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Portugal já sabe o que está errado

Diamantino Costa

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Há países que não crescem. Portugal tem um problema talvez mais desconcertante: cresce, cria emprego, recebe investimento, beneficia de fundos europeus, e continua sem conseguir aproximar-se verdadeiramente dos países mais prósperos da Europa.

Um estudo recente da Business Roundtable Portugal dá-lhe um nome particularmente feliz: “Crescer sem convergir”.

Os números explicam o paradoxo. Em 2025, Portugal tinha mais de cinco milhões de pessoas empregadas e uma taxa de emprego de 79,6%, superior à média da União Europeia. Entre 2015 e 2025, o PIB real cresceu 26%, também acima dos 19,3% da UE.

Parece uma história de sucesso. Até olharmos para a produtividade.

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Em 2000, a produtividade portuguesa por hora trabalhada correspondia a 67,6% da média europeia. Em 2025, era de 66,9%. Em vinte e cinco anos não convergimos. Passámos do 17.º para o 24.º lugar da União Europeia.

Outros fizeram o caminho que nós não fizemos. A Estónia passou de 38,3% para 73% da média europeia; a Polónia, de 45,7% para 68,6%; a Chéquia, de 61,1% para 78,4%. Portugal passou de 67,6% para 66,9%.

Não é, portanto, uma fatalidade.

O problema está também na forma como crescemos. Criámos muito emprego, mas demasiado em atividades de baixo valor acrescentado. Desde 2011, os serviços empresariais criaram cerca de 154 mil postos de trabalho, com um VAB de 30,2 mil euros por trabalhador. O alojamento e restauração criou cerca de 128 mil, com 26,3 mil euros. Nas tecnologias de informação e comunicação são 61,8 mil euros por trabalhador.

Todos os empregos têm dignidade. Mas nem todos produzem o mesmo valor. Um país não enriquece apenas acrescentando trabalhadores. Enriquece quando cada hora trabalhada produz mais.

E, com uma taxa de emprego próxima dos 80% e uma população envelhecida, esse modelo aproxima-se dos seus limites. O próximo salto terá de vir da produtividade.
Isso significa investimento, tecnologia, qualificações, melhor gestão, empresas capazes de ganhar escala e um Estado que não transforme cada investimento numa corrida de obstáculos.

Também aqui os números são incómodos. Mais de 93% das empresas portuguesas são microempresas e apenas 0,3% são grandes. O VAB por trabalhador ronda os 26 mil euros numa microempresa e os 63 mil numa grande.

Não significa que pequeno seja mau. Significa que devemos perguntar porque têm tantas empresas dificuldade em crescer e se a fiscalidade, a burocracia, o financiamento e a regulação não acabam demasiadas vezes por dificultar esse crescimento.

Há ainda os salários. Em 2024, cerca de 21% dos contratos por conta de outrem tinham remuneração equivalente ao salário mínimo; em 2002 eram aproximadamente 5%.

Aumentar os salários mais baixos é desejável. Mas uma economia não pode fazer depender a melhoria dos rendimentos apenas do salário mínimo. Sem produtividade, a base sobe e o restante tecido salarial tem dificuldade em acompanhá-la. Produzimos uma espécie de procrustização salarial: aproximamos remunerações, não porque todos estejam a produzir mais e a ganhar melhor, mas porque os salários intermédios têm dificuldade em afastar-se dos mais baixos.

E depois admiramo-nos que tantos jovens qualificados procurem fora aquilo que a nossa economia não lhes oferece.

Talvez o mais inquietante neste estudo seja, porém, aquilo que não tem de novo.
Mudam os autores, as instituições, as metodologias e até as sensibilidades políticas. Mas regressam sempre as mesmas palavras: produtividade, investimento, dimensão das empresas, fiscalidade, qualificações, burocracia, justiça, energia e previsibilidade.

As soluções também são conhecidas: mais investimento produtivo, mais capital por trabalhador, menor tributação do trabalho, empresas com maior escala, maior peso de atividades de elevado valor acrescentado e um Estado mais simples e previsível.

Podemos discutir como chegar lá. Haverá diferentes respostas políticas e económicas. O que começa a ser difícil é continuar a discutir o diagnóstico.

Portugal não está parado. Cresce. O problema é que os outros também avançam — e alguns muito mais depressa.

Talvez devêssemos, por isso, celebrar menos cada décima do PIB e perguntar mais: quanto produzimos por hora? Quanto investimos por trabalhador? Quantas empresas conseguimos fazer crescer? Que empregos criamos? Que salários conseguimos pagar?

Porque o verdadeiro fracasso não é crescer pouco num determinado ano.

É passar vinte e cinco anos a crescer sem sair praticamente do mesmo lugar. Portugal já sabe o que está errado. O que começa a faltar não é outro diagnóstico. É fazer alguma coisa com ele.

Artigo de opinião de Diamantino Costa

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