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Da Terra Santa a Fátima ou de Roma a Meca. O que move o peregrino?

A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir em cada pessoa que executa.

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Peregrinação (do latim per-agros, isto é, pelos campos) é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado por essa mesma religião.

O termo “peregrino” aparece, ora na nossa língua na primeira metade do século XIII para denominar os cristãos que viajavam a Roma ou à Terra Santa (onde actualmente se encontra o Estado de Israel e os Territórios Palestinos) para visitar os lugares sagrados, às vezes como castigo auto-imposto com o objectivo de pagar determinados “pecados” e outras vezes para cumprir penas canónicas.
Desses peregrinos surgiria, mais tarde, a ideia das Cruzadas enviadas para “reconquistar” os lugares santos que os cristãos consideravam sagrados e que estavam em poder de outras religiões.
O acto de peregrinar e as peregrinações ocorrem desde os tempos mais remotos, mesmo nos chamados tempos primitivos em que predominavam os costumes ou ritos cristãos.
Existem escritos de locais de peregrinação muitas vezes ofuscados pela própria religião cristã, como por exemplo a Catedral de Santiago de Compostela, que pode ter sido construída onde “outrora” terá passado outra rota mais antiga, a peregrinação a Finisterra (fim da terra) à costa ocidental para ver “o deus Sol a morrer no mar, e que no dia seguinte ressuscitava no Oriente”.
Para peregrinar, há que ter em conta que não se trata apenas de caminhar (no caso da peregrinação a pé) ou executar um trajecto com um determinado número de quilómetros (a percorrer); é reconhecido que peregrinar carece caminhar-se motivado “por” ou “para algo”. A peregrinação tem, assim, um sentido e um valor acrescentado que é necessário descobrir em cada pessoa que executa.

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História

Há notícias da realização de peregrinações por parte de muitas religiões, incluindo o antigo Egipto, Pérsia, Índia e Japão. Os costumes gregos e romanos da consulta aos deuses locais e oráculos, tais como o de Dodona e o de Delfos, são amplamente conhecidos. Na Grécia antiga, as peregrinações podiam ser pessoais ou patrocinadas pelo estado.
No início da história hebraica, os peregrinos viajaram para Siló, Dan Betel e, eventualmente, Jerusalém (os três festivais de Peregrinação, uma prática seguida por outras religiões Abraânicas). Um grupo de peregrinos conhecido no início do Cristianismo céltico foram os “Peregrinari Pro Cristo” (Peregrinos de Cristo), ou “brancos mártires” que deixaram as suas casas para viajar pelo mundo. Este tipo de peregrinação era uma prática religiosa ascética com o peregrino deixando a segurança da casa e do “clã” para um destino desconhecido, confiando totalmente na Providência Divina. Essas viagens muitas vezes resultaram em fundação de novas “Abadias” e na propagação do Cristianismo entre os pagãos europeus.

Na atualidade: principais destinos

Há diversas religiões que adoptam a peregrinação como uma actividade espiritual. A peregrinação a Meca, por exemplo, é um dever obrigatório, pelo menos, uma vez na vida, para cada muçulmano. Outras peregrinações, especialmente para túmulos dos Imanes Xiitas, ou Sufis santos, são, também, populares em todo o mundo islâmico. Entretanto, na Idade Média, peregrinos cristãos “modernos” puderam escolher entre visitas a Roma, onde, segundo a tradição cristã foram martirizados os apóstolos Pedro e Paulo, lugares da Terra Santa ligados à vida de Jesus Cristo (como Belém, Jerusalém, Mar da Galileia e Nazaré); ou lugares católicos associados a santos, visões e milagres, tais como Lourdes, Santiago de Compostela, Cantebury e Fátima, os maiores e mais conhecidos centros de culto a nível europeu.

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Principais santuários portugueses centros de peregrinação e romaria

  • Santuário de Nª Sª de Fátima,(Cova da Iria-Fátima), será, porventura o local de peregrinação que recebe mais peregrinos (portugueses e estrangeiros ao longo do ano). No perímetro do Santuário há a destacar a “Capelinha das Aparições”, a Basílica de Nª Sª de Fátima e a Basílica da SSma. Trindade.
  • Santuáruo de Nª Sª do Sameiro-Braga: é um santuário dedicado a Imaculada Conceição de Maria, no Sameiro-Braga
  • Santuário do Bom Jesus do Monte: Braga
  • Santuário de São Bento da Porta Aberta, localizado em pleno Parque Nacional Peneda-Gerês
  • Santuário de Nª Sª da Peneda, também localizado no Parque Nacional Peneda-Gerês
  • Santuário de Nª Sª da Abadia: Santa Maria do Bouro-Amares
  • Santuário de Santa Luzia (e do Sagrado Coração de Jesus): fica situado no alto do monte de Santa Luzia-Viana do Castelo
  • Santuário da Penha (em honra de Nª Sª do Carmo), no monte da Penha-Guimarães
  • Santuário de Nª Sª dos Remédios: Lamego
  • Santuário de Cristo-Rei: Almada
  • Santuário de Nª Sª da Nazaré: Sítio da Nazaré
  • Santuário de Nª Sº da Conceição de Vila Viçosa: Vila Viçosa
  • Santuário de São Torcato: Arredores de Guimarães
  • Santuário de Nª Sª da Graça- Mondim de Basto
  • Santuário de Nª Sª da Paz: Barral- Ponte da Barca
  • Santuário de Nª Sª Aparecida: Balugães- Barcelos
  • Santuário de Nª Sª do Alívio: Vila Verde
  • Santuário de Nª Sª da Franqueira (Nª Sª do Rosário): Barcelos
  • Santuário de Nª Sª do Carmo: Lemenhe – Vila Nova de Famalicão
  • Santuário do Monte da Virgem: Vila Nova de Gaia
  • Santuário/Capela do Senhor da Pedra: Vila Nova de Gaia
  • Santuário de Nª Sª da Assunção: Santo Tirso
  • Santuário de Santa Rita: Ermesinde-Valongo
  • Santuário Beata Alexandrina de Balasar – Póvoa de Varzim
  • Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres: Ilha de S. Miguel-Açores

António Costa

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