Crónicas e opinião
Memórias e Histórias da Trofa: Guintino de Sousa e Silva
Guintino (possivelmente Quintino, todavia é este o nome que consta no seu assento militar) tinha uma vida já bastante dura, perdera os seus pais ainda jovem, residia em S. Mamede do Coronado, mantendo apenas o apoio da irmã.
Dizem os grandes nomes da arte de fazer história que a história não se repete e que tudo são meros atos isolados que surgem da vontade dos homens ou até mesmo da conjugação dos acontecimentos que encaminham para essa situação.
Neste momento, na Europa de Leste trava-se uma guerra que parece não ter fim próximo e que todos apregoavam que seria rápida, “limpa” e que, facilmente, teria o seu término. Na verdade, a mesma arrasta-se e parece não ter término, pelo menos a curto prazo.
No início deste século, esse discurso foi vendido aos portugueses, uma vez que apregoava que a 1.ª Grande Guerra iria ser igualmente curta, sem grandes sobressaltos para os portugueses e que haveria condições para sustentar uma economia de guerra que é gravosa em várias vertentes.
Achamos que estas situações nunca nos irão tocar na pele, que a distância geográfica será salvadora, mas, paralelamente, esquecemo-nos que as distâncias vão ficando cada vez mais curtas e, rapidamente, tanto o bem como o mal estão próximos de nós.
Guintino (possivelmente Quintino, todavia é este o nome que consta no seu assento militar) tinha uma vida já bastante dura, perdera os seus pais ainda jovem, residia em S. Mamede do Coronado, mantendo apenas o apoio da irmã.
O “pobre” Guintino que, possivelmente não sonharia em participar numa guerra numa vida já marcada por outras guerras, no dia 16 de maio de 1917 embarcava para a França, onde iria pertencer a um dos Grupos de Metralhadoras, concretamente a 2.ª bateria, ficando com o número interno n.º 211.
O nosso mamedense estando em território francês lutava pela afirmação do novo regime, dizem uns, enquanto outros alegam que era para manter as colónias de África, mas seguramente para eles mais não era que uma imposição.
Seria ferido e baixaria ao hospital em 23 de janeiro de 1918, sendo transportado dois dias depois para outro hospital, seguramente por causa da gravidade dos seus ferimentos. Possivelmente ainda “tolheito”, seria colocado, novamente, no combate em 1 de julho desse mesmo ano.
Após nova entrada no hospital, e novamente ter alta, seria incorporado na 3.ª companhia de metralhadores, em 31 de outubro de 1918.
Um ano de 1918 com bastantes altos e baixos, mais baixos que altos, em que alguém ainda jovem esteve próximo de perder a vida em defesa de algo que, para ele, seria desconhecido.
Acabaria por embarcar para Portugal no mês de março de 1919, sendo o finalizar de um percurso bastante conturbado naquele conflito.
Por fim… quantos Guintinos ou Quintinos estarão agora no mundo?


