frutaria para escolher dois melões!

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Edição 774

Obra de 2 milhões vai transformar centro urbano de Alvarelhos

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A Assembleia Municipal da Trofa autorizou a repartição de encargos em mais do que um ano económico do procedimento relativo à empreitada de requalificação do espaço público do centro urbano de Alvarelhos.
A proposta, apreciada na reunião de 30 de setembro, foi aplaudida pelo presidente da Junta de Freguesia de Alvarelhos e Guidões, Lino Maia, que reiterou “a urgência” de avançar com aquela obra.
O presidente da Câmara Municipal, Sérgio Humberto, explicou que o investimento resulta do pedido de empréstimo feito pela autarquia “o ano passado”, com a intenção de conseguir aceder a fundos comunitários colocados em “overbooking”. Nesta modalidade, o Município da Trofa, garantiu Sérgio Humberto, está já habilitado “a ir buscar dez milhões de euros”.
Sobre a empreitada em Alvarelhos, o autarca sublinhou que se trata de uma intervenção de “dois milhões de euros”, que, mais tarde, será complementada com “a criação de acessos pedonais” à Junta de Freguesia, Centro de Saúde e futuro lar residencial da Santa Casa da Misericórdia. “Vamos transformar o centro de Alvarelhos num espaço digno”, sublinhou.

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Memórias e Histórias da Trofa: Crises de Identidade

Relativamente à falta de desenvolvimento de identidade, não é apenas no assunto dos santeiros que isso se verifica, poderíamos falar da questão do património industrial que se limita à valorização da antiga fábrica das rações em edifício municipal e também a colocação da máquina do “Sampaio” na alameda.

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Um dos elementos que nos define como comunidade é a nossa identidade que se interliga com a nossa cultura, sendo imperioso o seu desenvolvimento para a consolidação do nosso crescimento e sobretudo da nossa sociedade.
Assumo que durante dezenas de anos a nossa identidade era um elemento forte, alicerçado no bairrismo que tantas lutas venceu, desde, por exemplo, a criação do código postal da Trofa (possivelmente o primeiro grande momento que contribuiu para a nossa emancipação relativamente a Santo Tirso), a evolução a vila, cidade, e fundamentalmente, a concelho.
Somos senhores do nosso destino desde há mais de duas épocas, os elementos exteriores à nossa identidade tentam ainda vender o célebre discurso: “… a Trofa é uma rotunda”, todavia, é facilmente percetível que esse tipo de discurso é apenas e somente dores passadas ainda mal resolvidas.
O caminho percorrido para ultrapassar esse tipo de situações e inverter esse cenário tem tido alguns avanços positivos, concretamente a valorização da arte santeira, o esforço de valorizar o legado dos caminhos de ferro, como também, timidamente, e de forma praticamente despercebida o nosso histórico industrial.
Ouvir alguns dos agentes políticos locais a falarem de cultura e políticas culturais é extremamente penoso, até porque, o discurso é sempre o mesmo, a valorização é sempre a mesma, mas… e o resto? Que me interessa elogiar a minha esposa todos os dias se não faço depois mais nada além disso? É necessário sempre mais e mais e apenas afirmar que os Santeiros do Coronado fizeram a imagem de Nossa Senhora de Fátima, repetindo isto até à exaustão e nada mais fazer é apenas e só se me permitem o abuso para aborrecer.
Se existe uma valorização com este pilar da nossa cultura/identidade, porque não passar ao passo seguinte e definir um plano forte, que seja possível de executar e, sobretudo, que valorize investimentos já efetuados. Até, fundamentalmente, fundamentar esses referidos investimentos, porque senão não passará de desperdício de verbas públicas.
Relativamente à falta de desenvolvimento de identidade, não é apenas no assunto dos santeiros que isso se verifica, poderíamos falar da questão do património industrial que se limita à valorização da antiga fábrica das rações em edifício municipal e também a colocação da máquina do “Sampaio” na alameda.
Atendendo ao parágrafo anterior, até pode ser falácia da minha parte, mas, muitas pequenas coisas podem fazer a diferença. Sobretudo, se atendermos à não existência de uma agenda contínua e apenas meros atos isolados de valorização do património que surgem pontualmente e por vezes deslocadas de contexto.
Concluindo, as grandes caminhadas começam com pequenos passos, contudo, não são impossíveis de concretizar e a soma das pequenas ações seguramente que irá permitir um grande resultado, minimizando por momentos o esforço inicial.
Não nos devemos envergonhar do nosso passado como território industrial, devendo valorizar o nosso património e os elementos ligados a essa área, como também devemos tentar eliminar os mitos “urbanos” da história que em nada nos engradece e apenas faz com que vivamos numa mentira.
Recentemente comemoramos o 92.º aniversário da instituição desportiva da cidade, quando a mesma já existe desde 1928… como este, muitos outros exemplos poderiam ser dados…

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