Crónicas e opinião
A “Vandoma” da Trofa
Este é o tipo de iniciativa que pode dar vida à Alameda da Estação, numa fase em que o bar da comissão de festas de Nossa Senhora das Dores beneficiaria com isso.

Fez Sábado duas semanas, dei um salto ao mercado de Famalicão, onde duas amigas participaram num daqueles mercadinhos de venda de objectos em segunda mão.
Achei uma boa ideia, aquela espécie de mini-Vandoma, e logo me saiu o que sempre me sai quando me deparo com boas iniciativas noutras terras:

– Isto podia funcionar na Trofa.
Num tempo em que cada vez mais pessoas compram em segunda mão, não só pela necessidade, mas também pela crescente aposta na rotatividade de roupas e acessórios, algo que se vem tornando bastante popular entre os mais jovens, fazia sentido tentar algo parecido na Trofa.
Dir-me-ão alguns que já se tentou e não funcionou. A esses, respondo que, se não funcionou, talvez fizesse sentido tentar perceber por quê. Será porque não foi devidamente trabalhado, organizado, gerido e publicitado? É uma hipótese. Estas coisas não se planeiam em cima do joelho. E este executivo já demonstrou que é capaz de organizar boas iniciativas públicas, pelo que bastará colocar a mesma energia e o mesmo empenho num evento deste género.
Este é o tipo de iniciativa que pode dar vida à Alameda da Estação, numa fase em que o bar da comissão de festas de Nossa Senhora das Dores beneficiaria com isso. Aliás, a própria comissão poderia eventualmente tomar a dianteira e organizar ela as primeiras edições, e a autarquia assumir após as festas. Como de resto já tem feito com outros eventos, nomeadamente provas desportivas, que começaram com associações locais, como é o caso do Trail da Trofa ou da Trofa Urban Race.
Outras alternativas seriam o Parque Nossa Senhora das Dores/Dr. Lima Carneiro ou mesmo o Parque das Azenhas. Uma feira deste género, junto ao rio, seria seguramente algo de diferente, capaz de gerar curiosidade e, por conseguinte, atrair mais pessoas.
Importa também sublinhar que, logisticamente, falamos de um evento de baixo custo. Até porque qualquer um dos locais mencionados é moderno, dispõe de casas de banho públicas e fácil acesso à energia, pelo que pouco mais implicaria do que disponibilizar as bancas de madeira que habitualmente vemos nos eventos do município. E ainda é possível garantir o pagamento dos custos inerentes por meio de um valor cobrado a cada um dos expositores. Em Famalicão, se a memória não me atraiçoa, era de 5€ por participante.
Sendo bem organizada, a nossa Vandoma poderia atrair pessoas de fora do concelho, e todos beneficiaríamos com isso. A começar pelo comércio local, com destaque para o sector da restauração, mas não só, até porque este tipo de organização tende a atrair coleccionadores, que passam a palavra e se fidelizam a este tipo de evento.
Sendo mensal, o que significaria mais tempo para planear cada edição, poder-se-ia alargar o âmbito do evento para nele incluir iniciativas culturais, como actuações musicais, mostras de produtos locais ou até acções de promoção do património trofense.
Tendo sucesso, e, como tal, capacidade de atrair a atenção de muitas pessoas da nossa região, a Vandoma trofense poderia posicionar-se no mapa deste tipo de eventos e garantir uma afluência muito interessante. E isso prestigiaria o nosso concelho. Mas, sobretudo, teria um efeito dinamizador no centro da Trofa, que está hoje mais bonito, mas continua muito parado.
Fica a sugestão, ao cuidado dos responsáveis políticos do concelho da Trofa.
O cronista escreve com o antigo Acordo Ortográfico.


