Trofa
Assembleia Municipal da Trofa aprova contas de 2025
A Assembleia Municipal da Trofa aprovou, esta terça-feira, 28 de abril, o relatório e contas do Município referentes a 2025, com os votos favoráveis do PSD, CDS-PP, do movimento independente “A Trofa é de Todos” (TDT) e do PS. Os dois eleitos do Chega abstiveram-se.
A discussão ficou marcada por uma avaliação globalmente positiva dos indicadores financeiros, embora com reservas quanto à execução da despesa no último ano do ciclo autárquico 2021-2025.
Em representação do PSD, Alvarim Oliveira destacou a evolução dos principais indicadores, afirmando que “os números demonstram de forma clara que a coligação Unidos pela Trofa deixou o concelho financeiramente mais sólido, com maior capacidade de investimento, com contas equilibradas e obra concretizada”. O eleito sublinhou a redução da dívida para “inferior a 15 milhões de euros”, quando em 2021 ultrapassava os 20 milhões, bem como o crescimento dos fundos próprios para 127 milhões de euros.
Ainda assim, apontou reservas quanto à execução orçamental, que “reduz drasticamente para 74%”, contrastando com anos anteriores, admitindo que “fica a sensação que não se executou obra para ter dinheiro no banco”.
Também Paulino Macedo, do movimento independente A Trofa é de Todos (TDT) – criado pelo ex-presidente da Câmara António Azevedo, responsável político pelo ciclo de governação a que dizem respeito estas contas – destacou a consistência dos resultados apresentados, referindo que o documento “evidencia a consolidação de uma estratégia de gestão municipal assente no rigor, responsabilidade e na orientação para os resultados”.
O eleito pelo movimento independente sublinhou os valores da execução orçamental, que se traduziu em “51.944.000 euros de receita e 44.887.000 euros de despesa”, que resultam num “saldo positivo de 7.067.000 euros”. Paulino Macedo evidenciou também a redução da dívida: “O município da Trofa, que foi dos mais endividados do país, que segundo alguns diziam estava na falência, apresenta agora uma dívida de 14.444.000 euros, representando um índice de 48%, mas pode ir a um limite máximo de 45.943.000 euros”.
Da análise do documento, o eleito quis também evidenciar “a percentagem de execução da receita”, de 85%, o valor de investimento em obra de “16.606.000 euros” e o “prazo médio de pagamento a fornecedores de 20 dias”.
“A Câmara Municipal da Trofa tem uma autonomia financeira cifrada em 80,79%. Tem liquidez de 299,35% e possui uma solvabilidade de 420,56%”, sublinhou ainda Paulino Macedo.
Do lado do PS, Bruno Soares confirmou o voto favorável, mas deixou críticas à execução orçamental, alertando para “uma grande preocupação com a baixa taxa apresentada neste relatório”. O socialista citou o documento para referir que a despesa de capital registou “uma taxa de execução de 64,81%, inferior à registada em 2024, decorrente essencialmente de atrasos na execução física de empreitadas inicialmente programadas”, defendendo maior realismo nos orçamentos futuros.
Já Hélder Reis, do CDS-PP, valorizou o equilíbrio financeiro e as opções políticas do executivo, afirmando que as contas revelam “rumo estável, responsabilidade e capacidade de execução”. O eleito destacou a redução da dívida e o reforço do investimento em áreas como escolas, espaço público e apoio social, considerando que “estas contas merecem aprovação e reconhecimento”.
Na resposta aos eleitos, o presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Araújo, classificou as contas como “muito positivas”, reconhecendo, contudo, a principal fragilidade apontada ao longo do debate, sobre a execução da despesa. O autarca sublinhou que “a execução de despesa é a tradução clara daquilo que é fazer ou não obra” e assumiu que a taxa de 74% em 2025 representa uma quebra face ao ano anterior.
Apesar disso, defendeu o desempenho global do município, destacando a execução da receita, impulsionada, entre outros fatores, pelo IMT, e o investimento realizado em áreas como educação, rede viária e ambiente. E em contraponto com o regozijo do movimento TDT quanto ao saldo positivo de sete milhões de euros, Sérgio Araújo argumentou que “os trofenses não querem uma Câmara Municipal com dinheiro no banco, mas sim uma Câmara Municipal que invista, que faça obra e que crie mais condições para que a população tenha qualidade de vida”, afirmou, acrescentando que preferia “ter um ou dois milhões no banco” com obra realizada, do que valores mais elevados sem investimento.
O autarca admitiu ainda que a baixa execução da despesa cria pressão para o ano seguinte, nomeadamente no cumprimento de prazos associados a investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
Sérgio Araújo garantiu ainda que o objetivo do executivo passa por “continuar a reduzir dívida, mas executar”, apontando como meta uma taxa de execução da despesa superior a 85% nos próximos exercícios.


