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Edição 766

Crédito Agrícola premeia associação que apoia crianças e jovens deficientes de Vizela

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O Crédito Agrícola premiou o projeto da AIREV – Associação para a Integração e Reabilitação Social de Crianças e Jovens Deficientes de Vizela, no concurso “DIA CA Sempre Sustentável”.
Destinada a apoiar entidades da economia social, clientes do grupo financeiro, esta iniciativa tem como objetivo “implementar projetos de impacto positivo no ambiente, nomeadamente nas áreas da descarbonização, economia circular ou serviços dos ecossistemas”
A AIREV foi a associação a merecer o prémio da região Norte, no valor de dez mil euros, que servirão para adquirir um veículo elétrico.
“O carro eléctrico será uma mais-valia para a AIREV pois permitirá dar resposta às várias solicitações sociais ativas que exigem a deslocação de técnicos e utentes, mas com custos mais reduzidos – o que representará uma poupança a longo prazo, fator de extrema importância para uma instituição social de dimensão concelhia. Além disso, a utilização de um carro eléctrico beneficiará o ambiente, pois será reduzida a emissão directa de gases poluentes para a atmosfera”, explicou o Grupo Crédito Agrícola, em nota informativa.
A entrega simbólica do prémio aconteceu a 20 de maio, num momento em que esteve presente o administrador do Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, António Abreu.
No concurso, foram ainda contemplados com um prémio monetário a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cabanas de Viriato (região Centro), o Grupo de Socorro Animal de Portugal (região Sul) e Querer é Saber – Associação – Açores (Ilhas).
Através do concurso “DIA CA Sempre Sustentável”, o Crédito Agrícola pretende cimentar o posicionamento como “banco de referência na temática da sustentabilidade, assumindo o compromisso de contribuir para a preservação dos ecossistemas, a redução na produção de resíduos, a redução dos impactos das alterações climáticas, o combate às desigualdades sociais e de ser uma voz ativa na promoção de práticas de sustentabilidade”.

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Memórias e Histórias da Trofa: O testamento luso-espanhol de António José de Oliveira Campos

Quem estuda história, ou simplesmente vai lendo documentação avulsa para adquirir mais conhecimento, como é o exemplo daqueles indivíduos de uma determinada idade que na Biblioteca Pública Municipal do Porto solicitam para consulta o Diário de Governo, sabe que este tipo de documentação que é produzida pelos Governos na fase inicial da época contemporânea irá permitir encontrar uma enorme diferença de textos informativos, alguns com situações que aos olhos do presente seriam estranhas.

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Quem estuda história, ou simplesmente vai lendo documentação avulsa para adquirir mais conhecimento, como é o exemplo daqueles indivíduos de uma determinada idade que na Biblioteca Pública Municipal do Porto solicitam para consulta o Diário de Governo, sabe que este tipo de documentação que é produzida pelos Governos na fase inicial da época contemporânea irá permitir encontrar uma enorme diferença de textos informativos, alguns com situações que aos olhos do presente seriam estranhas.
A publicação de um testamento em pleno Diário do Governo era exemplo disso. O testamento de António José de Oliveira Campos que falecia em território espanhol, ainda no estado solteiro e sem descendentes que fossem conhecidos, tendo falecido concretamente em Santa Eulália de Mondariz, diocese de Tuy, que é província de Pontevedra.
Afirmava-se que tinha património dos dois lados da fronteira, o que fazia com que o seu testamento fosse devidamente analisado, com os seus pais a serem os seus herdeiros.
Os seus pais eram Bernabé José de Oliveira e Bernardina Maria de Campos e estavam a proceder, como manda a lei, na tentativa de serem os legítimos herdeiros do seu filho recentemente falecido.
Estávamos a 31 de agosto de 1893 e o escrivão Guilherme da Costa Leite informava que não iria haver audiências nas segundas e quintas-feiras de cada semana, sendo que sempre que fosse dia santo, a audiência passava para o dia útil seguinte.
Assiste-se a um processo com elevada carga burocrática que não era de todo aconselhável para quem ainda estava a realizar o seu luto, mas também a comunicação não era de todo facilitada devido às dificuldades para a sua concretização.
Ocorreu uma pesquisa pela informação relativamente aos bens que estariam a ser arrematados pela herança, mas não foi possível encontrar a mesma, devendo referir, todavia, que o facto de o indivíduo estar em Espanha, possuir património nos dois lados da fronteira pode e deve ser encarado como um sinal que falamos de alguém que tinha um certo estatuto social e, obviamente, também económico.

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Escrita com Norte: O falecido

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Como nem todos à volta da mesa se conheciam bem e tinham vontade de ser levados a sério, apesar dos assuntos banais, a conversa mantinha-se quase de “estado”, conferida pela expressão sisuda e o tom solene das palavras. Depois de um transmitir que não deita açúcar no café e outro revelar que usa braçadeiras na piscina, o Tone pede desculpa por ser mensageiro de uma triste notícia e diz – O nosso conhecido Tino, hoje, acordou morto!
Depois de hora e meia de conversa da treta com postura hirta, três pessoas deste grupo relaxam e mostram os dentes a esboçar, vergonhosamente, um riso e intervenho – Não se riam! – e conto a estória do Berto.
Era uma vez o Berto, homem de família, que por ser casado com uma mulher e ter uma filha, a quem oferecia bonecas em criança, e um filho, com quem jogava à bola, era conotado como ultraconservador. De segunda a sexta tentava não se deitar tarde, já que o despertador teimava em cumprir a sua missão, despertá-lo sempre às sete e meia.
Numa noite, de quarta para quinta, o coração de Berto deixou de funcionar durante o sono sem que ele o tenha notado e, quando o despertador toca, Berto acorda falecido! Levanta-se, trata da sua higiene e desce para a cozinha onde já lá estão os filhos e a sua mulher, que com os afazeres domésticos e a canalha não olha para o marido, com olhos de ver, há dez anos.
A pequena, ao ver o pai, levanta-se da mesa e vai ter com a mãe:

– Mamã, o papá está morto.
A esposa vira-se e olha para o marido com olhos de ver – É verdade! Ele está morto! – pensa para si. Mas como era o último dia do mês, e para esse dia não ser descontado no ordenado, não o avisa do falecimento e Berto sai de casa às oito e trinta.
No local de trabalho pica o cartão e até à saída não falou com ninguém, sem ninguém ter notado nele…
Estranho, ninguém ter reparado no Berto – digo eu ao grupo que ouvia a estória com atenção, e prossigo – Está bem que ele era calmo e para o paradito, mas daí a não verem que estava morto!
… Apesar da condição de falecido, sem ainda o saber, só pensava na futebolada dessa noite com os amigos no pavilhão do ciclo local.
Na hora em que Berto entra no pavilhão, a esposa entra na funerária, para escolher o caixão,
(caso durante o dia ninguém o tivesse avisado que estava morto, ela própria o diria à noite, quando Berto chegasse a casa)
Apesar de Berto não estar nos seus dias, onde a personalidade um pouco apagada durante o dia se mostrava mexida no jogo da bola, nos últimos segundos da partida, com o empate no marcador, recebe a bola, finta dois, finta o guarda-redes e, com a baliza aberta, prepara o remate para o golo da vitória e Tó, o seu melhor amigo, que não gosta de perder nem a feijões e joga na equipa adversária, berra:

– Ó BERTO, TU BATESTE A BOTA.
Este cai, estatelando-se no chão sem sinais de vida, e a bola, como muitas vidas de valor relativo, saiu pela linha de fundo!

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