A recente Conferência de Imprensa promovida pelos vereadores do Partido Socialista acerca da gestão da Trofáguas, veio demonstrar um erro de avaliação com significado.

Apresentou valores que não têm qualquer correspondência com a realidade, nem por aproximação, e, qualitativamente, errou os alvos.

O Conselho de Administração cumpriu a sua obrigação ao ser confrontado com situações irregulares: houve funcionários que foram contratados a termo certo e cujos contratos desapareceram. Consta das actas: não foi invenção de quem quer que seja.

O Conselho de Administração havia de esconder a cabeça na areia e fingir que não havia qualquer problema? Ou fazer, como era sua obrigação, um inquérito para apuramento da verdade e eventuais responsabilidades?

Nessa Conferência de Imprensa nada foi afirmado que pusesse em causa o comportamento, ou até a idoneidade, do autor, ou autores, de tal atitude de fazer desaparecer os contratos. Preferiram o ataque descabelado àqueles que procuraram o apuramento da verdade.

Os vereadores do Partido Socialista, partido com vocação de poder e, por isso, não isento de tomar atitudes responsáveis, não podem branquear esse comportamento atirando-se, como feras, a quem tentou, com dignidade, descobrir a verdade e evitar que a empresa fosse prejudicada.

Colocaram o problema ao contrário. Não lhes interessou os verdadeiros responsáveis e atiraram-se ao alvo errado.

A Trofáguas, no presente mandato, com o actual Conselho de Administração e o total empenho dos funcionários, conseguiu objectivos difíceis de negar: construiu mais de 105 km de rede de saneamento em três anos (muito mais de metade do que existe na totalidade); chegou com obras de saneamento a todas as freguesias do concelho (todas, não é exagero); aumentou a recolha selectiva de resíduos (aqueles que são reciclados – papel, cartão e embalagens – e, com isso, evita-se poluir o ambiente) em cerca de 60%. Terminou o ano de 2008 com mais de 9% de resíduos separados (ultrapassou as 1600 toneladas) e, neste momento já deve ter ultrapassado os 10% de resíduos separados. Em Dezembro de 2005, eram pouco mais de 6% (1000 toneladas).

Se acrescentarmos os roupões, teremos valores ainda mais elevados.

Isto são factos que não dependem de opiniões.

O défice tarifário tem vindo e descer todos os anos desde 2005.

Se em 2005, as cobranças corresponderam a cerca de 83% do total facturado, de tarifas de resíduos, em 2008 esses valores cobrados corresponderam a cerca de 90% do total facturado. São sete pontos percentuais de progressão.

Nas tarifas de saneamento, houve o mesmo movimento. Houve até um ano, 2008, em que o valor cobrado foi superior ao valor facturado. Isto significa que houve recuperação de dívidas em atraso.

Estes resultados foram conseguidos sem convulsões. Foi sempre privilegiado o diálogo com os utentes porque se entendeu ser o método mais eficaz para se atingir os objectivos.

A Trofáguas é uma empresa Municipal e não cabe no seu escopo fazer política no sentido partidário. Se conseguir dotar o concelho com as infra-estruturas que faltam, consegue os seus objectivos. Não devia ser o alvo político.

Em campanha eleitoral, há muito por onde fazer política, tantos assuntos de interesse para o concelho, que estranho esta obsessão em relação à Trofáguas, não cuidando agora de saber os motivos.

O Partido Socialista, de que sou militante, dos mais antigos, é um partido que perfilha os melhores valores democráticos. É um Partido com vocação de poder e, por isso, as suas tomadas de posição terão sempre que assumir um cariz responsável e sensato.

Necessita de bons servidores. Só isso.

Afonso Paixão