Ano 2012
“É Carnaval, ninguém leva a mal”.

Há uma saída. Ela passará necessariamente pela subordinação do sector económico-financeiro ao poder político. Um poder politico sério, de esquerda e a favor dos trabalhadores, que beneficie o pequeno e médio empreendorismo privado, sem descurar o sector estratégico do estado e o sector cooperativo. Essa política assegurará obrigatoriamente uma melhor e mais equilibrada distribuição da riqueza. Só assim se desenvolverá a economia, incentivará a produção e o consumo, fomentará o emprego e haverá melhor qualidade de vida para todos.
Com o Carnaval destituímos o inverno e louvamos a primavera. O Carnaval é um ritual entre o pagão e o religioso, tão natural como a passagem do tempo e a renovação das estações. Destacamos a quentura e os dias grandes que regressam. A frase popular “é Carnaval, ninguém leva a mal” descobre a sua razão nos ritos libertinos próprios destes festejos, uma devassidão permitida que, a par de outros rituais expurgatórios, constitui ainda hoje a sua principal característica. A destruição pelo fogo de figuras alusivas ao passado (tudo o que é velho), o julgamento e queima, em cerimónia pública, do Entrudo, do Velho e de outras figuras míticas, a serra da velha e a crítica social são rituais expurgatórios deste período de passagem que é o fim do inverno e a entrada na primavera, ainda atuais, um pouco por todo o lado.
Como o Carnaval, contribuiria para o bem de todos dizermos adeus a esta política e a estes políticos das troikas e louvarmos uma nova politica, um outro rumo. Acabar com este “Entrudo”, já velho e gasto que, sempre à custa dos sacrifícios dos mesmos, apenas quer enriquecer ainda mais e até já quer acabar com o Carnaval, seria uma coisa bela de se fazer. Julgando-o e queimando-o, chegaríamos a uma primavera autêntica para todos e para o ano o Carnaval regressaria por completo ao seu dono: o povo, que não mais poderia ser alvo de assalto por um qualquer “ mascarado”.
“É Carnaval, ninguém leva a mal”.
Guidões, 21 de fevereiro de 2012.
Atanagildo Lobo
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