Foi com o espetáculo “Lusofonias” de Carlos Alberto Moniz, que se encerrou mais um Encontro Lusófono. Durante a semana, milhares de pessoas passaram pela Casa da Cultura.

A noite de sábado, dia 12, foi o culminar de uma semana repleta de atividades, que pretendia enaltecer a cultura dos países de língua oficial portuguesa. Foi num momento intimista de partilha de histórias e música, que Carlos Alberto Moniz abrilhantou a última noite da iniciativa, que teve casa cheia, através do seu mais recente trabalho: “Lusofonias”. Um espetáculo que se enquadrou “perfeitamente no espírito deste certame”.

Durante o espetáculo, o cantor interpretou canções, poemas e melodias dos oito países de língua oficial portuguesa, que foram inspirados em “grandes poetas da lusofonia”. “Poema para a Negra”, “Para lá da praia”, “Búa Pombinha Mansa”, “Lenço dos Namorados” e “Despedida” de diferentes autores, entre eles o timorense Xanana Gusmão, o angolano Geraldo Bessa Victor e o cabo-verdiano Horácio Vieira dos Santos, foram alguns dos temas que passaram pelo palco.

Carlos Alberto Moniz ficou “muito contente” por ter sido convidado a participar nesta iniciativa, tendo sentido “uma honra poder fechar um certame desta categoria”. Frisou ainda que não foi “o artista, mas sim o moderador desta reunião, em que houve uma partilha de afetos”. “Senti no palco que havia um sorriso agradável, as pessoas estavam a comungar do mesmo compromisso que é o respeito pela Língua Portuguesa e pela nossa cultura”, afirmou, sublinhando que lhe agradou sentir em palco a energia transmitida pelo público.

O cantor referiu ainda que o seu prazer é andar pelas comunidades portuguesas, onde, através da mesma língua, consegue falar, “trocar ideias, frases e afetos, tudo à volta de uma língua: a Portuguesa”. Ao longo de uma semana, a Casa da Cultura da Trofa reuniu escritores, ilustradores, contadores de histórias e cantores dos países lusófonos, tal como Anabela Mimoso, Daniel Marques Ferreira, Manuela Costa Ribeiro, Maria João Lopo de Carvalho, Regina Gouveia, Sónia Borges, Vanda Furtado Marques, Hélder Castro, Clara Haddad, Joaquim de Matos Pinheiro, Miguel Azevedo, Ivo Machado e Cristina Vilarinho, que apresentaram os seus trabalhos perante mais de cinco mil alunos e professores das escolas do concelho. Foi o caso dos alunos do 1º e 2º ano da EB1/JI da Lagoa, que conheceram, na sexta-feira, dia 11 de maio, o autor da obra “O Primeiro Gomo da Tangerina”.

Trata-se de Sérgio Godinho, que largou a viola e esteve na Trofa para participar neste encontro como escritor. A presença do artista esteve marcada para o ano passado, mas um contratempo de ordem pessoal, adiou a visita para 2012. Durante este momento de partilha, os alunos quiseram conhecer um pouco melhor o autor da história, que abordaram durante as aulas.

Sérgio Godinho, que por várias vezes já participou “neste tipo de atividades”, afirmou que estes encontros com o autor são “muito importantes” para as crianças, pois “humaniza a literatura”. O facto de gostar muito de conversar com os miúdos, tornou esta “interação natural”.

Para o escritor os benefícios destas atividades é “o prazer de as crianças estarem juntas” e conhecerem e conversarem com alguém que para eles só existia em abstrato, num livro, pois é através da conversa que têm, “que se aprende e cresce”. O escritor aproveitou para conhecer “minimamente” esta atividade e a Casa da Cultura, frisando que é “muito importante” ter um espaço onde seja dinamizada a cultura. Sérgio Godinho asseverou que se vai encarregar de promover o Encontro Lusófono pelo País. 

A Casa da Cultura acolheu, ainda, vários workshops, desde jogos tradicionais a teatro, e ainda espetáculos noturnos, desde dança, teatro, dramatização de histórias e música, organizados pelos Agrupamentos de Escolas do Castro, de Coronado/Covelas e da Trofa. Assis Serra Neves, vereador do pelouro da Cultura, fez um “balanço positivo” desta iniciativa, que frisou ser “fundamental” para atrair mais a comunidade à Casa da Cultura.

“A Trofa foi realmente a capital da lusofonia. Passaram por aqui mais de quatro mil pessoas. Valorizo naturalmente toda a gente, mas, sobretudo, a participação de toda a comunidade escolar, que colaborou e animou durante toda a semana este nosso encontro”, asseverou.

O vereador do pelouro da Cultura espera “continuar a apostar” nesta iniciativa, que já é considerada uma imagem de marca do concelho. Além disso, estas atividades têm atraído cada vez mais a comunidade à Casa da Cultura.

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