Aprender compensa

A Escola Secundária da Trofa certificou 53 adultos, com ensino básico e secundário. O director do Centro Novas Oportunidades e presidente do Conselho Executivo da escola, José Coelho Antunes, exultou o grande “orgulho” em entregar as certificações, enquanto Bernardino Vasconcelos afirmava que estes diplomas são um “instrumento que torna a cidadania mais responsável e mais rica”.

 Sandra Marques encerrou mais uma fase da sua vida. Concluiu o ensino secundário através da certificação do Centro Novas Oportunidades e deu um novo sentido à sua vida. Esta foi mais uma escolha que teve que fazer, no meio de outras escolhas que a fizeram interromper os estudos quando era adolescente. Na semana passada recebeu, juntamente com 52 colegas do CNO da Escola Secundária da Trofa, o diploma de reconhecimento de competências, e num discurso tímido, mas coerente, quis dar o seu testemunho de que, afinal de contas, “nunca é tarde para aprender” e que “todos têm capacidade de evoluir”.

O polivalente do estabelecimento, lugar onde normalmente centenas de jovens convivem durante os dias de aulas, transformou-se num espaço de homenagem a todos os cidadãos maiores de 18 anos que responderam afirmativamente ao desafio de melhorar as suas habilitações.

O CNO “faz todo o sentido”, dizia Sandra Marques, perante a concordância dos colegas que acenavam a cabeça à medida que a formanda seguia no discurso. E não é só com mais conhecimento que estas pessoas saem do CNO. Os laços de amizade também se construíram e era bem visíveis nos ruidosos aplausos que cada um recebia quando ia buscar o seu pequeno “canudo”.

Para Olívia Santos Silva, directora do CNO, estes 53 formandos, que se certificaram em ensino básico e secundário, são “verdadeiros heróis”, porque abraçaram o desafio de voltar à escola, apesar das dificuldades quotidianas, por terem família e ocupação profissional.

Os adultos certificados são uma pequena amostra dos cerca de 800 mil que se inscreveram no CNO e que contribuem para que Portugal encurte a distância para a média europeia no que respeita à escolaridade. Os números “ainda são aterradores”, considera José Coelho Antunes, director do CNO na Escola Secundária, mas não é com menos orgulho que os responsáveis encaram estas certificações. Elas servem de exemplo para o caminho que o país deverá traçar e fazer com que os actuais 8,2 de média de anos de escolaridade sejam uma miragem na educação portuguesa no futuro.

Os formadores também estavam satisfeitos e, pela voz de Estrela Silva, coordenadora do Centro no estabelecimento, confirmaram que “fora da escola também se desenvolvem competências”.

“Aprender compensa” dizia uma formadora, enquanto Bernardino Vasconcelos, presidente da autarquia, saudava os protagonistas de um “acto extraordinário” e os responsáveis da escola por adoptarem este novo instrumento de formação. “Não é fácil que as escolas interiorizem novos projectos, mas esta é um exemplo de como devem ser, viradas para fora ao serviço de todos”, sublinhou o edil.

Este diploma, na opinião do presidente da Câmara Municipal, “é um instrumento que torna a cidadania mais responsável e mais rica, pois a riqueza vem da capacidade intelectual e não nos bens materiais”. Por isso Bernardino Vasconcelos afirma que o CNO “foi das melhores coisas que se fizeram na educação em Portugal”.

Mas “a caminhada não pode ficar por aqui”, alertou Olívia Santos Silva. É premente a prossecução dos estudos, quem sabe num Ensino Superior, para que seja possível responder à altura neste “mundo em constante mudança”.

O Centro da Escola Secundária da Trofa contou com o apoio de diversas empresas e instituições, uma delas a Trofa Comunidade de Aprendentes.