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Edição 694

Chico Buarque tem ascendência de Guidões

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Recentemente, Chico Buarque pintou páginas da secção de cultura dos jornais por ter recebido o Prémio Camões. Mas, caro leitor, sabia que o cantor e escritor brasileiro tem ascendência trofense? Maria Antónia Serra, maestrina dos Meninos Cantores do Município da Trofa descobriu “há anos”, numa viagem a Terras de Vera Cruz, por um “amigo”, que lhe mostrou a “árvore geneológica” do artista.

Nela, constava como heptavó (sétima avó) Maria Gonçalves, nascida na freguesia de Guidões, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto, Portugal. A mesma árvore genealógica foi descoberta pelo NT e dá indicações que esta guidoense deverá ter vivido entre a segunda metade do século XVII e inícios do século XVIII.

Nascido a 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda, mais conhecido por Chico Buarque, tem uma ligação estreita a Portugal, não só pelos laços familiares que atravessam os séculos, mas também nas aparições para concertos e em ações políticas. Uma delas resultou numa música, “Tanto Mar”, que dedicou ao Portugal livre e democrático, após a Revolução de 1974, tendo sido, por isso, com o tempo, conotado ao comunismo, coincidentemente uma ideologia com forte presença em Guidões.

Chico Buarque venceu o Prémio Camões 2019, o prémio literário mais importante da língua portuguesa, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Além de autor de discos musicais que marcaram a segunda metade do século XX, Chico Buarque assinou oito livros e cinco peças de teatro.

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60 anos: Rancho Folclórico em festa o ano inteiro

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Ao longo do ano, o Rancho Folclórico da Trofa promove várias atividades para assinalar o 60.º aniversário.

A 2 de março, o Rancho Folclórico da Trofa assinalou 60 anos de existência. Esta é uma das associações culturais mais antigas do concelho e uma das que leva mais longe os usos e costumes de outrora das gentes trofenses.

A presidir a coletividade desde novembro de 2018, André Fernandes, apoiado pela equipa que o acompanha na direção, decidiu que as comemorações não se deviam limitar ao dia de aniversário, mas estenderem-se ao longo de todo o ano, com uma atividade mensal.

Depois da cerimónia eucarística que assinalou o aniversário, em março, da abertura do museu do Rancho, em abril, e de uma aula de zumba solidária, em maio, o Rancho prepara uma homenagem, no sábado, 1 de junho. A celebração eucarística de ação de graças pelos 60 anos da coletividade terá lugar na Capela Nossa Senhora das Dores, às 17.45 horas, seguindo-se uma romagem ao cemitério para um tributo aos componentes e dirigentes falecidos.

No dia 9 de junho, integrado nas festas em honra do Divino Espírito Santo, o Rancho Folclórico da Trofa promove um festival, no Parque Nossa Senhora das Dores, que contará com a atuação do Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Arcozelo” e do Rancho Folclórico S. Miguel-o-Anjo.

Para 21 de julho, às 16 horas, está marcada uma recriação das antigas lavadeiras, no Rio Ave, junto à Urbanização da Barca. A 3 de agosto, realiza-se o Folc.Trofa, festival anual da coletividade.

Atualmente com 57 componentes, o Rancho Folclórico da Trofa tem cerca de 30 saídas previstas para 2019.

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Reabilitação do museu foi um dos compromissos

A 28 de abril, com a abertura do museu do Rancho, André Fernandes cumpriu um dos objetivos do mandato, que assumiu após “vários pedidos” para apresentar lista. A base do trabalho que iniciou em outubro de 2018 é “dar mais visibilidade ao grupo” e “fazer com que tenha mais atuações”. “Isso está conseguido. Queríamos também aumentar o número de jovens e também conseguimos. Agora, falta preparar os eventos que temos e começar a estudar uma ida até à Madeira”, revelou, em entrevista ao NT.

Relativamente ao museu, localizado na sede do Rancho, na Urbanização da Barca, foi alvo de uma profunda reabilitação, com vista “ao tratamento das madeiras e do espólio”, incluindo “lenços e trajes”.

A recriação de uma cozinha é uma das peças mais queridas da coletividade, pelo realismo da caracterização.

O espaço está aberto ao sábado e há possibilidade de abrir noutros horários, mediante marcação prévia. O Rancho Folclórico da Trofa pode ser contactado através do Facebook, rede social que começou a explorar com mais frequência, para chegar mais perto da comunidade.

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Guidões desceu a Lisboa para lutar pela freguesia

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A população de Guidões, que foi a primeira freguesia do concelho da Trofa a lutar e a dizer não à agregação, luta agora para conseguir ver a sua freguesia ser desagregada de Alvarelhos.

Esta quarta-feira a Comissão de luta pela Reposição da freguesia de Guidões, representada por oito elementos, que agrega pessoas com e sem filiação partidária, de vários quadrantes políticos rumou a Lisboa onde foram recebidos pelos deputados do PS Joana Lima e Renato Sampaio, do PSD foram ouvidos por Germana Rocha, do PCP o deputado Jorge Machado e o trofense Agostinho Lopes ouviram as pretensões dos Guidoenses.

Já por parte do partido Ecologista Os Verdes coube a Joaquim Machado e Mariana Silva receber a comissão e ouvir os seus anseios e do Bloco de Esquerda Joao Vasconcelos recebeu o grupo de guidoenses e associar-se às suas pretensões.

Nuno Moreira da Comissão, adiantou ao NT que “todos os grupos parlamentares, com exceção do CDS, que não respondeu ao pedido de audiência, nos receberam e se manifestaram a favor da nossa luta, que reconhecem ser justa”. Nesta viagem a Lisboa a comissão foi representada por Nuno Moreira, Rosária Carvalho, Manuel Araújo, Joaquim Ferreira, Gracinda Araújo, Ana Sousa e José Manuel Lopes.

Agora, e mais de cinco anos após a agregação, o Governo prepara-se para apresentar proposta de lei para permitir que parte das freguesias agregadas à força possam agora tornar-se, de novo, independentes. Para isso e logo à partida, as freguesias então extintas têm de ter pelo menos 1150 eleitores inscritos, mas nas localidades mais afastadas (a dez quilómetros em linha reta) da sede do município, o Governo baixa esse requisito populacional e admite que possam desagregar-se com 600 eleitores.

A Associação Nacional de Municípios (ANMP) deliberou esta terça-feira dar parecer negativo à proposta do Governo de alteração do regime jurídico de criação de freguesias, por considerar ser “prematuro” avançar sem a realização de estudos suficientes para fundamentar a alteração.

“O projeto que nos foi apresentado pelo Governo precisa de ser melhorado, dado que levaria, no prazo de 10 anos, à extinção ou fusão de freguesias, com base em parâmetros e critérios que nos parecem inadequados”, disse aos jornalistas o presidente da ANMP, Manuel Machado.

Segundo o dirigente e presidente do município de Coimbra, esta matéria “merece profunda reflexão, com o objetivo essencial de melhorar os serviços públicos e o poder local democrático junto das nossas comunidades, pelo que qualquer mexida precipitada pode criar danos as populações”.

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O NT sabe que na proposta do Governo que foi já enviada à ANAFRE constam vários critérios, alguns dos quais considerados obrigatórios, mas ainda é aguardado parecer formal.

O mapa atual de 3092 freguesias poderá alterar-se nos próximos anos por vontade dos autarcas. No entanto, o diploma do Executivo do PS obrigará a novas fusões daqui a uma década. Os critérios definidos para a criação de novas freguesias também têm de ser cumpridos pelas juntas existentes.

O futuro regime jurídico permitirá o fim da fusão de algumas das 1168 freguesias agregadas em 2013. Além disso, autoriza a “agregação da totalidade ou de parte de duas ou mais freguesias” no mesmo concelho e de juntas que pertençam a municípios distintos se for essa a vontade da maioria dos autarcas eleitos.Para que a fusão ou a desagregação seja concretizável, cada freguesia terá de cumprir cumulativamente cinco critérios: prestação de serviços à população; eficácia e eficiência da gestão pública; população e território; história e identidade cultural; e representatividade e vontade política da população. Estes critérios subdividem-se em requisitos que a proposta de lei do Governo detalha.

Desde logo, as novas freguesias são obrigadas a ter 2% ou mais dos eleitores do respetivo município – nunca menos de 1150 eleitores. A única exceção é para localidades a mais de dez quilómetros da sede do concelho. Para essas, o número mínimo é 600.

O território da autarquia tem de ser contínuo, correspondendo entre 2 e 20 por cento da área municipal. Todas as juntas têm de dispor de uma sede adequada e, no mínimo, de dois trabalhadores no quadro.

Na prestação de serviços à população, só poderão ser autonomizadas as freguesias que disponham de cinco destas sete valências: cemitério, extensão de saúde, farmácia ou parafarmácia, equipamento desportivo, equipamento cultural, jardim público com parque infantil ou outro espaço lúdico infantojuvenil e mercado.

A proposta de lei determina ainda a existência de serviço de proteção social a idosos e de uma “coletividade que desenvolva atividades recreativas, culturais, desportivas ou sociais”. Neste lote de três requisitos, o diploma não esclarece se é obrigatório cumprir todos ou não.

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