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Edição 769

Folha Liberal: Salários

São muitos os fatores que influenciam o valor do salário que o empregador paga e que o funcionário recebe, entre eles a produtividade, só que a produtividade é difícil de medir para a população em geral.
Mas há um fator que influencia diretamente e que é muito fácil medir, que todos percebemos imediatamente assim que recebemos o nosso salário: os impostos.

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É aceite por toda a gente (principalmente por quem os recebe), que os salários em Portugal são demasiado baixos. São muitos os fatores que influenciam o valor do salário que o empregador paga e que o funcionário recebe, entre eles a produtividade, só que a produtividade é difícil de medir para a população em geral.
Mas há um fator que influencia diretamente e que é muito fácil medir, que todos percebemos imediatamente assim que recebemos o nosso salário: os impostos.
Há dias, o Sr Primeiro Ministro veio dizer que as empresas têm que fazer um esforço para aumentar os salários em 20% nos próximos 4 anos.
Para os empregados isto soa muito bem. Um aumento de 20% não é nada mau. Mas, que implicações teria este aumento de 20% para as empresas, para os empregados e para o estado?
Feitas as contas a um aumento de 20% para um salário próximo do valor da remuneração bruta média em Portugal (cerca de mil euros), chegamos a conclusões, no mínimo, curiosas:
Para um trabalhador por conta de outrem, solteiro sem filhos, com um salário de 1.000,00€, uma empresa que desse um aumento de 200€ teria que desembolsar 247,50€, já que ao valor do aumento do salário há que acrescer o valor da TSU (23,75%). Outros custos diretamente associados aos salários não serão tidos aqui em conta.
Por outro lado, o empregado, desses 200€, apenas receberia 127,00€ já que 73,00€ iam para o estado: 11% (22,00€) para a TSU e 51,00€ para o IRS. Já o estado ficaria com 120,50€ (47,50 + 73,00€). Resumindo: Um aumento de 200€ implicava um custo de 247,50€ para as empresas, mas apenas 127€ (pouco mais de metade do custo) é que entraria na conta do empregado, já que o Estado ficaria com a outra (quase) metade.
Não podemos olhar para esta situação e ficar impávidos e serenos como se não fosse nada connosco. Não podemos aceitar que o estado possa levar quase metade do aumento de um empregado. Não estamos a falar de um aumento de milhares de euros num alto salário. Estamos a falar de ficar com metade do custo de um aumento de 200,00€ para quem ganha uns míseros 1.000,00€ por mês.
Infelizmente, vimos muito pouca gente indignar-se com isto, nem os patrões, provavelmente, porque sabem que nunca vão dar esse aumento e, por isso, isto não importa muito, nem, muito mais estranhamente, os empregados. Já o estado, ao ver estas contas ficará tentado a decretar um aumento destes valores, já que na verdade quase metade desse aumento reverteria para ele.
Podemos arranjar muitas desculpas, e todas elas muito boas, mas a verdade é que com uma carga fiscal destas (a OCDE diz que a carga fiscal sobre rendimentos do trabalho em Portugal subiu no ano passado para 41,8%) vai ser muito difícil aumentar os salários.
A Associação Empresarial do Minho foi das poucas a indignar-se com estas declarações do Sr Primeiro Ministro, considerando-as “imprudentes” e respondeu propondo “dividir o custo desse aumento com o estado”. “Ou seja, o Estado devia comprometer-se a reduzir em 10% os impostos sobre o trabalho… e as empresas comprometer-se-iam a promover esse aumento de 10% no salário médio”.
Mas certamente que essa proposta não deverá ser acatada pelo governo, porque isso implicaria dar mais dinheiro aos trabalhadores e isso poderia levar a que ficassem menos dependentes dos subsídios (há quem lhes chame esmolas), que os partidos que nos têm governado adoram dar.
É, aliás, muito estranho que o governo proponha aos privados que aumentem os salários em 20% em 4 anos e apenas aumente os funcionários públicos em 0,9%. A este ritmo, o aumento de 20% para os funcionários públicos chegaria ao fim de mais de 21 anos. Há efetivamente um grande problema de salários baixos em Portugal e alguns empresários têm responsabilidade nisso, porque não pagam salários justos que até podiam pagar, mas, o maior responsável é o estado que fica com uma fatia tão grande do bolo.

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Edição 769

Escrita Com Norte: Cancelado

“O Agostinho não é esse. – e identifico-o com a sua característica distintiva, relativamente a todos os outros – O Agostinho é o negro.”

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Às vezes acordamos sem imaginar o que está para vir… a mim, sempre, com excepção dos afazeres habituais e vulgares.
Este sábado, quando despertei, e depois de lavar a cara, saio do estado reptiliano e começo a entrar no estado de relativa racionalidade, que rezo para durar até ao final do dia, e planeio ir ao parque, munido do meu computador, para escrever um texto para o “O Notícias da Trofa” e aproveitar para ver um grupo de bons amigos, que se junta para dar uns toques na bola. Algo que também planeei, foi, primeiro, manter-me vivo, por isso, antes de atravessar a passadeira, parei e esperei que os carros também parassem; segundo, manter-me claro e simples na linguagem, para melhor e mais rapidamente me entender com os outros. Antes de atravessar a passadeira para o parque, fui interpelado por uma senhora, que me perguntou onde era o oculista. “Está a ver onde está aquele senhor perneta? É aí.” – disse-lhe. Identificar esta característica distintiva deste senhor, de entre os outros, não deixou dúvidas sobre onde era a loja.
Quando encontro os meus amigos, fazemos uma algazarra infantil, própria de quem genuinamente se gosta e atura…em casa são todos uns senhores!

– Pessoal, vou ali para o banco, escrever um texto. Quando terminar venho ter convosco. – e afasto-me.
Estava já há algum tempo instalado num dos bancos do parque, com o computador aberto, a folha em branco, as ideias por aparecer e os meus amigos, ao longe, sem se calarem, quando sou abordado por um Ser Humano, que me pergunta:

– Sabe-me dizer quem é o Agostinho?
Obviamente sabendo quem é o meu amigo Agostinho, esta pergunta, aparentemente simples, fez-me sentir como um touro encurralado na arena por este Ser Humano, pronto a cravar as bandarilhas.

– O Agostinho é o alto, o que parece um andor. – digo, apontando para o grupo.

– Mas dos andores, qual deles? – pergunta-me.
(De todos, apenas o Joca tem pouco mais de metro e meio, os outros, mais de um e oitenta)

– O andor e gordo! – esclareço, já desconfortável.

– Mas qual dos andores e gordos? Vejo quatro!
(Apetecia-me ser claro e responder como respondi à senhora que procurava o oculista)

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– Humm, o Agostinho é o andor, gordo e caixa de óculos.

– Mas qual dos andores, gordos e caixa de óculos? Vejo três!

– E feio. – vou peneirando a descrição, já encolhido, com medo do que possa aí vir.

– Continuo a ver três. – replica o Ser Humano, encolhendo os ombros.

– É o que tem uma pomba no ombro!
(uma pomba tinha pousado no Agostinho, que sempre gostou de passarada)
Quando o Ser Humano olha, a pomba salta de ombro, e passa para o Marco.

– Ahhh, é esse o Agostinho! Tenho um recado para ele.
Quando o Ser Humano avança em direcção aos meus amigos, sob a pressão da conversa que estávamos a ter, “descarrilo” dos novos bons modos e dos novos bons costumes, e sou cristalino como a água,

– O Agostinho não é esse. – e identifico-o com a sua característica distintiva, relativamente a todos os outros – O Agostinho é o negro.
O Ser Humano, moralmente superior, furioso, avança para mim e espeta-me as bandarilhas e condena-me ao “matadouro”, proibindo-me de pensar e expressar…deixei de existir.
Era tão amigo do Agostinho, que é negro, como do Joca, que é baixote, e de todos os outros, que são…

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Edição 769

Mais uma força política. Iniciativa Liberal fundou núcleo

José Pedro Reis foi eleito o primeiro líder da estrutura concelhia da IL, sob o compromisso de “trabalho, trabalho e trabalho”.

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Fez formação política na Juventude Social Democrata, chegou a assumir funções pelo PSD na Assembleia de Freguesia de S. Martinho de Bougado, mas acabou por se afastar do projeto político “laranja”. Hoje, José Pedro Reis é o coordenador da mais recente força política do concelho, a Iniciativa Liberal.

O plenário fundador da Iniciativa Liberal (IL) decorreu na tarde de 25 de junho, no salão nobre da Junta de Freguesia do Coronado, num gesto simbólico demonstrativo da intenção “descentralizadora” do novo núcleo, que até tem como coordenador um bougadense de S. Martinho. José Pedro Reis foi eleito o primeiro líder da estrutura concelhia da IL, sob o compromisso de “trabalho, trabalho e trabalho”. Escusando-se a grandes discursos, o ex-militante do PSD apresentou-se como porta-voz de um projeto que pretende “fazer a diferença”. “É notório que, no concelho da Trofa, a política vive um marasmo total. É premente tirá-la deste estado vegetativo, para o bem dos cidadãos e para tornar mais exigente a governação local”, referiu, em declarações ao NT.
A maioria dos elementos do núcleo está na faixa dos “vintes”, mas tal “não é sinal de irresponsabilidade, muito pelo contrário”.
“Cada vez mais a exigência sobre os jovens é maior, por isso se há geração que está preparada para desafios é esta”.
Ainda assim, o coordenador não refuta que se trata de uma “lista de dificuldade”, que, apesar de tudo, “está ciente daquilo que quer e vem fazer”.
Já com vários meses de trabalho, com eventos realizados por todo o concelho para “medir o pulso à população”, a Iniciativa Liberal elegeu como prioridade a resolução dos “problemas crónicos desta terra” que, segundo José Pedro Reis, são “a falta de acessibilidades e de transportes”.
“Melhorar a componente industrial do concelho”, reivindicar “mais cultura e habitação” e “lutar por menos impostos, mais simplificação e mais transparência autárquica” são outras das bases em que se sustenta o projeto da IL no concelho.
Durante o plenário, foram divulgados os desafios para o mandato, que incluem dar à IL “representação em todas as freguesias”, visitar “o máximo de instituições e associações” e “preparar as eleições autárquicas de 2025”.
Quanto ao facto de se ter afastado do PSD, José Pedro Reis justificou com a maior aproximação aos ideais da nova força política. “Os liberais não querem terminar com o Serviço Nacional de Saúde nem com a participação do Estado na economia, queremos apenas dar-lhe menos peso, porque não se justifica necessitarmos do Estado para tudo e mais alguma coisa. Importante é a valorização do individuo pelo seu trabalho, atitude e vontade de fazer algo por si e pela comunidade sem ser preciso estar dependente de nenhum partido político para conseguir o que quer que seja”, argumentou.
A acompanhá-lo no núcleo, José Pedro Reis tem como vice-coordenador Diamantino Costa, como secretário Rúben Reis e como tesoureiro Davide Fernandes.
A apadrinhar a criação do núcleo esteve o deputado da IL na Assembleia da República, Rui Rocha, que atestou que “o crescimento da IL se faz passo a passo, por um lado, com medidas e propostas consistentes, que vão ao encontro das necessidades das pessoas, e, por outro lado, através de uma presença organizada e estruturada a nível local, capazes de identificar essas necessidades e de comunicar às pessoas o trabalho feito pelo partido”.

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