O Senhor Primeiro Ministro, em visita ao Porto para inaugurar a linha de Metro até ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, acabou por confirmar o que já tinha sido pré-anunciado – a 1ª fase do Metro fechar-se-á com as obras em curso, com excepção da Extensão até Laborim – V.N.Gaia.

Para os responsáveis governamentais está pois, fora de causa, o prolongamento da linha do ISMAI até à Trofa. O Primeiro-Ministro disse ainda, que qualquer novo investimento no Metro do Porto só se realizará depois de concluídos os estudos económicos e de mobilidade que validarão as opções prioritárias.

São péssimas notícias para a Trofa a que urge, no entanto, reagir. Uma reacção firme e descomplexada, com liderança política forte pois tudo o que não precisámos é que nos transformem nuns coitadinhos a que é necessário acudir. Temos que exigir respeito e sentido de responsabilidade a quem nos governa.

foto_dr1._joao_s__01022006.jpgEm todo este imbróglio, há duas questões a que, na minha opinião, a Câmara Municipal da Trofa deve responder:

– O que é possível fazer para podermos ainda inverter este decisão, aparentemente definitiva, sobre o abandono da linha do metro?

– Como pensa o Executivo resolver, caso se confirme a não vinda do Metro, toda a requalificação do miolo urbano da nossa cidade, atacando os graves problemas de mobilidade e o trânsito caótico que diariamente aflige milhares de trofenses e quem nos visita?

Estas são questões que , estou certo, todos os trofenses gostariam de ver respondidas.

É muito importante envolvermos todos nas posições a assumir. Quando o fizemos, conseguimos resultados que muitos consideravam inatingíveis – veja-se a luta do concelho ou a batalha da Refer. Não me conformo que a solução seja baixarmos os braços ou lutarmos por outros investimentos abandonando o Metro. Há muitos investimentos importantes que, no entanto, não substituem este.

Julgo igualmente imperioso, que o Executivo Municipal apresente estudos técnicos que do ponto de vista da mobilidade e da análise custo/benefício validem a opção de construção da linha até à Trofa. É muito importante que, a par de uma liderança política forte demonstremos competência técnica.

Este é um dos momentos em que temos de mostrar o que valemos. Os líderes políticos têm não só a incumbência de nos representar mas de definirem a estratégia envolvendo–nos na sua concretização.

O pior sentimento que podemos transmitir quando surgem dificuldades como esta, é a resignação. E não esqueçamos que esse estado de espírito se transmite rapidamente à população. A Trofa tem inúmeros problemas, dificuldades e desvantagens comparativas em relação aos municípios que nos circundam; mas temos obrigação de as transformar em desafios e oportunidades.

Não pode pois a Câmara Municipal da Trofa ficar bloqueada demonstrando não ter estratégia. Tem que reagir com força e determinação não temendo as consequências pois, em primeira instância, está a defesa dos superiores interesses da população.

João Moura de Sá