Edição 773
Centro de hemodiálise e creche avançam na cidade
Com um horizonte de investimentos a superar os seis milhões de euros, a provedoria da Santa Casa da Misericórdia da Trofa prepara-se para melhorar as instalações em S. Martinho de Bougado e erguer projetos de que o concelho carece.
Com um horizonte de investimentos a superar os seis milhões de euros, a provedoria da Santa Casa da Misericórdia da Trofa prepara-se para melhorar as instalações em S. Martinho de Bougado e erguer projetos de que o concelho carece.
Num terreno situado junto à rotunda com a escultura “Família”, na nova Distribuidora XXI, em S. Martinho de Bougado, vai nascer um centro de hemodiálise. A Santa Casa da Misericórdia assumiu o investimento, que rondará os dois milhões de euros e dará ao concelho uma valência atualmente inexistente.
Segundo o vice-provedor Júlio Paiva, este projeto “era uma das grandes ambições, primeiro para potenciar a sustentabilidade financeira da instituição e depois porque há muitos trofenses que vão fazer tratamentos para fora do concelho”.
O centro vai ser construído no terreno da “antiga casa da Assunção”, como era conhecida. “Tínhamos outros terrenos onde o podíamos construir, nomeadamente em Alvarelhos, mas optamos por instalar esta valência na cidade, por causa da centralidade”, justificou.
Recentemente, a Misericórdia assinou acordo de parceria com a Diaverum, empresa que vai gerir o centro, com capacidade para “20 utentes”. “O acordo que temos é que dentro de 24 meses o edifício estará pronto para podermos tratar do licenciamento e consequente entrada em funcionamento”.
Mas o plano de investimentos da instituição não se resume a este projeto. Junto às principais instalações, em S. Martinho de Bougado, vai ser construída uma creche, com capacidade para acolher 50 crianças. O provedor Alfredo Gomes revela que esta é a resposta da instituição à “enorme carência” que existe, atualmente, no panorama concelhio. Júlio Paiva complementa a ideia, referindo, que a nova estrutura “não será suficiente para cobrir, integralmente, a atual procura”.
“A ideia era descentralizar este serviço, construindo a creche em Alvarelhos – e não está fora de hipótese -, mas no centro da Trofa há muitos jovens casais que não têm onde deixar os filhos”.

Alvarelhos não receberá a creche, mas não ficará sem nenhum investimento. Metade do financiamento da Misericórdia para esta revolução no apoio à comunidade vai canalizar-se naquela freguesia, com o novo lar residencial. “O orçamento ultrapassará os três milhões de euros. Candidatamos o projeto a fundos do Plano de Recuperação e Resiliência de um milhão, setecentos e setenta mil euros e também teremos apoio da Câmara Municipal da Trofa, que canalizará o subsídio que estava previsto para o Centro Comunitário de Alvarelhos”, explicou Júlio Paiva.
O lar residencial terá capacidade para 60 utentes e enquanto os serviços de cozinha e lavandaria estarão centralizados nas atuais instalações, as características de acolhimento serão “muito inovadoras”. “Todos os quartos terão acesso ao exterior, os quartos duplos terão divisões e as casas de banho, apesar de partilhadas, terão dois acessos, para privilegiar a privacidade de cada utente. O edifício será feito para privilegiar o contacto com a Natureza. Como temos uma parte virada para o pinhal, aproveitamos para criar jardins terapêuticos. A ideia é darmos aos utentes a sensação de que estão em casa, contando com todo o apoio necessário”, detalhou o vice-provedor.
“Eu tomei posse em 2020 e ainda tenho mais dois anos pela frente, mas estamos com muita vitalidade e com projetos para executar entre dois a quatro anos”.
Alfredo Gomes, provedor da Santa Casa da Misericórdia da Trofa
Atuais instalações também vão sofrer obras
Já no espaço onde são acolhidos, atualmente, cerca de 110 utentes em lar residencial e 150 em apoio domiciliário, as melhorias também estão em marcha.
Segundo Alfredo Gomes, as duas novas residências vão ser ligadas através de uma estrutura pedonal e o antigo lar Imaculada Conceição será demolido para privilegiar a vista para o rio e dar lugar a um salão multiusos e um espaço de culto religioso. Os jardins também vão sofrer alterações para facilitar a mobilidade.
No futuro, a instituição também quer “alargar o serviço de apoio domiciliário”, porque, salientou Júlio Paiva, “há muitas pessoas que querem ficar nas suas casas até ao final da vida”. “Nós queremos chegar a todos os que precisarem de ajuda”.
À responsabilidade de dar à comunidade o que ela precisa, a instituição procura, igualmente, assegurar a sustentabilidade financeira que lhe garanta manter os padrões de qualidade.
“A eficiência energética é uma das nossas preocupações. Queremos que os edifícios que vamos construir tenham o menor custo possível no consumo energético, por isso a creche, o salão multiusos e sala de oração vão ser feitos tendo em conta esse aspeto, num patamar que tornará a Santa Casa da Misericórdia diferenciadora a nível nacional”.
Júlio Paiva, Vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia da Trofa


