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No Pó dos Arquivos: São Rosas de Santa Maria, meu Senhor!

No Pó dos Arquivos: São Rosas de Santa Maria, meu Senhor!

O título desta minha colaboração mensal sugere o Auto das Rosas de Santa Maria, de Cândido Guerreiro (1871-1953). Algarvio, advogado de formação, foi poeta e dramaturgo por vocação. Elegeu para tema desta obra, publicada em 1940, a proeza de Gil Eanes – também ele algarvio – que, às ordens do Infante, ousou desafiar o Mar Tenebroso, para passar o Cabo Bojador. Que desespero, o da mãe! Que loucura, a do Infante! Que ignorância, a do cosmógrafo! Maior só o júbilo de Gil Eanes: “dobrei o cabo Bojador! Para memória deste dia/Trago-vos estas ervas tão viçosas/Como se eu acabasse de colhê-las/Que lindo nome têm! Santa Maria/Dignai-vos, meu Senhor, de recebê-las.”
A colaboração que hoje apresento, afinal, nada tem a ver com o Auto das Rosas de Santa Maria; apenas usurpei o título! Foi um logro e dele me penitencio.
A atribuição dos nomes, antes da vigência do registo civil:
Nos assentos paroquiais de baptismos, o pároco apenas “dava o nome” próprio, “nome de baptismo” à criança que lhe fora apresentada no prazo estabelecido nas Constituições diocesanas, normalmente nos primeiros oito dias de vida. Ultrapassado este prazo, a administração do baptismo carecia de licença expressa, requerida ao Bispo da diocese. Apenas na idade adulta – geralmente no registo paroquial do casamento – se acrescentava ao nome do baptismo o nome da família: aos filhos o apelido do pai e às filhas o apelido da mãe.
Dos livros paroquiais de Santa Maria de Alvarelhos:
Joaquim Moreira Marques (bisneto de Gualter Marques, de São Pedro Fins), natural de Alvarelhos, casou, em 1890, com Joaquina Rosa de Oliveira, sua conterrânea. Deste casamento nasceram:
Em 1891, Maria, que veio a casar, sob o nome de Maria Rosa Moreira, com Bernardo de Sousa Pereira; em 1892, Francisco, que veio a casar, sob o nome de Francisco Moreira Marques, com Aurora da Silva Moreira; em 1893, Palmira, que veio a casar, sob o nome de Palmira Rosa Moreira, com Albino José de Moura; em 1904, Conceição, que veio a casar, sob o nome de Conceição Rosa Moreira, com Joaquim Azevedo Torres (Fonteboa); em 1906, Américo, que veio a casar, sob o nome de Américo Moreira Marques, com Sofia de Campos Maia; em 1909, Olindina, que veio a casar, sob o nome de Olindina Rosa Moreira, com Edmundo Dias da Silva. Rosas de Santa Maria de Alvarelhos! E das quatro Rosas nascidas em Santa Maria de Alvarelhos, três foram plantadas em São Cristóvão do Muro!
Dos livros paroquiais de Santiago de Bougado:
Ermelinda, filha natural de Ana Joaquina da Silva, solteira, do lugar da Lagoa, foi perfilhada pelo Padre Manuel da Fonseca Cruz, por escritura pública de 4 de Novembro de 1859 e obteve, por Mercê Régia, a Carta de Legitimação assinada pelo Rei D. Pedro, a 20 de Outubro de 1860.
Aos dezasseis anos, Ermelinda da Fonseca casou com João da Costa Ferreira. Este casamento foi dissolvido por óbito do marido, passado um mês. Ermelinda, com dezassete anos e já viúva, casou, em segundas núpcias, com Semião José Pereira dos Santos, solteiro, de trinta e seis anos, natural de Mosteirô. Deste casamento nasceram:
Em 1865, Maria, que casou com o nome de Maria Ermelinda Pereira Serra, com Cândido Dias Moreira Padrão; em 1868, Matilde, que casou com o nome de Matilde Ermelinda Pereira Serra, com José Antero Dias da Costa Campos; em 1873, Leopoldina, que casou com o nome de Leopoldina Ermelinda Pereira Serra, com Manuel Dias da Costa; em 1882, Júlia, que casou com o nome de Júlia Ermelinda Pereira Serra, com Joaquim de Sousa Reis.
Dos livros paroquiais de São Cristóvão do Muro:
Manuel António Duarte, natural de Santa Maria de Avioso, casou, em 1867, com Maria Joaquina Ramos, natural de Fajozes. Deste casamento nasceram: Joaquim António Duarte, José António Duarte, Domingos Ramos Duarte, Francisco António Duarte; Maria Joaquina Ramos, Ana Joaquina Ramos e Joaquina Maria Ramos.

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