Apesar da descida da equipa principal ao segundo escalão, a época do Trofense salvou-se com a subida dos juniores aos nacionais. Este foi um dos motivos para a festa de encerramento da época, que juntou atletas, pais, treinadores e dirigentes do clube.

Mais de 750 pessoas encheram a Quinta S. Salvador, em Famalicão, para assinalar o encerramento da época desportiva do Clube Desportivo Trofense. A iniciativa, que juntou atletas dos escalões de formação, pais e dirigentes, não pôde contar com o presidente Rui Silva, que à última hora não conseguiu estar presente.

A festa foi feita pelos pequenos craques e, especialmente pelos juniores, que fizeram um campeonato exemplar com a subida aos nacionais de futebol. Sérgio, melhor marcador da equipa, afirmou ao NT/TrofaTv que “foi uma boa época” e uma “experiência boa”. A derrota no primeiro jogo da fase final e que colocou algumas reticências quanto à capacidade da equipa para conseguir a subida “tornou-se numa vitória”, segundo Sérgio, que garantiu que foi ela que “deu muita moral e confiança para encarar os outros jogos de outra forma”.

O objectivo para a próxima temporada não deixa de ser ambicioso: “subir à primeira nacional”, afirma.

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Cenoura, iniciado, marcou oito golos no campeonato, mas mais do que satisfeito com a sua prestação, não se esqueceu de “agradecer ao Trofense e ao departamento de formação que dá boas condições para trabalhar”. Em 2009/2010 o atleta quer marcar mais golos do que conseguiu esta temporada, porque “se fosse para diminuir não andava cá”.

Artur Dias, dos infantis 11, não marcou golos. Fez assistências e isso não o faz sentir inferiorizado. A sua posição de lateral esquerdo justifica o jejum, pois afinal a sua função não é ser artilheiro. No entanto, tem como ídolo o Figo e está a “gostar muito” de representar o Trofense.

 

Mas não são só os jogadores que elogiam o clube. Os pais estão satisfeitos com as condições que o clube proporciona aos mais pequenos para a prática de desporto e Rui Costa parecia ser a voz do consenso: “estou plenamente satisfeito”.

Já a época da equipa principal “foi decepcionante”, mas a escolha do novo treinador levantou de novo a moral do trofense: “pena foi não ser o treinador já da época passada”, afirmou. Francisco Simões também comunga da mesma opinião e diz-se confiante numa boa prestação de Vítor Oliveira no comando técnico da equipa.

Esta opinião tem sido, segundo Manuel Wilson, vice-presidente do Trofense, o feedback dos adeptos. “A opinião é unânime. Estou convencido que é a pessoa certa para o lugar certo, o nosso presidente escolheu a pessoa com o perfil ideal e acho que vai ser ele que nos vai levar ao sucesso”, referiu.

Ser melhor e mais forte é o objectivo futuro do Trofense, segundo Manuel Wilson que, apesar de “lamentar” a descida da equipa sénior, sublinhou o feito dos juniores, fazendo-se cumprir uma das metas delineadas pelo departamento de formação.

“No que diz respeito ao departamento de formação obtivemos bons resultados, mas não estamos satisfeitos, queremos cada vez mais. Este projecto tem quatro anos, estamos no terceiro, conseguimos o objectivo principal que era colocar os juniores nos nacionais e nos próximos dois anos estou convencido que o conseguiremos com outros escalões”, afirmou.

Trofense é uma escola de virtudes, de formação e de princípios”

Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto (AFP), esteve presente no jantar de encerramento da época do Trofense e ao NT/TrofaTv não poupou elogios ao emblema e à sua organização. O presidente da maior associação de futebol do país afirmou que “o Trofense é um exemplo de organização desportiva e de perseverança” e um “exemplo inexcedível” no que diz respeito à formação.

“O Trofense é uma escola de virtudes, de formação, de princípios. Dá educação a esta juventude que pratica desporto em grande quantidade com êxitos garantidos e sublinho o êxito estrondoso dos juniores que, a disputar um campeonato que é muito difícil e competitivo, conseguiram subir ao campeonato nacional, o que é a certeza de uma segurança e que este clube tem bases estruturantes não só para a formação como também para ter o futuro garantido”, referiu.

Lourenço Pinto não deixou de destacar o papel dos pais e dirigentes: “hoje (sábado) quem cá veio fica a saber que é dada uma lição de cavalheirismo, de auxílio aos jovens, de formação e se mais clubes e pais houvessem como este de certeza que o futuro da nossa mocidade era melhor e mais risonho”.

Sobre os problemas financeiros que o futebol português atravessa actualmente, o presidente da AFP afirmou que a associação “tem lutado contra muita coisa, nomeadamente contra aquelas determinações que vêm de alguns departamentos do Estado, que tem uma visão preocupante acerca da formação da juventude”.

“Aquilo que se está a assistir hoje é um ataque cerrado daquilo que é o associativismo, aquilo que é social, a tudo aquilo que não é materialmente visível e quando o desporto entra num caminho social, no caminho de interligação, no caminho de solidariedade, há muitas pessoas ligadas ao futebol profissional que desprezam esta situação”, sublinhou.

O responsável afirmou ainda que a AFP “tem tido um papel preponderante juntos das instâncias nacionais para que os clubes da associação e para que os clubes de todo o Portugal sejam protegidos e não sejam atingidos por esta investida”.