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Trofa debate o futuro dos rios

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A Trofa acolheu o 6.º Fórum do Ambiente, dedicado ao tema “Restauro e Conservação de Ecossistemas Ribeirinhos”. A iniciativa, promovida pelo Município no Auditório do Fórum Trofa XXI, reuniu especialistas, investigadores e representantes de vários municípios para discutir soluções para a recuperação dos rios, num território marcado pelos riscos de cheias e pela pressão sobre os recursos hídricos.

O programa incluiu a apresentação do Plano Nacional de Restauro da Natureza, por Sandra Sarmento, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e uma intervenção de Pedro Teiga, da Universidade do Porto, sobre soluções de base natural. Foi ainda apresentado o Plano Estratégico de Recuperação do Rio Leça 2020/2030, da Associação de Municípios do Corredor do Rio Leça e uma apresentação relacionada com o “Futuro do Rio Ave”, que contou com autarcas da Trofa, Famalicão, Santo Tirso e Vila do Conde, além de Aníbal Costa, da Universidade de Aveiro.

Em declarações à margem do fórum, José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), alertou que mais de 100 mil portugueses vivem em áreas inundáveis, distribuídas por mais de uma centena de municípios. A prioridade, defendeu, é a prevenção, com a recusa de novas construções em zonas de risco, a que se segue a gestão das cheias, através de bons modelos de previsão. Com o modelo do IPMA e a modelação de cada bacia hidrográfica, a APA consegue saber, com cinco a seis dias de antecedência, que área será atingida, o que permite emitir alertas mais precoces.

O responsável apontou ainda a necessidade de adaptar os territórios de risco, com bacias de retenção e diques, e lembrou que o país está já no terceiro ciclo de planeamento. Depois de dois meses de precipitação recorde no início do ano, seguidos de um período muito seco e quente, avisou que “podemos voltar a ter mais um episódio extremo”.

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Leça e Ave

Sobre o rio Leça, que vai de Santo Tirso à foz e sofreu forte pressão urbana e industrial, Pimenta Machado explicou que o trabalho passa por identificar as fontes de poluição e dar-lhes resposta. Estão identificadas três grandes ETAR (Ermesinde, Parada da Maia e Ponte Moreira). A de Ponte Moreira, adiantou, já está em obra e a de Ermesinde deverá arrancar em breve. O Leça, disse, “está a ser vítima do sucesso” do aumento da população, que sobrecarrega as estações de tratamento. “Não há aqui uma bala de prata”, afirmou sobre o trabalho realizado pela Associação de Municípios criada para recuperar aquele curso de água, defendendo que é preciso “criar consciência, estudar, definir as medidas e depois concretizar”.

Quanto ao rio Ave, o presidente da APA recordou que já foi “o rio da moda”, que mudava de cor conforme as tendências da indústria têxtil, o que já não acontece. Considerou, porém, que a praga de jacintos-de-água são “um sintoma” de que o rio não está bem, com poluição orgânica e excesso de nutrientes. A resposta passa por melhorar as redes de tratamento e intercetar os esgotos que afluem ao rio, um trabalho “contínuo”, a desenvolver com os municípios.

Trofa promete intervenções

O presidente da Câmara da Trofa afirmou que o concelho está “claramente comprometido” com a reabilitação dos recursos ribeirinhos, desde logo a partir do trabalho feito este ano com outros municípios para travar a praga dos jacintos-de-água no Ave. Sérgio Araújo anunciou que ainda em outubro avança a limpeza das margens e dos ribeiros que desaguam no rio, intervenção que, além de limpar, permitirá o desassoreamento e ajudará a proteger o concelho de futuras cheias.

O município recebeu recentemente 100 mil euros do Governo, na última fase do programa Territórios Resilientes, destinado a recuperar áreas afetadas pelos fenómenos meteorológicos extremos do início do ano. Esse valor, a que se juntarão verbas próprias da autarquia, servirá para a reabilitação de uma parte do Parque das Azenhas, em mau estado há algum tempo. Em equação está também o prolongamento do passadiço junto ao Ave, a montante.

Sobre a responsabilidade na execução dos planos, o presidente da Câmara da Trofa defendeu que os municípios “estão disponíveis para ser parte da solução”, mas que não se podem substituir ao Estado central, a quem cabe também manter a saúde dos rios. “Seremos sempre parceiros do Estado central”, sublinhou Sérgio Araújo, que elogiou a presença do presidente da APA no concelho como sinal de proximidade com as autarquias. Reconhecendo que Portugal é um país de “muitos projetos e pouca execução”, o autarca considerou que só o trabalho conjunto permitirá que os projetos saiam da gaveta e passem a obras no terreno. Como exemplo, apontou a bacia de retenção nas Pateiras, cujo projeto de execução está a ser ultimado e que será desenvolvida com a APA e o Estado central. “Depois de as máquinas estarem no terreno, as pessoas passam a acreditar que vai ser uma realidade”, rematou.

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