Ester Andrade percorre a pé, no mês de Maio, as estradas que ligam Guidões a Fátima há vinte anos. A fé faz com que “enquanto puder” Ester Andrade continue a organizar uma peregrinação a Fátima, que todos os anos parte de Guidões.

Anualmente, são milhares os peregrinos que rumam a Fátima no início do mês de Maio, para cumprir promessas feitas em nome da fé em Nossa Senhora. Este ano, o grupo que partiu de Guidões era composto por mais de duas dezenas de peregrinos, oriundos de Guidões, Alvarelhos, Muro e até Porto e Lisboa. “Era muita gente” e a guidoense teve “algum receio” da viagem, mas “acabou por correr tudo bem”.

A primeira etapa da viagem foi feita ainda no mês de Abril e terminou em Grijó, Vila Nova de Gaia. Depois, em Maio, foram cinco dias de caminhada até Fátima, para chegar ao Santuário no dia 11. Contudo, os peregrinos só regressaram a casa depois das cerimónias do dia 13 de Maio.

Este ano a viagem foi mais difícil devido à chuva. “Só no primeiro dia de viagem é que não choveu”, contou Ester Andrade ao NT. Os condutores podem ser outro problema: “há alguns que respeitam muito os peregrinos, mas há outros não têm cuidado nenhum”, desabafou.

A peregrinação começa a ser preparada com meses de antecedência. A experiência de Ester Andrade possibilita uma viagem organizada e condigna aos peregrinos, pois “em Janeiro são feitas as reservas nas casas e residenciais onde pernoitam os peregrinos”. Mais próximo da partida, a responsável pelo grupo prepara os medicamentos e os primeiros-socorros “a quem precisar”. Mas este ano a tarefa esteve facilitada, pois o grupo incluía duas enfermeiras. Para além disso, o marido de Ester Andrade acompanha os peregrinos durante todo o percurso, na carrinha de apoio, fornecendo “água, fruta e pão”.

O momento da chegada a Fátima é, para qualquer peregrino, “uma emoção muito grande”. “Chorámos todos”, proferiu.

Augusta Maia também é de Guidões e integrou o grupo de Ester Andrade pela primeira vez, ainda que já tenha feito a viagem a pé anteriormente, “há 27 anos”, garantiu que “a Ester e o marido são excelentes pessoas e ajudaram-nos sempre”.

“As dores do corpo são o mais complicado de aguentar”, no entanto “participar na procissão é quase mágico” e provoca “uma sensação de alívio inexplicável”, recordou com um brilhozinho nos olhos.

A viagem serviu também para que Augusta Maia mudasse a opinião em relação ao Papa Bento XVI.

“Não fui a Fátima por causa da visita do Santo Padre, mas é sempre especial”, garantiu, ao mesmo tempo que declarou que “achava o Papa menos carinhoso do que o que demonstrou durante as cerimónias”.

Ester Andrade não quis deixar de “agradecer à Câmara Municipal por ter acedido a oferecer os coletes reflectores” para os caminheiros, bem como à Junta de Freguesia de Guidões”.

Para as duas guidoenses esta viagem é um “momento inesquecível”, onde há momentos para “rir, chorar, cantar e rezar”, partilhados como “se fosse uma família” sempre “com a fé em Nossa Senhora”.