40 anos de partilha de bons momentos, foram assinalados por um almoço de confraternização em que se juntaram ex-futebolistas do CD Trofense. 

Toninho Cerejo, Domingos, Cardoso, Santos do “Castêlo”, Santos, Vasco Pereira e Vilaça. Estes nomes dizem-lhe algo? É que pertencem a alguns dos jogadores e treinador (Vilaça), que na época de 71/72, jogavam pelo Clube Desportivo Trofense, na 2ª Divisão da Associação de Futebol do Porto (AFP). Uma época que os marcou a todos, pelo ambiente criado entre a equipa, pois, além de jogarem futebol pelo prazer, eram todos amigos. 

Este ano, Vasco Pereira decidiu que estava na altura de realizar um sonho que tinham: voltarem a juntar-se para conversar sobre as suas vidas. Depois de alguns contactos, a ideia ganhou forma. O almoço-convívio decorreu no sábado, dia 25 de fevereiro, no restaurante Cantinho da Feira.

Um momento que além de ter sido de convívio, serviu para recordar os tempos passados. Na época de 71/72, a equipa trofense fez parte da série de despromoção da 2ª divisão da AFP, pois empatou com o Pedras Rubras a 2 bolas. Se tivesse ganho teria feito parte da série das equipas que disputaram a subida de divisão. “Tivemos muitas dificuldades para nos aguentarmos para não descer, porque tínhamos uma equipa bastante jovem. Apesar de jogarmos muito bom futebol, modéstia à parte, tivemos muitas dificuldades com as equipas mais fracas”, relembrou Vasco Pereira.

Não é a primeira vez que o clube atravessa problemas. Em 1971, o Trofense teve que apostar na “prata da casa”, para conseguir sobreviver. Depois de uma época de grande investimento, as coisas não acabaram por correr bem à equipa, chegando a não haver pessoas que quisessem “pegar na direção”. “Um grupo de diretores, na altura e muito bem, decidiram arranjar uma direção e jogar com a prata da casa, mais os rapazes que vieram dos juniores e os que queriam jogar com as seguintes condições: de borla, praticamente, recebendo apenas prémios e valores pouco significativos”, confidenciou. 

E foi desta forma que conseguiram formar um plantel, constituído por meia equipa de jogadores consagrados, como caso de Toninho Cerejo, Domingos, Cardoso, Santos do “Castêlo” e Santos, e outra metade por jovens com 18 anos, por exemplo Vasco Pereira. “Na altura nós não tínhamos praticamente nada, tivemos anos onde nem treinadores tínhamos, o que sabíamos era o que aprendíamos na rua”, recorda.

Com o passar dos anos, o Clube Desportivo Trofense ficou dotado de “condições excepcionais”. O que, na sua opinião, devia ser aproveitado para fomentar a prática de futebol, junto dos jovens trofenses.

Vasco Pereira sente orgulho pelo seu clube ter estado na 1ª Divisão e, agora, continuar na 2ª. Porém, para ele, o clube “vive um pouco acima das suas possibilidades”, sendo da opinião que o Trofense devia investir nos jogadores da terra, como outros clubes o fazem. “Nós temos condições fabulosas para os miúdos, para a prática de futebol em todos os aspetos, e penso que seria uma solução dar-lhes uma oportunidade. Estando numa segunda divisão, não se pode dizer que os jogadores vão jogar pelos prémios, mas podemos fazer uma gestão equilibrada e viver conforme as nossas possibilidades”, realçou Vasco Pereira, assegurando que certamente haverá jovens com grande talento a sair das Camadas Jovens. 

Vilaça, o treinador da equipa CDT daquela época, relembra que os atletas, que constituíam a equipa, eram “gente da terra”. Um grupo “muito unido”, onde o importante era “sentirem-se satisfeitos e realizados por jogar e representar o clube”. Vilaça partilha da opinião de Vasco Pereira quanto aos juniores: “É uma estupidez, hoje, termos juniores e não se dar continuidade do seu trabalho, o que leva a um ddesperdício de dinheiro”.

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