Na passagem de mais um aniversário, o sétimo, da Criação do Concelho da Trofa, foi notória a fraca mobilização dos Trofenses em relação às cerimónias oficiais. Estas, não deveriam ser de “preenchimento de agenda” mas populares, do Povo e para o Povo, pois foi ele o grande obreiro do nascimento deste nosso Concelho e sem ele, ainda hoje estaríamos noutra “comarca”.

Talvez tenha sido o ano em que o cidadão anónimo mais se alheou, não da data, mas das cerimónias, aliás o que tem vindo a acontecer de ano para ano, contrastando com o almoço à margem das primeiras páginas dos jornais locais e das festividades oficiais que é o almoço do “núcleo duro” do Secretariado Permanente da Comissão Promotora do Concelho da Trofa que já vai no sétimo ano consecutivo que esta dúzia de ”Bravos da Trofa” se encontram para reviver, e não só, os anos de sofrimento e luta que antecederam o nascimento mas que sem eles ainda hoje seríamos aquilo que não queríamos ser.

Este ano, o dia 19 de Novembro foi ao Sábado e talvez por isso, os elementos da referida Comissão tiveram mais que tempo para conviver. Isso permitiu algumas conversas interessantes que não aconteceram nos anos anteriores. Com muita vontade e total disponibilidade, foi mais uma tarde para colocar as conversas em dia e reviver alguns momentos fortes de há sete anos e de outros que antecederam essa histórica data.

Nenhum elemento da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, quer algo para si…! Não, não é verdade! O que estes “Bravos da Trofa” querem é o melhor para o Concelho que tudo fizeram para nascer. Não há um só elemento desse grupo que esteja em lugar político, no Município da Trofa.

A imprensa local, o poder municipal e até os partidos da Trofa, quiseram “relegar” para segundo ou terceiro plano esses “bravos”. Ou será que foram eles que se deixaram embalar pelas “pantufas” e se “auto-relegaram”, deixando a porta aberta a todo o tipo de gente que sem qualquer pejo se instalaram nas cadeiras do poder? A verdade é que já nem sequer são convidados (aliás, nunca foram, exceptuando no primeiro aniversário) para as tais cerimónias oficiais a que o Povo não comparece.

São opções e as opções dos “Bravos da Trofa” que fizeram parte da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, só a eles diz respeito. A opção do Poder é a opção de quem tem, temporariamente, o poder. Só isso!

Ainda há-de ser escrita a verdadeira história da Criação do Concelho da Trofa e para isso acontecer tem, obrigatoriamente, de ter a colaboração estreita e profunda desses “Bravos da Trofa” que mesmo perdendo amizades e ganho inimigos, mesmo dentro dos partidos políticos de que faziam parte, nunca baixaram os braços.

É bom lembrar que dentro dos partidos da Trofa, sempre houve gente que estava contra essa antiga, mas muito nobre luta e ainda hoje, esses “Bravos da Trofa” talvez sofram “na pele” esse desgaste tão violento que foi: terem no seio da “sua própria família politica” verdadeiros inimigos da “Criação do Concelho da Trofa”. Tantos que “remavam para trás”?!? “Ninguém pode atirar pedras, pois, nesta matéria, todos os partidos têm telhados de vidro”!

A história terá que ser feita, com dignidade e verdade dos participantes directos, sem patrocínios que possam provocar esquecimentos de factos importantes ou mesmo adulterar e desvirtuar a realidade dos factos. O assunto é sério demais para poder andar ao sabor de quem quer que seja, muito menos de alguns interessados em fazer parte duma história que lhes passou ao lado ou que não quiseram fazer parte dela. Para bem do passado, do presente e do futuro da Trofa, a história a que temos direito, o mais depressa possível!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt