Edição 786
Trofa em cima do palco para mostrar que “há talento” no teatro (c/ vídeo)
As três performances, completamente diferentes entre si, confirmam, na ótica dos protagonistas, o “talento” que existe no concelho no que respeita ao teatro.
Dois desgraçados que disputam um jornal, um musical que conta a história de uma menina deixada no orfanato que sonha encontrar o pais e uma paródia que desenlaça as venturas e desventuras de um conjunto de seniores num lar. Estes são os pontos de partida dos três sketches apresentados, respetivamente, pelo Grupo de Teatro Amador do Coronado, pelo Alva – Associação Artes de Palco e TEAM – Teatro Experimental Amador do Muro, no Festival de Teatro da Trofa, que começou a 17 de março e prolonga-se até segunda-feira, dia 27.
“Os Melhores Sketches”, com cunho trofense, abriu o Festival, no salão paroquial de Alvarelhos, e repetiu-se a 24 e 25 de março, às 21h30, nos salões paroquiais de S. Mamede do Coronado e do Muro, já com lotação esgotada.

As três performances, completamente diferentes entre si, confirmam, na ótica dos protagonistas, o “talento” que existe no concelho no que respeita ao teatro. “Convém que isto seja o primeiro de muitos festivais e que não se esqueça esta arte”, referiu Fernando Duarte, uma das caras do Grupo de Teatro Amador do Coronado.

E Fernando Duarte assume falar com propriedade, já que a última peça preparada pelo grupo esgotou “seis sessões”, só na Vila do Coronado, e “mais sessões esgotavam” não fosse a “indisponibilidade” de alguns membros do elenco, por “motivos profissionais”.
O Grupo de Teatro Amador do Coronado nasceu do Grupo Paroquial Jovens Unidos e cresce à conta do gosto pelo teatro de três pessoas.

No Alva, o teatro é uma disciplina que existe “há algum tempo”, mas que “sempre foi anexado aos espetáculos de dança”. O Festival da Trofa foi a oportunidade para o priorizar. “Foi muito bom ter um projeto vocacionado apenas para esta turma de teatro”, confessou Sílvia Cruz, responsável pela academia.
Um excerto do musical “Annie” foi o escolhido pelo grupo para apresentar em palco, num elenco composto apenas por crianças e jovens. “Elas tiveram de aprender a cantar as músicas e a trabalhar as coreografias e o texto. No final, com tudo cosido, resultou neste espetáculo”, contou, em tom entusiasmado, a professora Catarina Santos.
Ciente da importância de um evento que se dedique exclusivamente a esta arte de palco, Sílvia Cruz não duvida que o Festival pode “ser a grande ajuda” para mostrar que o Alva “é muito mais do que dança urbana”.

Oficializado recentemente, o TEAM apresentou uma trama muito bem-disposta, tendo como centro nevrálgico um lar de idosos, que arrancou muitas gargalhadas do público, em Alvarelhos. A receita não tem muito segredo – lugares-comuns e sátiras relacionadas com as maleitas próprias da idade avançada -, mas até ao resultado final, muito trabalho é feito. “Fomos nós que criamos os textos e posso dizer que perdemos mais tempo a criá-los do que propriamente a ensaiar”, confessou António Silva, que assumiu o papel de uma idosa atrevida. “Por norma”, é ele quem, juntamente com Roque Ferreira, cria os textos e se, no momento, se “escangalham” a rir, então “é porque vai funcionar”.
A participação de atores de várias idades dão ao TEAM uma particularidade assinalável, já que o teatro amador é muitas vezes associado a elencos jovens. “É precisamente isso que queremos, ter um grupo alargado e heterogéneo. Felizmente, há muitas pessoas da Trofa, mesmo da cidade, que querem entrar para o teatro e tendo nós um grupo alargado, faz com que sejamos ainda melhores e chegar a mais público”, apontou António Silva.
Sobre a realização do Festival, não tem dúvidas: “Faz crescer o teatro”.
No domingo, 26 de março, às 16h00, o salão polivalente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa recebeu a peça “Quando ela é ele”, da Ali’Arte – Associação Cultural.
O Festival de Teatro da Trofa encerra na segunda-feira, dia 27, com “A Cigarra e a Formiga”, da Protagoniza Magia Associação Cultural, no salão paroquial de Alvarelhos, direcionada para os alunos do 1.º ciclo do concelho, com duas sessões de manhã e outras tantas à tarde.


