No alto de Valdeirigo, ergue-se a Pró-Ambiente, a empresa de inserção da APPACDM da Trofa, que, atualmente, emprega 22 pessoas.

A necessidade aguça o engenho, por isso, os cortes estatais que a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Trofa não esmoreceram os elementos da direção, que apostaram tudo num projeto que para além de ajudar os alunos, também visa proteger o ambiente.

A empresa de inserção Pró-Ambiente ergue-se no cimo da aldeia de Valdeirigo, em S. Martinho de Bougado. A lona, recentemente, colocada na fachada com letras verdes identifica a nova sede da empresa que “nasceu” em 2001, para proporcionar ocupação profissional aos alunos mais velhos da instituição. Depois de a “experiência” dar pequenos frutos, a direção, liderada por António Leitão, decidiu dar um novo passo e legalizar o projeto, que consiste no tratamento de resíduos, instalando a Pró-Ambiente numa unidade perto do Parque Nossa Senhora das Dores. Os responsáveis viajaram a Espanha para adquirirem uma prensa, seguindo-se a compra das  viaturas para recolha dos resíduos: quatro camiões e duas carrinhas de caixa fechada.

O novo pavilhão, em Valdeirigo, está a ser utilizado desde fevereiro do ano passado e acolhe um projeto que é caso único em Portugal, do ponto de vista associativo. A Pró-ambiente emprega 22 pessoas, algumas das quais jovens que estão na Associação. Com um à-vontade que demonstra passar ali horas a fio, o presidente da APPACDM da Trofa, António Leitão, fez uma visita guiada ao NT e à TrofaTv, explicando todos os passos da atividade da empresa.

Depois de passar o portão, à esquerda abundam bidões com restos de óleo alimentar, de restaurantes e particulares, que a empresa aglomera para depois vender, com o objetivo de se produzir biodiesel, sabões, entre outros. António Leitão explicou que, assim, “evita-se que se deite o óleo pelo cano, que poluem as camadas freáticas e os lençóis de água”. Imediatamente, do lado direito, surge uma máquina com um design peculiar. Um tubo de metal, idealizado por António Leitão para evitar acidentes, esconde uma lâmina que serve para cortar os restos de linhas têxteis e separá-las dos cones de plástico. Os dois produtos são vendidos para “diferentes proveniências” e a cor das linhas é vendida a preços diferentes: as brancas são mais caras.

No início daquela manhã, dois funcionários tomavam conta da prensa enquanto outros estavam no exterior a recolher material. Um aluno da APPACDM trabalhava afincadamente, sob as ordens de um homem que, antes de trabalhar na Pró-Ambiente, estava desempregado e a viver com o dilema de ser “novo” para a reforma e “velho” para as empresas. Os dois colaboradores ocupavam-se a enfardar cartão.

A maior parte do espaço da empresa está ocupada por este material e papel, que constituem a principal atividade da Pró-Ambiente. “O cartão é enfardado e vai para uma papeleira para dar origem a novo cartão”, explicou.

Noutro local da empresa, uma funcionária separava o papel branco e de cor, pois, à semelhança das linhas, o branco é mais valioso.

População pode ajudar, doando o lixo

O plástico também ocupa uma parcela importante na empresa. No pavilhão multiplicamse os fardos de plástico verde, das garrafas de refrigerantes, ou transparente, dos recipientes da água. Como não falta vontade de
trabalhar e desejo de ver a Pró-Ambiente progredir, António Leitão fez um apelo à população para aderir à campanha de recolha de plástico. “Se quiserem trazer uma quantidade de plástico que produzam durante 15 dias ou
um mês, agradecíamos imenso, porque, para nós, esses resíduos convertem-se em dinheiro e ajudam a associação”, frisou.

Ao fundo do pavilhão, mora uma máquina de desfazer esferovite, outro dos materiais que a Pró-Ambiente trata, para depois vender. A empresa recolhe ainda as argolas das meias, garrafas de vidro, latas de refrigerantes e
móveis, os últimos com o objetivo de restaurar.

Proteger o ambiente é uma das mais-valias da empresa

Todos os resíduos que são produzidos e ignorados pela maioria da população são o combustível que garante a continuidade da empresa e dos postos de trabalho. Por outro lado, cuidar do ambiente também é uma das mais-valias deste projeto. “Para além de ajudarmos os nossos jovens também cuidamos do ambiente. Estes objetivos equilibram-se”, sustentou.

Este projeto não é um exemplo isolado da preocupação ambiental por parte dos responsáveis da instituição. A APPACDM da Trofa tem também a Quinta da Agrela, com seis hectares de terreno, onde é desenvolvida a agricultura biológica, cujos produtos servem para as refeições da associação. Há dois anos, foram plantadas “mais de 190 árvores de fruto” para que, no futuro, “sejam suficientes para fornecer a fruta para as sobremesas dos alunos”.

O próximo passo da direção da APPACDM na empresa é concluir as obras na nova unidade, mas para crescer, a Pró-Ambiente precisa da ajuda de todos.

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