A Diabetes é uma doença crónica, onde a quantidade de glicose (ou “açucar”) no sangue se eleva acima do normal, porque o pâncreas não produz insulina suficiente ou porque há uma incapacidade do corpo em utilizá-la (resistência à insulina). A insulina é uma hormona que controla a entrada da glicose nas células e quando é insuficiente ou não é usada como deveria, a glicose acumula-se no sangue, podendo causar problemas tanto a curto como a longo prazo.
Existem vários tipos de Diabetes: tipo 1 (geralmente em crianças e jovens), tipo 2 (que acontece principalmente em adultos), gestacional (conhecida como “diabetes da gravidez”) e outros tipos (mais raros). Este artigo foca-se na Diabetes tipo 2, que corresponde a cerca de 90% de todos os casos. Em Portugal estima-se que existam mais de um milhão de pessoas com Diabetes.
Os principais fatores de risco que aumentam as hipóteses de desenvolver Diabetes são o excesso de peso e a obesidade, o sedentarismo (isto é, não fazer exercício), a hipertensão arterial, a história familiar (ou seja, ter familiares com Diabetes) e a idade. Se for uma mulher que teve diabetes na gravidez, as hipóteses de ter Diabetes também aumentam.
Na maioria das vezes, o diagnóstico da Diabetes tipo 2 acontece em pessoas que não apresentam sintomas, mas que detetam numa análise que têm os valores de glicose elevados no sangue. Em alguns casos mais graves, podem existir sintomas como aumento do apetite, aumento da sede, aumento da frequência urinária e perda de peso.
O Médico de Família é o responsável pela maioria dos diagnósticos e pelo acompanhamento da maioria das pessoas com Diabetes. De uma forma geral, num caso estável e controlado, o acompanhamento recomendado é, pelo menos, semestral, com a realização de uma consulta e análises.
O controlo da diabetes é geralmente feito através da determinação da hemoglobina glicosilada (HgbA1c) na análise sanguínea. Este parâmetro permite ao médico perceber como tem estado a diabetes nos três meses prévios. O seu valor, na generalidade dos doentes, deve estar entre 7 e 8%, no entanto este objetivo é personalizado. Por exemplo, numa pessoa mais jovem o objetivo pode ser mais exigente e numa pessoa muito idosa pode ser mais relaxado. A pessoa com Diabetes deve procurar saber, junto do Médico de Família, qual é o valor que deve atingir no seu caso específico e ir acompanhando os seus próprios resultados.
Após o diagnóstico, deve-se desde logo começar por tentar corrigir aqueles fatores de risco considerados modificáveis: tentar atingir um peso normal, fazer exercício e ter uma alimentação controlada são partes essenciais do tratamento.
A decisão de iniciar tratamento com medicamentos vai depender do valor da hemoglobina glicosilada, do alvo que se pretende atingir e das características e preferências do doente. Geralmente inicia-se terapêutica com antidiabéticos orais (comprimidos), podendo em alguns casos haver necessidade de recorrer a tratamentos injetáveis, como é o exemplo mais conhecido da insulina. Apesar de existir, por parte de muitas pessoas, medo da ideia de utilizar insulina, esta é uma opção muito eficaz e é usada cada vez mais cedo no tratamento da Diabetes, de forma a ter a doença bem controlada e prevenir as suas complicações.
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