Jorge Carvalho tem já muito para contar da sua aventura pelos ralis. Numa das provas deste ano, em Barcelos, o navegador trofense completou cem participações na modalidade.

Muito há para contar desde o Rali de Vila Verde em 2002, num Opel Kadett, quando Jorge Carvalho se deixou levar pela influência do pai, com o mesmo nome, e sucumbiu à aventura deste desporto.

Em entrevista ao NT, o navegador admitiu que foi com o progenitor que aprendeu mais, mas também conheceu muito dos ralis através de “alguns navegadores e pilotos”.

Ao contrário do pai, os ralis são para Jorge Carvalho “uma profissão” e não um hobby. Como pior momento da carreira nomeia um acidente no Rali de Portugal, em 2009: “Impossibilitou-me de correr no rali frente ao nosso público”. Por outro lado, o navegador não consegue escolher apenas o melhor momento. Fala da “entrada no Campeonato do Mundo de ralis com apenas 24 anos, o 2º lugar alcançado na primeira prova do WRC (Campeonato do Mundo de Ralis) na classe PWRC, a vitória à geral no Rali Montelongo, algumas vitórias em troféus e o prazer de navegar alguns bons pilotos” como os momentos mais positivos desde que “abraçou” a modalidade.

Para já, o “projecto principal” para esta época é o Open de Ralis, onde está a participar com António Rodrigues. “Lideramos o campeonato e queremos continuar a lutar pelos primeiros lugares. A nível de CPR (Campeonato de Portugal de Ralis) vou participar em algumas provas com o Carlos Oliveira e o objectivo passa por realizá-lo na totalidade”, referiu.

 

Apesar de o rali ser um desporto perigoso, Jorge Carvalho frisa que “não se pode ter medo dentro de um carro, senão o trabalho não é bem feito”. “Ao longo dos anos vamos ficando com uma noção das coisas, mas medo de me magoar ou de ter acidentes nunca tive. É lógico que ninguém os quer, mas faz parte e temos que estar preparados para isso”, asseverou.

Questionado se prefere terra ou asfalto, Jorge Carvalho escolhe os dois: “Depende muito do piloto e do carro em que se anda, mas tanto a terra como o asfalto dão muito gozo, então se for com um bom carro e um bom piloto é excelente”.

De entre situações caricatas, Jorge Carvalho nomeia uma no Rali Montágua em 2007, no Troféu C2, com Manuel Inácio. “Chegámos à super especial para treinar a pé e eu não tinha caderno para recolher as notas, então recorri ao telemóvel para anotar. Quando me viam naquela situação, os pilotos brincavam connosco, mas o certo é que na super especial acabámos por fazer o quinto melhor tempo da geral e o primeiro entre o Troféu”, contou.

Outra situação aconteceu na primeira prova do WRC: “Nunca tinha feito reconhecimentos com GPS de controlo de velocidade e a minha concentração na recolha de notas era tão grande, que existia um som estranho dentro do carro, como um ‘bip’, quando se andava mais rápido. Ao fim de dois dias de reconhecimentos, que correram na perfeição e sem descobrir o que era aquele barulho, chegou a multa da FIA (Federação Internacional de Automobilsimo) por exceder o limite de velocidade. Depois dessa prova nunca mais se ouviu um ‘bip’”.

Depois de cumprir cem ralis, Jorge Carvalho quer correr os que ainda “forem possíveis, sejam eles 200, 300 ou mais”. “Enquanto sentir que sou útil dentro de um carro de rali quero continuar. Quando já não for, então aí páro e dedico-me a outra coisa”, concluiu.