Edição 776
A caminhar com Alegria, Trofa recebeu os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude
Trata-se de um “momento único na vida de Portugal”, que marcou também a vida da vigararia Trofa/Vila do Conde. Depois de chegarem à diocese do Porto, a 1 de outubro, os símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude estiveram em território trofense, envoltos de grande entusiasmo, a 24 e 25 de outubro.
Depois de uma viagem num autocarro panorâmico, que percorreu as ruas do concelho, passando por várias instituições, o “ponto alto” deu-se na Caminhada da Alegria, com mais de meio milhar de participantes. Uma manifestação popular que fez o vigário padre Luciano Lagoa admitir viver “um dos momentos mais felizes” da sua vida.
Tivemos aqui gente de todas as paróquias da vigararia, ou seja, das oito freguesias do concelho da Trofa e também das 20 freguesias do concelho de Vila do Conde, o que me apraz registar, num sinal de unidade muito interessante. Aliás, os símbolos são um sinal de unidade e pretendem agregar toda a gente, mesmo as pessoas que não são cristãs, porque, no fundo, a cruz é símbolo de paz e de harmonia e todos podem comungar nestes ideais”, começou por dizer o sacerdote em entrevista ao NT e à TrofaTv.
Para Luciano Lagoa, “os jovens e os menos jovens souberam dar o devido valor” àquela que poderá ser a “única ocasião” de ter os símbolos em Portugal.
Entre a Igreja Matriz de Santiago de Bougado e o Parque Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro, a vigararia Trofa/Vila do Conde deu, assim, um bom contributo para que a receção dos símbolos na diocese esteja a orgulhar os responsáveis canónicos.
O padre José Ricardo Dias, pároco de Muro, foi um dos mais dinâmicos entre a organização. O suor que escorria pelo rosto eram prova disso e o sorriso reflexo do “grande orgulho” da “manifestação de fé” dada pela comunidade.
“Queríamos que as pessoas pudessem exprimir e mostrar aos outros que têm alegria de ser cristãos e de viver esta fé. Estamos felizes por termos conseguido concretizar esta grande caminhada com tanta gente, que superou as nossas expectativas”, acrescentou.
Para o padre Jorge Nunes, responsável pelo Comité Organizador Diocesano do Porto, a Trofa deu mostras do que é “ser Porto”. “Não estamos a ser mais do que aquilo que era esperado, porque nós somos assim, sabemos acolher, e acolher bem, o nosso coração ferve e alegra-se com esta manifestação, mas é mais uma igual a tantas outras desde que os símbolos chegaram à nossa diocese”, sublinhou o sacerdote.
Após a caminhada, os símbolos ficaram na Capela de Nossa Senhora das Dores durante a noite, partindo, no dia seguinte para uma passagem por vários pontos de referência do concelho. Com recurso a um autocarro panorâmico, a Cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani passaram por associações, coletividades culturais e desportivas, escolas e instituições de solidariedade social. O último momento dos símbolos sob a chancela da vigararia aconteceu em Covelas, quando estes foram entregues a Santo Tirso, na tarde de 25 de outubro.
Famílias de acolhimento procuram-se para receber jovens
Depois da peregrinação dos símbolos, o contributo da comunidade não encerra por aqui. Apesar de as Jornadas Mundiais da Juventude acontecerem em Lisboa, de 1 a 6 de agosto, há outras tarefas a cumprir, por isso, famílias de acolhimento procuram-se para receber os milhares de jovens que chegam a Portugal uma semana antes do evento.
Segundo Luciano Lagoa, as inscrições para participar nas Jornadas já estão a ser organizadas pelas paróquias, assim como começa a ser divulgada a necessidade de se acolher os participantes estrangeiros, que chegam mais cedo para integrarem uma espécie de “pré-jornadas”.
Na diocese do Porto são esperados “cerca de cem mil jovens” e a Trofa, “pela sua proximidade à cidade portuense e facilidade de transporte” assume-se como local com potencial para receber muitos deles. “Temos um coração aberto e largo para acolher”, apelou Luciano Lagoa.
Já pela experiência do padre Jorge Nunes pelos relatos vindos de jovens portugueses que participaram nas edições anteriores das Jornadas, o “sentimento” é de que “o mais marcante são os dias das pré-jornadas, pela proximidade com as famílias de acolhimento, com as pequenas comunidades e com a vida de uma determinada diocese”. “Esta é uma oportunidade única para a nossa diocese receber jovens que vêm de todos os pontos do mundo”, asseverou.


