A Região Norte, tem vindo nos últimos anos, a perder cada vez mais, a pujança económica e o peso político que, em tempos bem recentes, já teve e que ajudou o país a modernizar-se, e a ter níveis de grande desenvolvimento.

Infelizmente, a macrocefalia de Lisboa, sem grandes alaridos mas com eficácia, tem-se imposto exageradamente no país, não só pela população, mas também pela acumulação da grande parte das indústrias, empobrecendo as restantes Regiões e desertificando o interior.

     A Região de Lisboa e Vale do Tejo é a única em Portugal cujo Produto Interno Bruto (PIB) per capita ultrapassava a média dos actuais 27 países da União Europeia, com 105,8%, contrastando com a Região mais pobre do País que é o Norte, com apenas 58,8% da média europeia.

     Embora a Região Norte apresente dados significativos, em termos de capacidades, veja-se o caso de ser a Universidade do Porto que forma o maior número de cientistas, são as outras Jose Moreira da SilvaRegiões que têm tido um desenvolvimento maior e em termos de PIB, todas já ultrapassaram e muito, a Região Norte que está na cauda e com indicadores assustadores que fazem questionar o poder político centralista.

     Depois de Lisboa, a Região mais rica de Portugal continental é o Algarve com 77,1%, à frente do Alentejo com 70,3% e da Região Centro com 64,4%. Nas Regiões Autónomas, a Madeira atinge os 90,6% e os Açores 65,9% e o Norte apenas 58,8%.

     Para combater, e esbater um pouco, a macrocefalia de Lisboa, uma das soluções poderá ser a Regionalização, cujo referendo está de novo esquecido, pois voltou a ser metido na "gaveta". Se as Regiões vierem a ser implementadas poderia ser o despertar para que a Região Norte tenha a força que precisa, para bem do país, que ser mais homogéneo e para que o desenvolvimento se faça num todo!

     A par desta maleita, está a justiça social. Portugal é dos países com menos justiça social da União Europeia, segundo um relatório da Comissão Europeia. "A taxa de risco de pobreza, após transferências sociais e as desigualdades na distribuição dos rendimentos são das mais elevadas na União Europeia", lê-se no capítulo do documento dedicado à "situação e principais tendências" para Portugal.

     As crianças e os idosos são apontados como as categorias da população portuguesa mais expostas ao risco de pobreza. Portugal enfrentará, nas próximas décadas, "um envelhecimento demográfico mais acelerado do que a maioria dos Estados-Membros da União Europeia". O rácio de dependência dos idosos deverá aumentar de 25,2 por cento em 2004 para 58,1 por cento em 2050.

     No capítulo inclusão social do relatório, a economia portuguesa é descrita como "estruturalmente débil, com um modelo de desenvolvimento assente em actividades não especializadas e de mão-de-obra intensiva, que proporcionam salários baixos e empregos de pouca qualidade, "o que induz baixos níveis de produtividade e um elevado número de trabalhadores pobres".

     Os problemas graves por resolver e que afectam a inclusão em Portugal, são: a pobreza infantil e dos idosos, insucesso e abandono escolar precoce, baixos níveis de qualificação, participação diminuta em acções de aprendizagem ao longo da vida, info-exclusão, desigualdades e discriminação no acesso aos direitos das pessoas com deficiência e imigrantes.

     Com graves problemas por resolver, será que o actual Governo Socialista terá capacidade para fazer de Portugal um país mais justo? As dúvidas são muitas!

         José Maria Moreira da Silva

     moreira.da.silva@sapo.pt